O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, maior fornecedor de aços longos especiais das Américas, e coordenador da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo federal, incentivou, ontem, tanto o governador Raimundo Colombo quanto lideranças empresariais do Estado a adotar programa de gestão para reduzir despesas e elevar receitas. Com consultoria do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), criado pelo professor Vicente Falconi, o modelo já foi implantado em 10 estados, nos últimos 10 anos, com avanços acima do esperado. Foram investidos R$ 76 milhões e os resultados em aumento de receita e redução de despesas chegaram a R$ 14,2 bilhões. Os detalhes foram apresentados em reunião na Federação das Indústrias de SC (Fiesc).
Análise inicial do INDG aponta que o governo catarinense conseguiria cortar despesas em R$ 320 milhões e agregar mais R$ 680 milhões em receita, o que significaria R$ 1 bilhão extra.
Diário Catarinense – Qual é a importância de o setor público melhorar sua gestão?
Jorge Gerdau Johannpeter – Os governos fazem os seus serviços sem pressão do mercado. Mas os investimentos públicos federais, estaduais e municipais são insuficientes para as necessidades de infraestrutura. Só com melhoria de gestão teremos condições de ampliar investimentos.
DC – É fácil conseguir a adesão de empresários ao programa?
Gerdau – A mobilização do setor privado tem funcionado muito bem. É um estímulo interessante.
DC – Como evolui a implantação do programa no Planalto?
Gerdau – Estamos trabalhando com a mesma metodologia de apoio que está sendo proposta aqui, com consultoria em diversas áreas e técnica de gestão que estabelece as políticas. Está avançando bem. Vamos começar com Transporte, Justiça e Saúde. Estamos atacando Infraero e Correios também. Estes projetos estão sendo pagos pelo governo. Há um projeto de planejamento estratégico na Casa Civil, com apoio de grandes empresas que normalmente investem neste tipo de projeto.
DC – O senhor tem defendido a redução do número de ministérios, 40 hoje. Quantos acha ideal?
Gerdau – É preciso fazer um trabalho técnico. Não dá para chutar assim. Poderia manter os ministérios, mas somando-os em grandes grupos, em áreas como a econômica, social, de cultura, segurança e outras.
DC – O avanço da China tem preocupado o senhor. Como enfrentar esta concorrência?
Gerdau – Precisamos melhorar a nossa competitividade. O tema do dólar também é importante. Com a taxa de juros que temos, vem muito capital especulativo do exterior e nós precisamos de capital de longo prazo, para investimentos.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
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