Florianópolis, 4.5.12 – Um novo relatório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) sobre a duplicação da BR-101 Sul informa que a obra não ficará pronta em 2014, conforme prometido no ano passado. A notícia a ninguém surpreende, tantas foram as datas anunciadas e, em seguida, postergadas ao longo de todos esses anos em que o trabalho se arrasta. Mas irrita, e desrespeita, mais uma vez, a sociedade catarinense, com outra promessa traída. Segundo o relatório, 81% das obras no Estado estão prontas. Mas o trabalho agora empacou em dois lotes.
Ademais, muitos viadutos e outras obras de arte arrastam-se ao longo da rodovia com exasperante lentidão ou sequer saíram do papel. Exemplo eloquente de como a burocracia tentacular, aliada a gestões de baixa competência, trava o trabalho é o do túnel duplo no Morro dos Cavalos, em Palhoça, um dos principais gargalos da rodovia. Até hoje, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) não aprovou o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), embora a documentação tenha sido encaminhada há um ano.
E enquanto a papelada dorme na gaveta de algum burocrata, filas quilométricas de veículos formam-se no entorno. Também as obras do Túnel do Formigão, em Tubarão, e da ponte sobre a Lagoa de Cabeçudas, em Laguna, igualmente em função de trapalhadas burocráticas, existem apenas na intenção.
Principal via de acesso de Santa Catarina aos mercados consumidores do país e do Cone Sul, além de porta de entrada para os turistas oriundos do Prata, a duplicação da BR-101 é de importância capital para a economia e a qualidade de vida no Estado. Impende também lembrar que as péssimas condições da estrada cobram amargo preço em vidas perdidas ou mutiladas em acidentes de trânsito.
A interminável novela da duplicação já ultrapassou todos os limites. Para refrescar a memória, vale lembrar que a sociedade catarinense mobilizou-se para reivindicar do governo federal a duplicação, em uma campanha que uniu representações empresariais, sindicatos laborais, lideranças comunitárias e políticas de todos os partidos e matizes ideológicos. Foi um movimento reivindicatório que culminou com a entrega de um documento assinado por 1 milhão de cidadãos ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Uma campanha na qual este jornal e todos os veículos de comunicação do Grupo RBS no Estado se orgulham de ter tomado parte ativa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que a obra seria questão de honra em seu governo. Dois mandatos, oito anos, e o compromisso de honra virou fumaça… Espera-se que sua sucessora no Planalto, a presidente Dilma Rousseff, resgate a promessa, que também repetiu reiteradas vezes em campanha eleitoral. Chega de promessas traídas, mais respeito com Santa Catarina e com seu povo, como escreveu o jornalista Moacir Pereira em uma de suas colunas sobre o assunto.
O povo catarinense tem pressa, e identifica na duplicação um imperativo e justo retorno aos impostos que paga. A sociedade deve continuar atenta e mobilizada. E cobrar sempre a competente execução, com exação e transparência, de obras públicas de tamanha importância para o seu presente e o seu futuro.
*Editorial Diário Catarinense
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