Florianópolis, 19.12.11 – Ao ouvir o barulho dos fogos de artifício, dona Zelma de Souza da Conceição, de 56 anos, se emocionou. Era perto das 11h de ontem, quando estava saindo do trabalho, na Vargem Pequena, no Norte da Ilha de Santa Catarina. Não subiu ao palanque, mas representou bem o sentimento dos moradores.
Seguiu o som em direção ao viaduto, onde estava ocorrendo a cerimônia de inauguração da duplicação dos últimos 6,6 quilômetros da SC-401. O trecho em que havia perdido dois sobrinhos tem tudo para ficar mais seguro para a comunidade, desde aquele momento.
– Vou começar o ano com um pouco de tristeza, porque quem vai não volta, mas a duplicação e o viaduto são uma conquista para a comunidade – desabafou a auxiliar de serviços do posto de saúde do bairro.
Não era apenas Zelma que demonstrava satisfação. Na tenda montada para comemorar a obra finalizada cinco meses antes de vencer o contrato, o governador Raimundo Colombo se revelava feliz ao apertar a mão de sete operários presentes na solenidade, todos nascidos em Lages, como ele próprio.
– As empresas também se esforçaram muito para concluir a obra este ano – afirmou o governador.
Essa antecipação foi possível com a disponibilidade da administração em liberar todo o recurso, que poderia ser pulverizado até maio de 2012, ainda este ano. Com isso, as empreiteiras Setep e Técnica Viária montaram até 12 frentes de trabalho ao mesmo tempo, com mais de 300 trabalhadores na pista. O investimento foi de R$ 36 milhões, sendo R$ 11,9 milhões do Ministério do Turismo e o restante do Estado.
Mas eram moradores de Florianópolis, principalmente os do Norte da Ilha, os mais animados com a conclusão da obra. O representante da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif), Dilvo Tirlone, disse confiar que a duplicação trará desenvolvimento para a região.
– Ninguém quer investir em lugar de difícil acesso. Depois da ampliação da via, nós estudamos construir a nova sede da Acif no Sapiens Parque – disse Tirlone, referindo-se ao condomínio de empreendimentos instalado em Canasvieiras.
Os 6,6 quilômetros estão duplicados e prontos no tempo recorde de nove meses. Mas isso não foi suficiente para dona Zelma esquecer que a obra era aguardada há muito tempo. Moradora da Vargem Pequena há 40 anos, ela viu a estrada ser construída em 1975. Presenciou os primeiros 13,3 quilômetros de duplicação entre Itacorubi e o trevo de Jurerê, em 1998. Naquela época, o trecho próximo a sua casa ficou para trás por causa da proibição de pedágio, fato que fez a empreiteira Engepasa desistir, pois arcaria com o custo por meio da concessão da rodovia.
– Reivindicamos, paramos a via, fizemos missa quando a minha sobrinha Cíntia Constantino morreu atropelada há 18 anos – recorda Zelma.
Parte da comunidade reivindica que o viaduto da Vargem Pequena seja batizado com o nome de Cíntia. Nos últimos oito anos, 96 pessoas morreram na SC-401. Em 2011 foram 15 mortes e 202 acidentes.
Fonte: Roberta Kremer/ Diário Catarinense (edição de sábado 17/12)
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