Transportadores e revendedores querem solução para o roubo de cargas de bebidas

Transportadores e revendedores querem solução para o roubo de cargas de bebidas

Lages, 29.10.12 – A violência contra os motoristas e um prejuízo de R$ 710 mil com o roubo de sete cargas de cerveja, cinco neste ano e dois em 2011, motivaram os empresários do transporte e revenda de bebidas de várias regiões do estado a realizar uma reunião com o presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, o presidente do Setplan, Osvaldo Piloni e representantes das polícias militar, civil, rodoviária estadual e federal para encontrar soluções.
O encontro aconteceu na Associação Empresarial de Lages (ACIL), conduzido pelo presidente, Luiz Spuldaro.
A preocupação do grupo é que nos últimos dias houve aumento nos registros.
Entre as decisões, Lopes deve marcar uma audiência com o secretário de Segurança Pública, Cesar Grubba, para solicitar novamente a criação de uma delegacia especializada em roubo de carga.
 Por sugestão do delegado da DIC Márcio Schutz, Lopes deverá também solicitar a criação de uma força tarefa emergencial para investigar os casos ocorridos nos últimos dias e tentar prender os autores dos crimes.

Sem delegacia especializada crimes são “esquecidos”

Outra reclamação é da falta de solução dos casos, e especialmente, de não haver apuração sobre os receptadores de mercadoria roubada.
O presidente da Fetrancesc afirmou que o grande problema do atual sistema da policia é que o roubo de carga é tratado igual ao roubo de galinha e que o Boletim de Ocorrência fica “esquecido” na gaveta.
Lopes defende que os estabelecimentos, a exemplo do que ocorre na Argentina, que vendam produto de roubo, deveriam ter toda as mercadorias aprendidas.
O empresário, Genir Stormowski, da Transbev, um dos responsáveis por organizar o encontro, afirmou que em 2012 o problema mais grave está em Santa Catarina, mais específico, com a bebida da Ambev.
“Eu vi o pânico do motorista”, disse Stormowski, ao relatar sobre como encontrou o condutor do veículo depois de ser atacado e sofrer a violência das quadrilhas de carga. “E só por isso, se quer a imediata atenção das autoridades. Acho que deveria existir uma fiscalização maior sobre o receptador dessas cargas”, ressaltou.

“A logística deles é perfeita”

Segundo o empresário, eles levam o motorista para o mato e roubam as cargas “Nós temos rastreador, porque as empresas não fazem o seguro sem ele, mas o equipamento não tem ajudado”.
Na reunião, o funcionário da Transbev, Ivan Almeida Machado fez uma apresentação dos registros de ocorrências, além das 12, mais nove foram informada por outras empresas que aconteceram em território catarinense.
 Relatou que em um levantamento feito por ele sobre um caso em Águas Mornas e pela análise das câmaras de segurança de um restaurante na região, o o tempo de um caminhão roubado, entre a ida carregado e o retorno vazio, foi de cerca de duas horas.
“A logística deles é perfeita. Para tirar a lona e descarregar a carga de cerveja tão rápido, é uma ação de quem conhece. Não fizeram nada naquele caminhão. As câmaras de segurança registraram”, alertou Machado.

Mais infraestrura para a prevenção dos roubos

Os transportadores e revendedores de bebidas também reivindicaram melhorias no trevo de acesso à fabrica da Ambev, porque tem uma estrutura incompatível para o caminhão, o que exige redução de velocidade e o motorista se torna alvo fácil dos bandidos.
Stormowski disse que o governo do estado deveria realmente se preocupar com essas ocorrências, porque muitas empresas estão deixando de carregar essa mercadoriapelo risco, pois o seguro não cobre o valor integral e estão chegando transportadoras do Paraná para fazer o frete.
Com isso, o tesouro estadual deixa de recolher impostos. Ele apelou à Fazenda estadual para que faça fiscalização sobre esses produtos.
As cargas, boa parte delas, são roubadas às sextas-feiras. Vários fatores podem explicar, mas só uma ação efetiva da policia é que pode descobrir o motivo.
A revendedora, Maria Magdalena, afirmou que a sua empresa suspendeu as viagens à noite, para evitar os ataques das quadrilhas.
Mas outros não podem fazer esse sistema, pois a fábrica de bebidas trabalha 24 horas. São 140 caminhões diários carregados da cervejaria.
Por falta de uma infraestrutura integrada de policiamento, alguns policiais presentes se mostraram surpresos com as ocorrências. O chefe operacional da PRF em Lages, Claudino dos Santos, apesar de surpreso, disse que está havendo intensificação da fiscalização, mas a falta de efetivo nem sempre dá para trabalhar com assiduidade.
 O subcomandante da 6ª região da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), major Fernando dos Anjos, disse que as informações precisam chegar com rapidez à policia.
Quanto mais dados tiverem, melhor será para investigar e coibir. “Não temos problema de trabalhar em conjunto com outras polícias. Estamos engajados nessa solução.” O delegado da 2ª delegacia de Polícia de Lages, Cesar Talon, reclamou da estrutura, muito pequena, para atender à demanda.
Lopes lembrou que a situação poderia ser diferente se tivesse havido a regulamentação da lei de carga, aprovada em 2006, e que apesar da insistência do setor, só neste ano começaram a tratar do assunto.
Os representantes de empresas e de revendas, o presidente da Fetrancesc e a policia debateram ainda outras ações e recursos para coibir o roubo das cargas. Algumas delas dependem de autorização e do investimento.
Antes deverá ser feita uma consulta às partes e depois novas reuniões para a sua implementação. Uma orientação passada pela polícia é que os transportadores e os motoristas tentem observar alguns dados e passem à polícia o maior número de informações possíveis. Fonte: juraci perboni
Fotos Juraci Perboni

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