Florianópolis, 31.5.12 – As escolas não têm sido capazes de forjar a educação de bons hábitos de saúde e de segurança no trânsito entre os jovens brasileiros, disse terça-feira, o especialista em Educação de Trânsito, Eduardo Biavati, na palestra “Educação no Trânsito – Qual o papel da Família, Escola, Centro de Formação, Entidades e Comunidade em Geral?” A exposição aconteceu na ala Sul da Passarela do Samba Nego Quirido e fez parte do Fórum Mundial da Educação Profissional e Tecnológica, que acontece até amanhã.
Bons hábitos de saúde deveriam começar em casa e ser reforçados na escola e na comunidade, mas isso não vem ocorrendo e uma das consequências é que muitos desses jovens, a maioria homens, morrem cedo ou ficam com sequelas graves que os impede de ter uma vida produtiva. De acordo com o censo do IBGE de 2010, morrem quatro vezes mais homens, na faixa etária entre 15 e 44 anos. E de cada 10 vítimas fatais do trânsito, 7 são homens.
Biavati pergunta o que todos nós temos a ver com essa tragédia no trânsito? Ele responde, “no futuro nós todos pagaremos pelas vidas jovens perdidas no trânsito. A pergunta que deveríamos fazer hoje é a seguinte: quem irá sustentar a contribuição para a previdência social daqui 2 ou 3 décadas? Em 2040 teremos uma grande parte da população de idosos com idades acima de 80 anos e cada vez menos crianças e jovens no Brasil.”
O especialista alertou aos participantes, muitos deles educadores de crianças, adolescentes e também de adultos jovens, como é o caso do Sest Senat que capacita trabalhadores para o transporte, que a violência no trânsito vem agravando o esgotamento do estoque de jovens para o mercado de trabalho em todas as faixas de renda e setores econômicos.
Biavati afirmou que insiste nesse alerta sobre a juventude porque é fundamental para a sustentabilidade social e econômica de nossa sociedade e porque temos todos um dever de PROTEGER a juventude. Para ele, é necessária uma reflexão dos pais, mães, tios e tias, avós e avôs, autoridades e especialistas diante de uma geração mais jovem.
“Quem é esse jovem com quem estamos lidando? Você sabe com quem está falando?” Essas duas perguntas foram colocadas aos presentes como parte da palestra, especialmente para dizer que a Década do Trânsito, definida pela Organização das Nações Unidades, entre 2011 e 2020, com a finalidade de reduzir a mortalidade no trânsito em 50%, poderá não ter efeito, caso não haja um trabalho conjunto para a formação do cidadão com bons hábitos.
O alerta para essa campanha mundial veio com as estatísticas da Organização Mundial de Saúde de que em 2030, acidentes de trânsito deverão ser a 5ª causa de mortes no mundo, enquanto em 2004 eram a 9ª causa. “Isso não é doença, mas é uma epidemia”, enfatizou Biavati. Em 2020 serão mais de 2,5 milhões de mortos no mundo, mais de 80 milhões de feridos. E a ONU quer impedir que essas projeções se tornem realidade. “É um problema que nós criamos, nós geramos e se nós criamos devemos ser capazes de curá-lo. O ponto de partida é a indignação e a vontade de agir”, ressaltou Eduardo Biavati.
Mas, para Biavati, faltam tanto a indignação e a vontade de agir no Brasil. Nosso país ocupa atualmente a quinto posição mundial em mortes no trânsito em números proporcionais e está regredindo a patamares de 1996, antes do atual Código Brasileiro de Trânsito. Desde o ano 2000, o número de mortes por grupo de 100 mil habitantes vem aumentando continuamente. Em 2000 era 17,4 mortes por 100 mil, e de lá para cá só piorou. Em 2010 eram 21,3 vítimas para cada grupo de 100 mil habitantes. Nesse mesmo período, japoneses e ingleses, que tinham índices menores, conseguiram reduzir em 50% as taxas de mortalidade no trânsito.
Um dos fatores que provocaram a elevação dos números no Brasil, são atribuídos ao aumento de número de motos. Houve um crescimento de 800% nas mortes de motociclistas. Nenhum outro usuário do trânsito morreu tanto em vias urbanas e rodovias como esse condutor. “Se tirássemos os motociclistas teríamos reduzido em 30% a mortalidade no trânsito. Sejam quais forem as causas, o fato é que perdemos o controle da mortalidade dos motociclistas.”
A preocupação deveria ser grande, já que o número de vítimas fatais do trânsito estão quase próximos aos de outros tipos de mortes violentas. Por exemplo em 2008, homicídios no Brasil eram 25 para cada 100 mil habitantes e mortes no trânsito 20,3 para cada grupo de 100 mil habitantes. Em vários estados da Federação, como em Santa Catarina, as mortes no trânsito já haviam ultrapassado as mortes por homicídios em 2008: 32,7 mortes no trânsito cada 100 mil pessoas e 10,4 de mortes por homicídios.
Fonte: Imprensa Fetrancesc
Fotos: Katherine Dalçóquio da Silva






