SC cresce menos do que o país pela oitava vez em 10 anos

SC cresce menos do que o país pela oitava vez em 10 anos

Florianópolis, 16.2.12 – O Produto Interno Bruto (PIB) catarinense cresceu 2% em 2011, segundo projeção divulgada pelo Itaú Unibanco ontem. O avanço da economia local foi menor do que o nacional pela oitava vez em 10 anos e deve permanecer assim em 2012.
Pela estimativa do maior banco privado do país, o Brasil encerrou o ano passado com crescimento de 2,7%, abaixo da expectiva do governo, que fala em 3,2% – o IBGE divulga o resultado oficial em março.
Santa Catarina também teve o pior desempenho do ano em comparação aos outros nove estados e à região Nordeste analisados no estudo. Pesaram bastante as medidas tomadas pelo Banco Central para desacelerar o consumo no ano passado, especialmente o ciclo de alta da taxa básica de juros (Selic) antes da inversão da tendência, em setembro. Outro fator importante foi a crise na Europa que afetou as exportações.
Como a alta da Selic demora de seis a nove meses para provocar efeito, a economia catarinense pisou mais forte no quarto trimestre do ano passado. No trimestre anterior, a expansão foi de 1,5%, índice bastante positivo, segundo o economista do Itaú Aurélio Bicalho.
A indústria foi bastante afetada em 2011, o que se refletiu na queda de 5,1% da produção industrial. Nos últimos três meses de 2011, o recuo foi expressivo nos setores de alimentos, máquinas e equipamentos.
– O Paraná desacelerou, mas manteve uma taxa de crescimento elevada. O oposto disto ocorreu em SC, com a retração da indústria, principalmente da produção têxtil. O Rio Grande do Sul ficou perto do meio do caminho – explica Bicalho.

No quarto trimestre houve forte recuo

O ritmo menor nos últimos 10 anos se explica em parte pelo fato de SC não ser um Estado exportador de de matérias-primas (commodities). Um estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil revelou que, de 2000 a 2011, a compra de commodities brasileiras cresceu 716,5% no mercado internacional, impulsionada pela voracidade chinesa.
O resultado do varejo catarinense não foi suficiente para compensar o desempenho ruim da indústria. O setor que apresentou crescimento próximo a 4% no terceiro trimestre, o maior do país, caiu quase a zero no final do ano. A geração de emprego com carteira assinada, crescente em todas as regiões brasileiras, ficou próxima de 1% no período.
Para o economista Carlos Honorato, da Fundação Instituto de Administração (FIA), a indústria de SC, grande exportadora de produtos manufaturados, sofre mais com a falta de competitividade internacional. A perspectiva de crescimento do PIB do Brasil para 2012 é de 3,5%, desempenho puxado, principalmente, pelo consumo interno.
– A expansão do mercado doméstico no segundo semestre dará alguma sustentação para a economia catarinense – conclui Bicalho.
Fonte: Alessandra Ogeda/ Diário Catarinense

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