Florianópolis, 6.1.12 – Não usar cinto de segurança foi a segunda causa de multas emitidas nas operações de fim de ano das estradas estaduais e federais de Santa Catarina. Ignorar a proteção no banco de trás é a infração mais recorrente verificada pelos policiais rodoviários.
Das cerca de 13,3 mil multas emitidas pela Polícia Rodoviária Federal, 1.247 foram por falta de cinto de segurança. A campeã é o excesso de velocidade, que gerou 5.338 infrações. Nas estradas estaduais, de 2.085 multas, 460 foram pela ausência de cinto. Na soma, são 1.707 multas pela não utilização do equipamento.
O inspetor da Polícia Rodoviária Federal Luiz Graziano observa que, nas BRs, a ausência do cinto no banco de trás é maioria:
– Já foi muito pior. Antes dava para afirmar que 100% não usavam o cinto atrás. Hoje, já percebemos que cerca de 30% têm usado. No banco da frente, o uso fica entre 90% e 95%. Parece que o uso atrás não pegou.
Para ele, afivelar o cinto no banco traseiro é tão ou mais importante do que no dianteiro. Em um acidente, o passageiro que fica atrás pode ser arremessado para frente, bater contra o vidro ou atingir o próprio motorista ou a pessoa que vai no banco do carona. O diretor de medicina de tráfego ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, acrescenta que a pessoa jogada pode até mesmo matar quem está ao volante ou ao lado dele. São comuns as lesões cervicais entre motoristas atingidos.
– Usar o cinto diminui entre 25% e 75% o risco de morte para quem está atrás, dependendo da colisão. Sem falar que reduz as chances de todos os tipos de lesões – explica o médico.
Dados da Abramet mostram que, no país, o uso do equipamento no banco de trás não passa de 7%, enquanto 97% dos ocupantes dos assentos dianteiros afivelam o cinto.
A coordenadora de educação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de SC, Rosângela Bittencourt, acredita que falta uma conscientização da população sobre a importância do dispositivo. Para virar um hábito, como aconteceu com o cinto no banco dianteiro, Rosângela aposta em uma campanha ampla.
– A importância do uso deveria ser divulgada mais na mídia, até mesmo em novelas. O cinto de trás deveria ser sempre lembrado – observa.
Ela ainda sugere que os veículos venham com algum alerta, que funcione até o passageiro do banco traseiro colocar o cinto, como já acontece com quem não usa a proteção na frente. Outra questão levantada por ela é que os cintos de trás estão sempre escondidos sob o banco.
O psiquiatra forense Rogério Cardoso sugere uma fiscalização constante para mudar essa cultura.
– Antes, na década de 1980, poucos usavam o cinto de segurança na frente. Houve mudança na legislação, fiscalização, e o cinto passou a ser usado pelo motorista e pelo passageiro ao lado. Mas é preciso reforço permanente – afirma Cardoso.
A analista de segurança viária do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), Patrícia Gejer, afirma que em todos os estados o uso no banco traseiro é raro.
– A fiscalização é focada em quem trafega na frente. Se isso não mudar, vai ser difícil criar uma nova culturapara o uso no banco de trás – diz ela.
Mesmo a legislação sendo de 1997, não faltam desculpas de motoristas e passageiros para não usar a proteção como: “não sabia que era lei”, “eu só ia até ali”. O que o major da Polícia Militar Rodoviária Fábio José Martins mais ouve é “acabei de sair” ou “esqueci”. Apesar de os passageiros do banco de trás serem os campeões em ignorar a lei, ele também flagra muitos motoristas, principalmente no verão, que não usam o cinto.
– Alguns dizem que estão molhados depois de saírem da praia, ou por causa do calor. Muitos deixam de usar – afirma.
Fonte: Júlia Antunes Lorenço/ Diário Catarinense
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