Florianópolis, 2.6.12 – Por que trânsito e transporte estavam entre os assuntos em discussão no II Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, que encerrou ontem, em Florianópolis? O público que participou da mesa-redonda sobre Educação Profissional no Setor do Transporte realizada pelo Sest Senat pode conhecer algumas respostas dadas pelos palestrantes/debatedores. Um depende totalmente do outro. Por isso, foi sugerido que no próximo Fórum, esses temas estejam na programação principal, porque a educação é e será a responsável por preparar ou mudar as pessoas para o trânsito e o transporte.
O Coordenador de Desenvolvimento Profissional do Senat Chapecó, Gelter Ferreira, acredita que já é um grande avanço para o setor estar participando do Fórum e mostrar o quanto a educação, transporte e trânsito estão ligados. Ele também sugeriu à coordenadora de campanhas Educativas do Detran, Rosangela Bittencourt, debatedora do encontro, que sejam realizados outros encontros entre as autoridades e especialistas em trânsito e transporte para aprimorar e uniformizar procedimentos nas qualificações. Ela disse que vai promover novas reuniões.
Durante o debate, o usuário de bicicleta, Luis Antônio Peters, perguntou como são as formações dos condutores de veículos de passageiros e de carga. Disse que se sente muito pressionado pelos veículos maiores, como os automóveis e fica “espremido” quando tem um caminhão ou ônibus. Solicitou que os treinamentos também ensinem a respeitar os ciclistas e pedestres.
O vice-presidente do Conselho Estadual do Trânsito (Cetran), José Vilmar Zimmernann, outro debatedor, falou que não existe uma lei que determina que veículos maiores devem respeitar os menores ou vice versa. O que tem que existir é o respeito de um pelo outro. Mas o comportamento inadequado é algo cultural. Ele lembrou que os ônibus, por exemplo, são obrigadas a parar nas ciclovias, devido as portas de embarque-desembarque serem apenas do lado direito.
O moderador da mesa, coordenador de Desenvolvimento Profissional do Senat Florianópolis, Roberto de Menezes Junior, afirmou que no ensino e qualificação nas unidades reforçam sempre que a pessoa é a responsável pelo trânsito, pois cada um tem que fazer sua parte. E acredita que independente de ser um trabalho lento, sempre se insiste na importância de cada um fazer a sua parte.
Para o presidente do Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e Transporte (Icetran), José Leles Peters, também da mesa-redonda, é necessário uma revisão de conceitos e isso passa pela educação, mas também pelo poder público de redesenhar o sistema viário e de transporte. O grande erro, segundo ele, dos gestores públicos é não pensar em modais integrados de transporte. Ele disse que apesar de no Brasil, muitos trabalhadores e estudantes usarem a bicicleta para se deslocar, as autoridades veem o veículo apenas como um meio de lazer, de passear no parque.
Outro ponto é o medo que as pessoas ainda têm medo de usar bicicleta, por falta de estrutura viária. Ele lembrou que situação semelhante ocorre com o transporte marítmo, que poderia muito contribuir para a mobilidade urbana. Apesar da extensão do litoral catarinense, quase nada se usa para o transporte da população.
Atualmente Santa Catarina tem uma frota de 130 mil caminhões e 42 mil tratores rodando pelas estradas, informou Rosângela Bittencourt. Por isso a preocupação de profissionais capacitados. Mas segundo ela, no ano passado foram capacitados no estado pouco mais de 22 mil profissionais. Um número pequeno, ressalta ela, se se verificar o número de veículos de carga e que são conduzidos por um motorista profissional. “A importância do transporte de carga busca credenciar instituições para oferecer o melhor conhecimento possível”, declarou.
Mas frisa que a educação deve ser feita com todos os motoristas, de todas as classificações da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A frota registrada no Detran/SC é de 3.773.373 veículos. E é o segundo estado brasileiro em número de acidentes no trânsito.
O vice-presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Clodomir Ribeiro Alves, que representou o presidente, Pedro Lopes no debate, a conclusão é que só a educação e uma qualificação de alta qualidade para fazer Trânsito e Educação caminharem no mesmo sentido. “Precisamos continuar o trabalho de cumprir as leis de trânsito, as cargas horárias para fazer com que nosso setor continue evoluindo, assim educando o trânsito, poderemos também diminuir o número de usuários de drogas, que prejudica o setor”, afirmou.
A técnica em Desenvolvimento Profissional do Senat, Emiria Bertino, acredita que mesmo sendo um trabalho que pode levar tempo, é importante devido ao futuro profissional. “O trabalho realizado pelo Sest Senat para o trabalhador do transporte não vem de uma proposta pronta. O lado técnico do motorista profissional é aprimorado, mas buscamos reforçar a sua importância. E assim, conseguimos sensibilizar o profissional de que além da educação, ele é fundamental na cadeia econômica”, assegurou.
Leles afirmou que os profissionais necessitam primeiramente ser educados para saber como transportar determinados produtos, e assim lidar com o público. “Ele tem que ser educado, pois consecutivamente será informado e terá segurança ao transportar e dirigir”, afirmou o vice-presidente do Cetran. Além de acreditar que ele é muito importante para a sociedade, acrescenta.
Um instrutor do Sest Senat questionou também o porquê de não existir cursos voltados para educação profissional para atender o transporte marítimo. Chamou a atenção, se aproveitássemos a água para transportes marítimos, teria sido uma solução até na greve de ônibus que ocorreu durante três dias nesta semana em Florianópolis. Emiria acredita que esse é um setor que tende a crescer e que isso já tem merecido a atenção do Sest Senat.
Fonte: Katherine Dalçóquio da Silva/ Imprensa Fetrancesc
Fotos: Juraci Perboni





