São José, 25.10.12 – O projeto de um metrô de superfície se somará às 12 propostas a serem avaliadas pelo governo do Estado como medidas para resolver o problema de mobilidade urbana na ligação entre a Ilha de SC e o Continente.
A ideia foi apresentada ontem pelo secretário de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis, Renato Hinnig, ao governador Raimundo Colombo.
O projeto integrará o segundo pacote de propostas, cuja apresentação será lançada na próxima semana, em data a ser definida pela SC Parcerias. Pelo projeto conceito feito pela empresa portuguesa Logistel, especialista em soluções de logística e transporte, a primeira etapa da linha do metrô teria 37 quilômetros ligando a Ilha ao Continente. O custo seria de US$ 750 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão. De acordo com Hinnig, a ideia é que o governo gaste o menos possível na execução da obra e consiga apoio da iniciativa privada.
Esta não é a primeira vez que um projeto de metrô de superfície surge como uma possível solução para o trecho. Em maio de 2011, o governo do Estado assinou um contrato de R$ 6,44 milhões com a Prosul, empresa que faria o estudo de viabilidade do projeto, que passaria sobre a Ponte Hercílio Luz. Hinnig disse apenas que o estudo não seguiu adiante e o governo resolveu abrir espaço para manifestação de propostas à comunidade.
A nova proposta apresentada ao governador tem três possibilidades: construir a passagem dos trens entre as pontes Pedro Ivo e Colombo Salles, usar uma pista de cada ponte para a instalação dos trilhos ou, ainda, instalar a estrutura para o metrô em um nível acima das duas pontes. Para o administrador da Logistel, Albino Pedrosa da Silva, o mais viável seria a construção no vão entre as pontes. O secretário regional estima que a construção da primeira fase começaria em dois anos após a tomada de decisão do governo pelo projeto.
Em julho, 12 propostas de quarta ligação entre Ilha e Continente foram apresentadas ao Estado. As ideias têm esboços de obras com custos entre R$ 500 milhões a R$ 2 bilhões e parte delas prevê pedágio (veja no PDF)
Redução de 120 mil veículos por dia
Pelo projeto apresentado, o metrô ligeiro de superfície teria um trem circulando a cada 10 minutos nos 37 quilômetros de trecho. O transporte carregaria cerca de 90 mil passageiros por dia. Segundo o administrador da Logistel, Albino Pedrosa da Silva, o trecho da BR-101 entre Barreiros, em São José – nas proximidades da Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina (Ceasa) – até o Terminal de Integração Central (Ticen) seria cumprido em cerca de 12 minutos. O metrô de superfície, ou veículo leve sobre trilho (VLT), é um pequeno trem urbano, geralmente movido a eletricidade. Seu tamanho permite que a estrutura de trilhos se encaixe no meio urbano existente.
A proposta prevê redução de 35% a 45% dos 120 mil veículos diários que circulam na ligação entre Ilha e Continente. Com a construção do contorno viário da Grande Florianópolis – projeto da Agência Nacional de Transportes Terrestres que aguarda licença ambiental para ser executado pela Autopista Litoral Sul – e a instalação do transporte marítimo, o percentual subiria para 50%. Para o secretário Renato Hinnig, a possibilidade da construção de uma quarta ponte também não é descartada. Na segunda etapa, a linha poderia ser estendida para São José, Biguaçu e Palhoça.
Hinnig afirma que a tarifa do metrô não seria maior do que a do transporte coletivo. A ideia é que as estações instaladas entre o trecho favoreçam o acesso a outros modais. Dessa forma, o usuário não pagaria duas passagens. A previsão é que as paradas tenham estacionamentos, e o usuário pagaria um valor que seria usado na manutenção do transporte.
Mais uma alternativa
Opinião DC
Que Florianópolis precisa oferecer alternativas para o seu sistema de transporte coletivo todos sabemos. Impossível continuar na exclusiva dependência de uma frota de ônibus de eficácia questionável. A proposta de um metrô de superfície, surgida ontem, é atraente sem dúvida.
Mas os moradores da Capital estão perdendo a confiança de que a quarta ligação se concretizará. São tantos os projetos, de todas as espécies e por tanto tempo que o assunto está correndo o risco de escorregar para o terreno da brincadeira.
Seria bom o governo do Estado e o novo prefeito se unirem, com urgência, para encaminharem o assunto com a devida seriedade.
Fonte: Roberta Kremer e Carolina Passos/ Diário Catarinense (edição de ontem 24/10)
