Brasília, 23.11.12 – Produtos alimentícios, cigarros, eletrodomésticos e produtos farmacêuticos foram as mercadorias mais visadas por criminosos no transporte rodoviário de cargas brasileiro em 2011. No ano passado, o número de roubos de cargas cresceu 5,7% na comparação com o ano anterior. O prejuízo do setor somou R$ 920 milhões, o maior dos últimos seis anos.
De acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) nesta semana, a região com maior incidência é o Sudeste, que concentrou 83,57% dos casos, com destaque para São Paulo, com 53,47% das 13 mil ocorrências no país.
Logo em seguida aparece a região Sul, com 6,3% do total; Nordeste, com 5,67%; Centro-Oeste, com 3,05% e Norte, com 1,41%.
O responsável pela compilação dos dados, o assessor de segurança da NTC&Logística, coronel Paulo de Souza, explica que os números têm como base os dados informados pelas Secretarias de Segurança dos Estados, pelas empresas do mercado segurador, pelas gerenciadoras de risco, transportadoras e outras fontes.
“Temos uma grande dificuldade em coletar os dados regionais e estaduais todos os anos, por que muitos estados não disponibilizam estes números publicamente e, nesses casos, utilizamos os dados fornecidos por outras fontes, entre as quais as empresas seguradoras”, explica o coronel Souza.
Centro-Oeste
O levantamento mostra que o maior crescimento de roubos ocorreu na região Centro-Oeste, quase dobrou. Em 2010, foram 207 casos. No ano seguinte, 397. Para o presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas (Fenatac), José Hélio Fernandes, a alta está diretamente ligada ao aumento do volume de cargas, principalmente industrializadas, que ocorreu na região.
“Um outro fator tem nos preocupado. Antes, os criminosos roubavam a carga e logo em seguida encontrávamos o caminhão. Hoje em dia, os caminhões também estão sumindo. Temos cobrado do governo, Polícia Rodoviária Federal e delegacias que tenham uma atuação mais rígida nas rodovias e centros urbanos, mas enquanto não atuarem na receptação das mercadorias, o combate vai ser difícil. O cerne da questão está justamente no receptador”, disse Fernandes em entrevista à Agência CNT de Notícias.
Fonte: Aerton Guimarães/ Agência CNT de Notícias