Sul precisa de R$ 70 bi para gargalos de infraestrutura

Sul precisa de R$ 70 bi para gargalos de infraestrutura

Brasília, 29.8.12 – As federações das indústrias de SC, do PR e do RS estão à frente do projeto que aponta 177 obras como necessárias para reduzir os altos custos de logística. Destes, 51 são considerados como prioritários, exigiriam R$ 15,2 bi em investimentos e garantiriam à região uma economia de R$ 3,4 bi ao ano.
A Região Sul necessita investir R$ 70 bilhões em 177 projetos para desatar nós de infraestrutura que elevam os custos de logística. É isto que aponta o Estudo Sul Competitivo, lançado ontem, em Brasília, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e as federações de SC, RS e PR.
Responsável pelo trabalho, a empresa Macrologística apurou que 51 dos 177 projetos podem ser priorizados (veja página ao lado). Eles exigiriam investimentos de R$ 15,2 bilhões, 22% do total, melhorariam oito eixos logísticos e evitariam gastos anuais de R$ 3,4 bilhões, que representam cerca de 80% das perdas totais causadas devido ao déficit de infraestrutura enfrentado hoje na região.
A análise considerou rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e dutos. Os valores levantados referem-se ao montante ainda pendente de ser realizado para a finalização das obras em abril de 2012. O objetivo é, além de identificar os gargalos, buscar as soluções. A deficiência de infraestrutura é apontada como um dos maiores entraves à competitividade da região, que representa 17% do PIB brasileiro.
Os 51 projetos prioritários estão concentrados em oito eixos. Destes, cinco são rodovias já existentes, mas há a necessidade de um novo eixo rodoviário e dois ferroviários.
Os eixos existentes são a BR-116 que liga São Paulo a Porto Alegre; a BR-101 entre Caxias do Sul e São Paulo; a BR- 285, de Imbituba a Passo Fundo; as BRs 282 e 280, de São Miguel do Oeste a São Francisco do Sul e as BRs 285 e 153, de São Paulo a Buenos Aires. Os novos eixos são a BR-487, entre Boiadeira Porto Camargo e Paranaguá; integração ferroviária Guaíra-São Francisco do Sul e Paranaguá, formando um anel ferroviário entre o litoral e a serra; e a integração ferroviária Norte-Sul, especialmente o trecho Sul.

Para Fiesc, Ferrovia Norte- Sul é uma das prioridades

Dos 51 projetos apontados como prioridade pela CNI, 22 estão ou passam por SC. Para o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, a obra mais importante para o transporte de cargas é o trecho sul da ferrovia Norte-Sul, que ligará o PR ao RS, cruzando por SC. A obra está prevista no recém-lançado plano de concessões do governo federal.
– A ferrovia vai propiciar trazer o milho até o Oeste catarinense. É uma obra há muito tempo reclamada, indispensável para a avicultura.
Côrte também destaca as melhorias e duplicações das BRs 280, 282 e 101 norte. Outro ponto crucial é o acesso aos portos do Estado, que necessitam de melhorias.
O governador Raimundo Colombo discursou em nome dos governadores dos três estados. Destacou a importância do trabalho da CNI para ajudar a gestão pública. O governador concorda com o presidente da Fiesc ao apontar a ferrovia Norte-Sul como prioridade dentro dos eixos sugeridos.
– Nosso grande problema é a ferrovia. Estamos em licitação das obras de rodovias, os portos e aeroportos estão melhorando, mas a ferrovia está atrasada. Ela é uma necessidade urgente para SC.
Segundo Côrte, a Fiesc vai fazer uma reunião dia 22 de setembro para detalhar o plano.

O que deve ser prioridade

O gargalo número 1 da Região Sul é o trecho da BR-116 que liga Curitiba a São Paulo. O segundo está na BR-101, entre Criciúma e Florianópolis, onde o uso atual está em 277%. Nos três estados, em 15 rodovias o tráfego atual excede em mais de 100% a capacidade.
Em relação às ferrovias, o estudo apurou que dois projetos apontados como fundamentais por lideranças e políticos de SC não são viáveis economicamente: a ferrovia do frango e a ferrovia litorânea. Segundo o diretor da Macrologística, Olivier Girard, as obras necessárias e com viabilidade econômica para esse modal são a Norte-Sul, prevista no plano lançado recentemente.
Outro mito derrubado foi a necessidade de duplicar a BR-470. A análise apontou que o único trecho que necessita de duplicação urgente está entre Blumenau e Indaial. É que no trecho entre Blumenau e a BR-101 há duplicação na prática porque a região conta com duas ligações até o litoral.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
* Colaborou Fábio Schaffner

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