Florianópolis, 26.6.12 – O relógio marcava 22h30min, num sábado de setembro de 2011, quando o motoboy Elton Luiz Eger voltava de motocicleta com a mulher, Priscila Michelle Nogueira, abraçada à sua cintura na garupa da motocicleta, após um dia longo de trabalho. O destino era a casa nova, já em fase de acabamento, no Rio Vermelho, Norte da Ilha, erguida pelo casal para ser a lar do bebê que Priscila carregava há quatro meses no ventre.
Mas Elton nunca chegou ao destino planejado. Aos 26 anos, a vida dele foi interrompida em um acidente provocado por carros que faziam racha na SC-403 a 160 km/h e se chocaram na contramão com a moto, que vinha a 40 km/h.
Elton e Priscila são personagens de um cenário alarmante, diagnosticado pelo Ministério da Saúde em um levantamento divulgado este mês com base em dados do sistema de informação do SUS. Os acidentes de motocicleta são responsáveis pelo maior número de mortes no trânsito brasileiro. Em 2010, mais de 10 mil motociclistas morreram no Brasil – uma estatística que cresceu 21% desde 2008.
No Estado, em 2010, foram 561 óbitos, superando as 552 mortes provocadas por acidentes de carro. De acordo com uma pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde, a maioria dos registros de internação em hospitais ocorre na Grande Florianópolis. Um dado que se explica, em parte, pelo fato de os centros de referência em ortopedia se concentrarem nos hospitais Governador Celso Ramos e Regional de São José.
Dados completos de 2011 deixam essa proporção mais clara. Das 2,5 mil internações em SC, 979 foram na Grande Florianópolis. A região de Joinville, segunda colocada, teve 560.
Gastos quase dobraram em três anos em SC
No ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou R$ 96 milhões só com internações por acidentes de moto no país. Em Santa Catarina, foram R$ 4,4 milhões. É quase o dobro dos 2,4 milhões gastos em 2008. O valor não leva em conta cirurgias, por exemplo.
Para a diretora de Análise de Situação em Saúde do Ministério da Saúde, Deborah Malta, os dados são assustadores e configuram uma epidemia de mortes por acidentes de motocicleta no país, com impacto alarmante sobre o sistema público de saúde.
– Os óbitos de motociclistas têm impacto sobre a saúde pública e sobre a estrutura econômica e psicológica das famílias, que convivem com um sofrimento enorme – avalia.
Fonte: Laís Novo/ Diário Catarinense