Florianópolis, 4.11.11 – Biguaçu, São José e Palhoça somam 405 mil habitantes e quase 150 mil carros circulando na Grande Florianópolis. Ônibus, são 637 ônibus. As empresas que operam o transporte coletivo afirmam que o número de passageiros caiu nos últimos cinco anos. O cenário, nas vias intermunicipais como a Via Expressa, é o mesmo diariamente: filas, filas e mais filas com muitos carros e poucos ônibus.
Os números do Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina comprovam que os veículos emplacados nas três cidades cresce a cada ano. Em todos os três municípios, do número total da frota que circula na Grande Florianópolis, entre carros, caminhões, caminhonetes ou ônibus, a metade do crescimento é de automóveis.
Estatísticas das empresas do transporte coletivo que circulam na mesma região também comprovam que a quantidade de usuários reduziu nos últimos anos. Na empresa Biguaçu, por exemplo, o gerente operacional Isaias Zandonai explica que o congestionamento da Avenida Leoberto Leal, em Barreiros, é a responsável pela diminuição de passageiros. Entre 2010 e 2011, a queda chegou a 1 milhão. A empresa Estrela, que também circula na Grande Florianópolis, perdeu 2 milhões de usuários.
– A questão é que uma linha que levava, por exemplo, 35 minutos, hoje, leva uma hora e10 minutos para cumprir o percurso. Com isso, as pessoas preferem andar de carro – conta Zandonai.
Os motivos citados para tantos carros e poucos ônibus nos constantes engarrafamentos na região metropolitana são inúmeros. Usuários do transporte coletivo reclamam da falta de horários, da pequena quantidade de ônibus, da falta de integração nos bairros, da baixa oferta de linhas alternativas ou do longo tempo no trajeto de casa para o trabalho.
As empresas de ônibus dizem que o número de linhas existe de acordo com a demanda. Se tem usuários, tem transporte nas ruas. Mas, nos últimos anos, houve a troca do transporte coletivo por moto ou carro. O gerente operacional Renato Christ, da empresa Jotur, que tem linhas nas cidades de Biguaçu, Palhoça, São José e Florianópolis, afirma que trabalha sempre no vermelho.
Para Christ, a quantidade de ônibus, hoje, é suficiente, pois há estatística que comprove a necessidade das linhas que circulam.
– Todas as empresas que fazem a Grande Florianópolis operam no prejuízo. O gargalo da Via Expressa contribui para isso, pois gastamos mais combustível nas longas filas, temos que pagar hora-extra aos motoristas e cobradores que ficam trancados no engarrafamento e temos que colocar mais ônibus para atender os usuários – afirma.
O representante da Jotur enfatiza que o problema da falta de usuários e dos inúmeros carros que engarrafam o tráfego vai existir enquanto houver prioridade para o transporte individual:
– Existem outras ações que podem beneficiar o transporte público como a transformação do sentido em mão única da Avenida Presidente Kennedy, em São José. Ajudou bastante. Mas é preciso criar corredores de ônibus na Avenida Ivo Silveira, na Via Expressa, em cima das pontes.
Christ acredita que, se mudanças como estas fossem feitas, o serviço de transporte seria melhor. Ele exemplifica que, há alguns anos, uma linha de Palhoça a Florianópolis levava 38 minutos para concluir o percurso. Hoje, esse tempo dobrou.
Obras para aliviar o gargalo nas pontes
Anel Viário
A implantação da via de contorno da Grande Florianópolis (Rodoanel), que parte de Biguaçu, no km 196, vai desviar o trânsito pesado da BR-101 até o pedágio de Palhoça. O início das obras está previsto para 2012 e a conclusão está prevista para 2015. O anel de contorno, terá quatro pistas no formato de Via Expressa.
Na primeira proposta, o contorno começaria no km 175 da rodovia, no limite entre Biguaçu e Tijucas e iria até o quilômetro 222, em Palhoça. Agora, conforme o projeto apresentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a alça de contorno começa no km 196, já dentro de Biguaçu, próximo à SC-408, que dá acesso a Antônio Carlos, até o km 220.
O rodoanel na BR-101, na Grande Florianópolis, é esperado há mais de 13 anos, para aliviar o trânsito. A ANTT não estipulou orçamento para a obra, mas, inicialmente, se previa um investimento de R$ 200 milhões.
Via Expressa
O projeto de duplicação da BR-282 (Via Expressa) tem prazo para ser entregue até o fim do ano, quando deve ser iniciada a licitação da obra. O projeto de R$ 6,5 milhões é financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2) e elaborado pelo consórcio Essen, Sotepa e Iguatemi, que venceu a concorrência feita no fim do ano passado.
Atualmente, a Via Expressa tem pistas duplas com 5,6 quilômetros de extensão nos dois sentidos e recebe cerca de 170 mil veículos por dia.
Fonte: Vanessa Campos/ Diário Catarinense