Brasília, 27.11.12 – Administrado há quase 70 anos pela iniciativa privada, o porto de Imbituba ficará sob a responsabilidade do governo do Estado até o final de 2014.
A decisão foi anunciada ontem, em Brasília, pelo ministro dos Portos Leônidas Cristino durante encontro com o governador Raimundo Colombo e Paulo Cesar da Costa, presidente da SC Parcerias e Participações, que passa a ser a nova gestora do porto.
O ministro entendeu que repassar a administração ao Estado seria a melhor maneira de minimizar o impacto do fim da atual concessão, que se encerra em dezembro, para manter a eficiência das operações no cais localizado no litoral sul, importante rota de escoamento de granéis, congelados, contêineres e carga geral.
Gerido pela Companhia Docas de Imbituba (CDI), o porto movimentou no ano passado 2,3 milhões de toneladas, número considerado baixo por Colombo, que espera dobrar o volume.
– O movimento em Imbituba é bem aquém do seu potencial e menor do que os outros portos de Santa Catarina. A mudança vai gerar empregos, renda, inclusive agregando um volume de carga do Rio Grande do Sul – projeta o governador.
Pela decisão do ministro Leônidas Cristino, a nova gestão começará a partir do dia 16 de dezembro, no término do atual contrato, prazo questionado pela CDI na Justiça. A empresa pede a prorrogação do vínculo para 2016, já que durante a 2a Guerra Mundial o porto ficou sob intervenção federal, o que teria suspendido de forma temporária a concessão. Procurada pelo Diário Catarinense, a empresa CDI informou que só vai se pronunciar após ser notificada oficialmente da decisão.
O prefeito de Imbituba, Beto Martins (PSDB), espera que o município tenha voz na nova administração. No entanto, destaca que o porto recebeu investimentos privados de R$ 350 milhões nos últimos cinco anos, cifras responsáveis por recuperar a estrutura que estava sucateada.
– A movimentação ainda está aquém, porém a modernização recente fez o porto se credenciar a receber novas cargas – analisa Beto.
Diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli discorda da escolha do governo federal. Preocupado com a eficiência nas operações, considera a opção mais acertada a que estabeleceria uma parceria público-privada (PPP).
– Não significa que a administração estadual será ruim, mas a experiência vista em outros locais não anima. Como a cada quatro anos pode haver troca de governo no Estado, fica difícil ter uma continuidade administrativa – opina.
A reunião de ontem também acertou a renovação por mais um ano da concessão que já garante a Santa Catarina a gestão do porto de São Francisco do Sul. Assim, os vínculos dos dois cais deverão terminar quando estiver em vigor o novo marco regulatório que o governo federal prepara para o setor.
Fonte: Guilherme Mazui e Rodrigo Saccone/ Diário Catarinense
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