Florianópolis, 6.9.11 – Pedro Lopes, dono da frase do título e presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Santa Catarina) representará a entidade no Fórum NetMarinha, no dia 15 de setembro , no Centreventos em Itajaí. O NetMarinha procurou o presidente para falar um pouco sobre as questões que serão abordadas, sobre a cabotagem e o transporte rodoviário de carga. O Grupo NetMarinha, organiza o Fórum NetMarinha que acontece em paralelo ao ITS 2011 (Itajaí Trade Summit), nos dias 14,15 e 16 de setembro.
Lopes, que integra a diretoria da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), é vice-presidente da ABTC (Associação Brasileira de Transporte Logística e Carga), vice-presidente da NTC (Associação Nacional de Transportadores de Cargas), presidente do Conselho Regional do Sest (Serviço Social do Transporte), Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) e membro da Frente Nacional de Transportes de Cargas, do Fórum Nacional de Usuários de Rodovias Pedagiadas e do Fórum Estadual de Rodovias.
NetMarinha – Qual é a função da Fetrancesc e a finalidade da entidade?
Pedro Lopes: A Fetrancesc tem como objetivo ser uma entidade forte que efetivamente voltasse seu olhar para o presente e futuro do transporte de cargas de Santa Catarina, plenamente desenvolvido, modernizado e capaz de se antecipar às exigências do mercado. Uma entidade que representa os nossos 13 sindicatos, com representação nacional e internacional, como no G5, o grupo dos 5 países do Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
NetMarinha – Sobre os temas a serem abordados no dia do Fórum, como o senhor define essa supremacia do transporte rodoviário sobre a cabotagem?
PL – Não vejo a supremacia do transporte rodoviário de carga sobre a cabotagem. O que vejo é a falta de planejamento, de organização e outros. Por exemplo, uma empresa aqui de Santa Catarina produz seus produtos e tem uma base de receptação dessas mercadorias no porto de Suape, com toda certeza o melhor transporte seria através de cabotagem, mais econômica e mais segura, porém isso é utópico nesse momento, falta organização, planejamento e vontade. Mas que a verdade seja dita, o caminhão é responsável por 100 % dos transportes de carga no Brasil, pois será um caminhão que irá buscar ou levar a mercadoria no porto, caso seja por ferrovia, será o caminhão que distribuirá essa mercadoria até as cidades sem acesso, será o caminhão que entregará até a porta da loja, da farmácia ou pegará a mercadoria da empresa.
NetMarinha – O que o senhor pensa sobre a malha ferroviária brasileira?
PL – Olha, me lembro quando eu era criança, eu via o transporte ferroviário tanto de carga quanto de passageiros atravessar o meu estado (Rio Grande do Sul), na época da ditadura foi abandonado, terrenos por onde passavam as ferrovias loteados, os trilho desativados e vendidos. Hoje temos que reconstruir o que foi abandonado.
NetMarinha – Existia um lobby por parte do governo de que o transporte rodoviário fosse o mais utilizado do que qualquer outro modal (cabotagem, avião e trem), o senhor acredita que seja uma verdade? Ou uma especulação?
PL – Nos anos da ditadura o transporte rodoviário teve um desenvolvimento mais forte e rápido, sem dúvida. Outros modais foram deixados de lado, como os trens e a cabotagem chegou a ser falada na época do Geisel, mas não foi adiante. Se você for analisar é muito mais simples a compra de um caminhão do que de uma locomotiva, para o governo construir estradas gera mais desenvolvimento do que as ferrovias, serão postos de gasolina, farmácias, restaurantes, comunidades que estão povoando área que antes eram desertas e desenvolvendo essas áreas.
NetMarinha – Nas questões que serão abordadas no Fórum, em que refere-se ao transporte em todo mundo acima de 500 Km é feita por navio, o que falta para o Brasil realizar isso?
PL – Falta planejamento, integração de modais e estrutura adequada nos portos. Cada um cuida da sua vida. Quem tem caminhão não tem porto ou navio e quem tem navio, não tem porto e não tem caminhão. O básico, na verdade, é o transporte rodoviário que leva ao porto, que chega no navio ou sai do navio e passa obrigatoriamente pelo porto pelo caminhão para chegar ao destino. A transportadora que for proprietária do porto e do navio não terá seus caminhões rodando mais que 500 quilômetros, distância deficitária, com altos riscos em função das condições das estradas. A cabotagem é o ideal, de menor custo para o embarcador, de maior sobra para o transportador. Mas a relação porto-navio-caminhão não é adequada. A cabotagem é um sonho muito distante.
NetMarinha – Qual a grande dificuldade que encontra o transporte rodoviário hoje no Brasil?
PL – Bom, as condições das estradas e a segurança da carga e do caminhoneiro em relação a roubo de carga. Perdem todos quanto a esses dois fatos. Perde o governo, pois essa mercadoria cai na clandestinidade e não retorno imposto, perde o caminhoneiro pois coloca em risco a vida e o seu caminhão se for o caso, perde a empresa pois tem sua carga roubada ou o caminhão com a carga, perde o cliente que ira receber a mercadoria que não chega a tempo. É um efeito dominó que não interessa a ninguém, quanto as estradas antes o que se fazia uma média de velocidade de 75 Km/h hoje é de 35. O caminhão fica avariado, perde-se carga como no caso de grãos e representa perigo aos caminhoneiros.
