Florianópolis, 21.8.12 – Desde ontem, as rodovias federais estão com monitoramento comprometido, sem fiscalização e emissão de laudos e boletins. Apenas acidentes com vítimas estão sendo atendidos em Santa Catarina. O motivo é a greve nacional dos policiais rodoviários federais.
No primeiro dia da paralisação, à tarde, houve ato dos policiais ligados ao Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais (SINPRF/SC) nas margens da BR-101, no acesso a Florianópolis. Eles contaram com o apoio de policiais federais, que também estão em greve.
O grupo não chegou a interromper o tráfego. Por volta das 17h, havia três viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no local e policiais em serviço. O superintendente da PRF, inspetor Silvinei Vasques, disse que os carros estavam no local para dar segurança ao movimento e aos usuários da BR-101.
A adesão é de 90% da categoria em Santa Catarina, conforme estimou o inspetor Hamilton Rodrigues, presidente do SINPRF/SC.
Em relação aos acidentes, Hamilton disse que o deslocamento dos policiais ao local se dará apenas se entre os envolvidos houver algum ferido ou obstrução da pista.
Descartado novo bloqueio de trânsito das rodovias
A greve vai criar problemas para quem precisar dos serviços da PRF como boletim de acidente de trânsito e laudos. Estão suspensos ainda o encaminhamento de recursos de multas recebidos nos postos, as escoltas e o auxílio às concessionárias da rodovia.
– Os policiais até vão receber as pessoas no posto e fazer o registro, mas os procedimentos não serão finalizados ou inseridos no sistema – disse Hamilton.
O presidente do SINPRF descartou novos atos com bloqueio de estradas. Mas poderão acontecer caminhadas na Via Expressa (BR-282), na entrada e saída da Ilha, o que poderia criar engarrafamentos na chegada à Capital. A categoria reivindica melhores salários, aumento do efetivo, que é de 450 policiais em Santa Catarina e a valorização da categoria.
“A nossa preocupação é o socorro às vítimas”
ENTREVISTA: Silvinei Vasques, superintendente da PRF em SC
O comando da PRF no Estado disse que irá acompanhar o desenrolar da greve para medir as suas consequências no Estado. Por telefone, o inspetor Silvinei Vasques conversou com o DC, na segunda-feira à noite:
Diário Catarinense – Qual será a postura do comando da PRF em SC diante da greve?
Silvinei Vasques – A gente está aguardando os procedimentos de formalização da federação nacional dos policiais rodoviários federais.
DC – O sindicato nos informou que os policiais não vão inserir os dados de acidentes no sistema, que só vão atender acidentes com vítimas e que outros serviços serão afetados. Como avalia isso?
Vasques – A PRF é uma polícia cidadã. Nesses 84 anos de sua existência nunca ocorreu nenhuma greve. Então estamos levando para a linha da conversa. Tivemos uma reunião com todos os chefes regionais do Estado, onde orientamos para que conversem com o nosso público interno e levem em consideração o cidadão, que não pode deixar de ser atendido. Da mesma forma, nossa direção-geral tem trabalhado em Brasília junto ao Ministério da Justiça para que as reivindicações – que são justas – sejam atendidas.
DC – Está prevista punição com a recusa do policial, por exemplo, em não atender a um acidente?
Vasques – Naturalmente que existe a normativa dos servidores civis da União e o nosso regimento disciplinar. Qualquer servidor que venha a incorrer em qualquer ato que seja passível de punição a gente tem obrigação legal de apurar os fatos.
DC – O sindicato afirma que o efetivo em SC, de 450 policiais, é pequeno e que deveria no mínimo ser o dobro. O senhor concorda?
Vasques – É. O nosso efetivo tinha que ser de 800 policiais. Hoje, somos o Estado que mais tem flagrado condutores infratores. Temos uma grande presença no número total de apreensões no Brasil de drogas, armas e procurados. Mas há uma grande falta de servidores.
DC – O sindicato diz que postos poderão ser fechados no Estado?
Vasques – Pelo contrário. Estamos aguardando a formatura de policiais para iniciar a abertura de novos postos. Serão 20 policiais para SC.
DC – Quantos postos deverão ser reabertos no Estado?
Vasques – Temos que abrir mais dois: na BR-153 em Água Doce (divisa com o Paraná) e na BR-163 em Guaraciaba, na fronteira com a Argentina. Um (Água Doce) já existe, está em reforma, mas não era da PRF.
Fonte: Diogo Vargas/ Diário Catarinense