Recorde de mortes em 17 anos nas rodovias estaduais

Recorde de mortes em 17 anos nas rodovias estaduais

Joaçaba, 30.1.12 – Homens, jovens e com pouca experiência no volante foram as principais vítimas dos acidentes nas rodovias estaduais no ano passado. Das 357 mortes, 293 eram do sexo masculino e tinham menos de 40 anos.
Conforme as estatísticas da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), desde 1995, quando o órgão passou a ter dados mais detalhados das estradas estaduais, não eram registradas tantas mortes. Em 2011, foram 11.074 acidentes nas SCs. A média foi de 29 mortes por mês. Marca que já foi superada este ano no Estado.
Isso porque o mês de janeiro ainda nem terminou e já tem um saldo de 32 vítimas fatais e 829 acidentes. Em comum com as outras tragédias, a maioria aconteceu em dias de tempo bom.
Em 2011, mais de 70% foram registradas durante períodos claros e de boa visibilidade. É quando o motorista tem uma falsa sensação de segurança e perde o medo de ultrapassar os limites.
E essa falta de responsabilidade permite ainda o casamento perigoso entre o volante e o álcool. O que pode justificar que a maioria dos acidentes do ano passado tenha ocorrido aos sábados, quando as festas e reuniões entre amigos lotam as agendas dos motoristas.
No levantamento da PMRv, sobra espaço, também, para a falta de experiência e o excesso de autoconfiança.
Embora grande parte das pessoas acredite que o período mais crítico de direção é o primeiro ano após a emissão da carteira de motorista, quando a licença é provisória, os dados mostram que o cuidado precisa ser estendido. Tanto que 44% dos acidentes em 2011 envolveram pessoas com menos de 10 anos de habilitação. O que comprova que a prática ainda faz diferença na hora de pegar a estrada.

Carros estão entre os veículos mais envolvidos em acidentes

A junção de todos esses fatores resultou em um aumento de 3% dos acidentes nas SCs, em relação a 2010. Os automóveis são os maiores envolvidos, presentes em 58% das ocorrências. A maioria dos mortos, 66% do total, estava conduzindo o veículo.
A má condição das estradas não aparece como fator determinante nas causas dos acidentes listados pela PMRv.
Porém, em alguns casos, os buracos resultam em saídas de pista, que representam 19% das estatísticas de 2011. Algumas rodovias, embora com asfaltos conservados, figuram entre as que mais matam no Estado. Uma delas é a SC-401, em Florianópolis, considerada entre as SCs mais perigosas. Em apenas cinco quilômetros da via, 15 pessoas perderam a vida em 2010.
Na lista das rodovias mais severas em Santa Catarina, também estão a SC-411, entre Gaspar e Tijucas, no Vale, e a SC-474, em Blumenau, onde morreram 16 pessoas em 2010.
Leia como foi o 32º vítima de 2012 numa SC e outras mortes do final de semana na página 22.

Números refletem a imprudência

Conforme Rudimar Nora, instrutor de uma autoescola em Joaçaba, no Meio-Oeste, a morte de homens jovens está ligada principalmente ao consumo de álcool e ao excesso de velocidade. Ele reitera que, no Brasil, 68% dos acidentes são resultado de imprudência ao volante.
O fato de os homens se envolverem em maior número de acidente, e também liderarem as estatísticas de mortes nas rodovias estaduais, estaria ligado também ao excesso de autoconfiança na hora de dirigir. Isso faz com que o motorista ultrapasse os limites.
A falta de respeito às regras de trânsito é outro fator, segundo os dados da PMRv, que ajuda a engrossar as estatísticas negativas no Estado. Muitos motoristas não sabem, por exemplo, que é proibido ultrapassar mais de um carro por vez.
– Ultrapassar é uma manobra muito perigosa, mas permitida em alguns locais. Só que muita gente esquece que deve superar a velocidade de um carro por vez, como prevê o Código Nacional de Trânsito – explica o instrutor.
Outra parte dos números está relacionada com os chamados motoristas de férias, que não têm o hábito de pegar a estrada. A falta de experiência em rodovias e o desrespeito às regras de segurança resultam em notícias tristes para as famílias. E as tragédias não estão relacionadas apenas à morte nas rodovias. Segundo Nora, entre 20 pessoas que sofrem acidentes no Brasil, apenas uma é vítima fatal. Porém, outras seis ficam com sequelas e têm partes do corpo paralisadas.

Faltam campanhas educativas

Assim como em outras áreas, o segredo para melhorar o trânsito nas rodovias estaduais estaria escondido em campanhas educativas consistentes. O trabalho é demorado, pela dificuldade em mudar velhos hábitos dos motoristas, e necessita investimentos.
O presidente do Movimento Nacional de Educação no Trânsito (Monatran), Roberto Bentes de Sá, salienta que parte do dinheiro arrecadado com as multas poderia suprir a demanda desta área. Ele relembra que, atualmente, apenas uma semana por ano é dedicada à conscientização nas estradas.
– Não adianta uma semana nacional do trânsito por ano, sendo que as pessoas circulam pelas estradas todos os dias – critica.
Outro fator que poderia diminuir as estatísticas negativas, segundo Sá, é o aumento de áreas vigiadas nas rodovias. Ele garante que, como além de poucos radares também há baixo efetivo policial, os motoristas se sentem livres para cometer infrações.
Outra sugestão dada pelo presidente do Monatran está ligada à formação dos motoristas, que reflete nos altos índices de acidentes nas rodovias. Isso porque a maioria aprende a dirigir apenas em vias urbanas e sai da autoescola sem nenhuma experiência em locais onde a atenção deve ser redobrada. Quanto ao fato de a maioria dos acidentes serem protagonizados por homens ao volante, ele diz que a mulher é mais cuidadosa e, por isso, quase não se envolve em batidas. Conforme Sá, a responsabilidade sempre anda de carona com as motoristas.
Fonte: Daisy Trombetta/ Diário Catarinense

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