NetMarinha – Com a economia forte e facilitando o crédito ficou mais fácil para um autônomo comprar seu próprio caminhão, isso faz sentido?
PL – Sem dúvida, as estatísticas demonstram isso, há sete anos eram 350 mil autônomos, hoje são de um milhão e cem mil autônomos em todo o Brasil. Mas muitos têm dificuldades, pois o custo anual de um caminhão é de R$ 120 mil, não fica fácil. Hoje 15% das empresas são médias e grandes e 85% são de pequenas e médias empresas.
NetMarinha – O que o senhor acha da iniciativa do Grupo NetMarinha de promover esses debates com o Fórum NetMarinha?
PL – Todos os eventos em que se debate infraestrutura e logística envolvendo os diferentes modais de transporte são importantes. Abrem novos mercados e principalmente a oportunidade de outros modais e não somente o rodoviário, conhecerem as dificuldades de cada um no mercado.
Fórum NetMarinha
O Fórum NetMarinha acontece em paralelo ao Itajaí Trade Summit, realizando uma mesa redonda nos dias 14, 15 e 16 de setembro. Com horário das 15 horas às 16h30 no próprio Centreventos.
No Fórum NetMarinha, um mediador fará uma introdução dos temas a serem debatidos, cada convidado terá de 5 a 10 minutos para apresentar a sua opinião, em seguida todos os convidados se intercalam para responder as questões debatidas. (Entre eles e o publico participante).
Na abertura do Fórum, no dia 14 de setembro, a mediadora será a jornalista de economia Mirian Gasparin, que irá coordenar os temas:
– Incentivo à importação: Sonegação fiscal ou catalisador de desenvolvimento logístico regional?
– Menos ICMS na importação e mais arrecadação para o Estado de Santa Catarina;
– Ações de inconstitucionalidade de setores da indústria e o real desenvolvimento de novos polos logísticos no Estado;
– Qual será o impacto na economia Brasileira e para o Estado de Santa Catarina com o fim destes incentivos?
Convidados:
– ABECE (Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior) – Michal Gartenkraut, diretor da Rosenberg Associados, responsável pelo estudo, “Importação e incentivos fiscais – desconstruindo mitos”.
– FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina)
– Confaz SC (Conselho Nacional de Política Fazendária de Santa Catarina) – Ramon dos Santos Medeiros, auditor fiscal da Receita Estadual.
– SDS SC (Secretaria de Desenvolvimento Sustentável de Santa Cataria) – Marcelo Fett, coordenador de assuntos estratégicos.
– Porto de Itajaí – Antonio Ayres, superintendente do Porto de Itajaí.
Dia 15 de setembro o mediador será Ricardo Demasi, CEO do Grupo NetMarinha, abordando os temas:
– Cabotagem versos Transporte Rodoviário de Carga. Qual a melhor opção para quem paga o frete?
– No mundo todo, o transporte acima de 500 km é realizado por navio. O que falta para ser realizado no Brasil?
– Mais escala, tempo de entrega, preço, velocidade no atendimento, falta de espaço na armazenagem, lobby da indústria automotiva, desconhecimento do assunto pelo gestor da indústria: Como convencer o responsável pela compra de frete, a efetiva eficiência da Cabotagem para o transporte de carga de longa distância?
Convidados:
– Porto de Itapoá – Patrício Júnior, diretor comercial do Porto de Itapoá.
– Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado de Santa Catarina) – Pedro Lopes, presidente da Fetrancesc.
– Mercosul Line (Armador de cabotagem) – Cláudio Marcos Rosa, gerente geral de operações.
– Log-in (Armador de cabotagem) – Fábio Siccherino, diretor comercial.
Dia 16 de setembro, o jornalista especializado em tecnologia, Rodrigo Lóssio será o intermediador com os temas:
– Porto sem papel e carga inteligente. Realidade ou teoria?
– Cesta de tecnologias de auto identificação para projeto carga inteligente.
Convidados:
– GTT – Guido Dellagnelo, diretor
– Unisys – Nishant Pillai, diretor de segurança da carga e portos da Unisys
– SEP – (Secretaria Especial dos Portos)
– Porto de Santos
Sobre a feira
Destinada a profissionais de empresas exportadoras, importadoras, prestadoras de serviços e equipamentos, a ITS 2011 (4ª Itajaí Trade Summit) é realizada pela NetMarinha, empresa que administra o maior portal de comércio internacional e logística do Brasil. As inscrições para o evento são gratuitas e devem ser feitas pelo site http://itajai.tradesummit.com.br.
Outras informações pelo e-mail marketing@netmarinha.com.br ou pelo telefone: (48) 3321.0248/3321.0249.
Serviço
ITS 2011 (4ª Itajaí Trade Summit)
Data: 14, 15 e 16 de setembro, das 14h às 22h.
Local: Centro de Promoções Itajaí-Tur (Av. Ministro Victor Konder, 303, Centro – Pavilhão da Marejada, em Itajaí, SC).
Inscrições e informações: http://itajai.tradesummit.com.br/
Fonte: Leandro Almeida/Net Marinha