O pouco que é muito da duplicação da BR-101

O pouco que é muito da duplicação da BR-101

Florianópolis, 28.11.11 – Aos poucos, o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) admite que mais atrasos (ou prorrogações de prazos) vêm por aí na duplicação da BR-101 Sul. O primeiro lote a ter a data estendida mais uma vez será o 22, entre Palhoça e Paulo Lopes. O último prazo era dezembro, agora ficará para março de 2012. Também há a possibilidade de estender a data no trecho 25, entre Itapirubá e Capivari, o famoso lote da vergonha.
Um relatório foi apresentado pelo Dnit e mostrou que 81% do serviço está concluído. Apesar de boa parte da duplicação da rodovia estar pronta, ainda não foram concluídos os principais gargalos de congestionamento, onde, hoje, as pistas afunilam por causa dos desvios. Além disso, entre os 19% que faltam, estão previstas as obras dos túneis de Palhoça e Tubarão e a ponte estaiada em Laguna. Nenhuma delas foi contratada.
“Dois pontos poderão estender as obras para o primeiro trimestre de 2012: a (restauração da) ponte sobre o Rio Maciambu e parte do viaduto de interseção na localidade de Pontal”, afirma o representante do Dnit, em nota.
No documento, as datas limites foram mantidas: lotes 22, 23 – Paulo Lopes – e 26 – Capivari a Sangão – estariam prontos em dezembro, lote 25 finalizaria em julho de 2012 e o 29 – Araranguá a Sombrio – em dezembro do ano que vem. As pistas duplicadas no lote 22 serão liberadas, mas o superintendente João José dos Santos afirmou que a restauração de oito quilômetros das faixas antigas não. Sem explicar o porquê desse novo atraso (o trecho deveria ter sido entregue no final de 2008), o serviço ficará para depois do verão, quando será fechada para a recuperação.
Sobre o lote 25, que teve uma sucessão de problemas com o Consórcio Blokos-Araguaia-Modern Continental – com dívidas e atrasos nos sete anos de obras –, João José mantém a conclusão para julho 2012, mas pondera na nota: “Este prazo poderá ser reavaliado no próximo exercício de acordo com o andamento da obra no decorrer do primeiro semestre”. Neste ano, houve pouco mais de um mês de trabalho no trecho e só agora teve uma retomada com o reforço da subcontratada Setep, que, na prática, assumiu o lote. Como a obra pouco evoluiu em Tubarão, a comunidade se articulou em busca de soluções. A Associação Vias do Sul – entidade que luta pela duplicação – solicitou uma ação para a temporada. Pediu ao Dnit o fechamento dos 10 quilômetros de faixas duplicadas e bloqueio nos acessos às comunidades – menos para os moradores – nos dias de maior fluxo. Isso tudo para impedir os “fura filas”.
– É melhor ficar em pista única, pois se perde muito tempo no afunilamento – analisa o presidente da Vias do Sul, Raphael Bianchini da Silva.
O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga (Fetrancesc), Pedro Lopes, acredita que será difícil passar também por Araranguá durante a temporada de verão – quando o tráfego fica mais intenso.

Sinalização e desvios perigosos

Até agora, foram duplicados 81% da BR-101 Sul e aplicados 1,5 bilhão. Mas a ampliação da via está muito longe do fim. Existem os três grandes gargalos, sem previsão para começar: a Ponte sobre o Canal de Laranjeiras, em Laguna, os túneis do Morro do Formigão (Tubarão) e Morro do Cavalo (Palhoça). Também existem reforços das pontes antigas, que ainda não foram licitados.
Com tanto o que fazer, a consultoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) – que acompanha o andamento da obra – estimou o fim dos trabalhos só para 2016. No começo de dezembro, um novo estudo sobre a situação dos lotes será apresentado à sociedade.
Enquanto a obra não termina, o motorista deve tomar cuidado redobrado com os desvios, principalmente no verão. Uma fiscalização do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) – realizada em agosto – com relatório a ser apresentado nesta semana, identificou o perigo da má sinalização da rodovia.
– Fizemos uma vistoria e confirmamos que a sinalização foi mal colocada, principalmente a noturna. Em alguns pontos, nem existe. Também percebemos desvios fora de norma e orientamos as empresas para se adequarem – explicou o presidente do Crea Raul Zucatto.
Fonte: Roberta Kremer

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