Florianópolis, 19.4.12 – A última estatística sobre os celulares no Brasil registra mais de 250 milhões de aparelhos em uso. Santa Catarina já ultrapassou mais de 8 milhões de telefones móveis. Tem mais celulares do que habitantes.
Aumento que se traduz conforto, facilidade de serviços, geração de empregos. Problema só com o sinal, que continua uma tristeza nas maiores operadoras. E a velocidade da banda larga muitas vezes acaba virando banda podre.
Há, contudo, um dilema mais grave, na Grande Florianópolis, que se repete nas maiores cidades do Estado: o número de veículos em circulação. Gravíssimo, porque implica imobilidade urbana, afeta os serviços e traz perda da qualidade de vida.
Um estudo realizado pela Fetrancesc indica que, se a situação está muito ruim hoje, a tendência é piorar rapidamente. Santa Catarina conta hoje com 4 milhões de veículos em circulação. Em menos de uma década, este total será superior a 6,5 milhões. Até agora, sem uma política pública de transportes coletivos.
O cenário mais delicado continua na região da Capital. De acordo com as previsões da Federação das Empresas de Transportes de Carga, a Grande Florianópolis terá mais de 750 mil veículos circulando diariamente. Quer dizer: vai travar tudo se medidas urgentes não forem tomadas para a melhoria do sistema viário de acesso à Ilha de Santa Catarina e circulação do trânsito pesado no trecho da BR-101.
Atualmente, ainda segundo as avaliações, 190 mil veículos entram e saem de Florianópolis. Há outros 160 mil carros que transitam pela BR-101, entre Biguaçu e Palhoça. Isto significa média diária circulando na região de 470 mil veículos.
Impasse
Problema sem solução até agora: o traçado original do contorno previa 47 quilômetros, entre o km 175 e o km 222. O contratado com a Auto Pista Litoral fixa trecho mais curto entre os quilômetros 196 e 221. De acordo com o presidente da federação, Pedro Lopes, os prefeitos da Grande Florianópolis assinaram documento concordando com uma alternativa emergencial da concessionária para a construção de 11 pistas paralelas à atual duplicação, precisamente para desafogar o trânsito na região. Além disso, no traçado original do contorno há áreas que foram ocupadas com loteamentos, residências e empresas. Teria que ser revisto.
A Fetrancesc está alertando, também, para o novo estudo de construção de um túnel entre a Ilha e o Continente, para ligar com a Via Expressa. Sem as vias paralelas da BR-101, há o risco real dos carros ficarem enfileirados dentro do túnel.
Pedro Lopes anunciou para breve a sanção, pela presidente Dilma, da nova lei que regulamenta a profissão de motorista, fruto de três anos e meio de longas discussões com as centrais sindicais e o Ministério Público. Vai alterar, inclusive, a CLT e o Código do Trânsito. Esta lei determina que os motoristas tenham descanso obrigatório de 11 horas. Só podem dirigir durante quatro horas seguidas, com 30 minutos de repouso.
Santa Catarina conta hoje com 16,6 mil empresas de transporte de cargas, 257 mil caminhões licenciados e 300 mil motoristas trabalhando, setor que gera 120 mil empregos diretos.
Entre os principais problemas enfrentados estão falta de infraestrutura nas rodovias, falta de unidades de apoio nas estradas, falta de segurança e de qualificação profissional. O piso dos motoristas está em R$ 1,2 mil, mas a média salarial é superior a R$ 2,5 mil. Mesmo assim, há uma forte carência de mão de obra.
* Moacir Pereira
Fonte: Diário Catarinense