Quatro vidas, quatro mortes

Quatro vidas, quatro mortes

Florianópolis, 12.6.12 – De um lado, jovens estudantes do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina e suas mochilas carregadas com livros. De outro, bombeiros militares de Santa Catarina com suas fardas.
Em meio a eles, os caixões lacrados com os corpos da acadêmica da primeira fase Karolina Pierri, 18 anos, e do seu pai, o soldado bombeiro Luiz Gustavo Pierri, 37 anos. Pai e filha foram duas das quatro pessoas mortas no acidente de ontem às 6h40min no quilômetro 236 da BR-101, no Morro dos Cavalos, em Palhoça.
Além deles, morreram a vendedora Ana Paula Correa, 29 anos, e o encanador Cristiano Alves, 37 anos. Os corpos de Luiz Gustavo e Karoline foram velados na Capela Mortuária Bom Jesus dos Passos, na Ponta de Baixo, em São José. Hoje, às 9h, serão levados para Balneário Camboriú, para serem cremados.
Já Ana Paula Correa, 29 anos, era ruiva e ganhou o apelido de “Sukita” dos amigos da Guarda do Embaú. Ontem pela manhã, ela acordou para mais um dia de trabalho voluntário no Centro Espírita de Forquilhinhas, em São José. A vendedora foi deixada pelo namorado no ponto do ônibus, por onde passaram os vizinhos Luiz Gustavo e Karolina. Ana Paula aceitou a carona para chegar mais cedo ao seu destino. Seu corpo foi levado para Tubarão, onde mora sua família, e será sepultado hoje.
Horas mais cedo, quase 70 quilômetros ao Sul, em Imaruí, o encanador Cristiano Alves, 37 anos, deixou a esposa e o filho de um ano, e com seu Gol rumou para trabalhar em Florianópolis. Ele foi a quarta vítima.
A tragédia causou comoção entre os colegas de Karoline, que foram avisados de sua morte na sala de aula, no começo da manhã. Para muitos, algo ainda inacreditável: Karoline e alguns colegas tinham ido a São Paulo, no feriado, para participar de um encontro relacionado ao curso. A atualização de seu Facebook, na noite de domingo, foi sua despedida.
Na memória dos colegas de trabalho de Pierri, a determinação dele em trabalhar com cães para auxiliar no trabalho de bombeiro. Uma de suas atividades lembradas pelos colegas foi o socorro às vítimas da catástrofe no Morro do Baú, no Vale do Itajaí. Ontem, às 20h, colegas do bombeiro morto prestaram-lhe homenagem.
O toque da corneta em sua memória ecoou pela capela mortuária. Foi, talvez, o único momento em que cessou o choro dos familiares, das colegas de aula e dos companheiros de trabalho do soldado.
Fonte: Angela Bastos/ Diário Catarinense

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