Florianópolis, 26.7.12 – A paralisação nacional dos caminhoneiros, prevista para começar ontem e se estender por 72 horas, largou sem força. Mas os organizadores buscam aumentar a adesão hoje e alertam para atrasos de entregas.
Em SC, o Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam) não aderiu à mobilização incentivada pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MBCU). Mas houve manifestação em Maravilha, no Extremo-Oeste do Estado, e transportadoras seguraram seus caminhões para evitar transtornos nas rodovias.
– Pensamos que não há necessidade deste tipo de pressão para resolver os problemas na lei. Já estamos negociando diretamente com o governo, em Brasília. Mas não podemos impedir que os caminhoneiros participem – explicou o presidente do sindicato em SC, Francisco Biazotto.
A pretensão inicial era mobilizar 600 mil profissionais autônomos no país. Porém, a estimativa do MUBC é de que metade da categoria tenha aderido à greve nacional.
– A intervenção da Justiça fez com que muitos caminhoneiros se recolhessem – admitiu Nélio Botelho, diretor do MUBC, prevendo atrasos no abastecimento de produtos a partir de hoje.
Revisão da jornada criou polêmica
A categoria reivindica a revisão das normas e regras estabelecidas pela Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT), como o cumprimento de intervalo de 30 minutos a cada quatro horas ao volante (veja quadro).
Em nota, a ANTT informou que vem mantendo negociações com representantes dos caminhoneiros para aperfeiçoar as normas. Segundo a agência, o assunto voltará a ser discutido durante fórum em agosto.
Veículos ficam na garagem por prevenção
Os sindicatos das transportadoras de Santa Catarina aconselham as empresas a segurarem seus caminhões. Só o Sindicargas, que abrange 21 municípios da Grande Florianópolis e região, possui 355 transportadoras associadas. E, segundo o presidente da entidade, Júlio César Hess, a maioria das empresas deve ter parado ontem.
– A medida não foi uma adesão ao movimento, mas uma precaução. Queríamos evitar que os caminhões, cargas e motoristas sofressem algum dano na estrada pelos manifestantes.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, o movimento de veículos no Estado caiu entre 30% e 40% na tarde de ontem, devido à recomendação.
O presidente da entidade concorda com as reinvindicações do movimento. Já o dono da transportadora Confiança, Rui Gobbi, que teve um dos seus caminhões detidos em manifestação no Paraná, questionou a viabilidade da aplicação da lei.
– Se os motoristas rodarem por 10 horas em um dia, onde vão ficar durante as outras 14 horas, caso não tenham voltado para o destino ainda? O que temos hoje são postos de gasolina privados, onde os caminhoneiros precisam gastar para se manterem, e acostamentos sem segurança, que facilitam o roubo de cargas, do veículo, e a violência contra os motoristas – argumenta Gobbi.
O vice-presidente da Federação da Indústria e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, alerta que 500 caminhões saem todo dia só do sistema agroindustrial do Oeste e que o setor não suportaria uma paralisação de uma semana.
Mobilização nos estados vizinhos
A adesão nos estados vizinhos também preocupa SC. No Rio Grande do Sul, a mobilização se restringiu à interrupção parcial da BR-392, em Pelotas, e a aglomerações em postos de combustíveis. Por volta das 10h, cerca de 50 manifestantes se uniram no quilômetro 67 da rodovia de Pelotas a Rio Grande para induzir motoristas de veículos pesados a estacionarem no pátio do Posto Ongaratto. Em seguida, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) interviram e retiraram os manifestantes.
No Paraná, também ocorreram manifestações. Em Minas Gerais, caminhoneiros fecharam a BR-381 e a BR-040, na região central do Estado.
Fonte: Diário Catariense