Vale do Araranguá exige o fim da restrição do tráfego de bitrens em rodovias estaduais

Vale do Araranguá exige o fim da restrição do tráfego de bitrens em rodovias estaduais

Araranguá, 17.4.12 – Os empresários do transporte do Vale do Araranguá querem uma solução imediata para a restrição do tráfego de bitrens em rodovias estaduais da região e consequentemente o fim dos constrangimentos pela polícia rodoviária e as autuações. A solicitação foi feita ao presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes e ao deputado, Manoel Mota, durante reunião, ontem à noite, no auditório da Associação Empresarial do Vale do Araranguá (Aciva), em Araranguá. Os transportadores estão impedidos de trabalhar e cumprir contratos de transporte pelos policiais. 
Lopes e Mota devem agendar, hoje, uma reunião com o secretário estadual de Infraestrutura, Valdir Cobalchini para acerta em definitivo essa situação de o Estado querer banir o transporte da economia pelas estradas catarinenses. Essa negociação não é nova e até o governador, Raimundo Colombo, já sabe do problema. Lopes solicitou aos empresários do transporte que, enquanto o governo estadual não cumprir a lei, todas as infrações contra a esses veículos sejam enviadas à Federação para que a assessoria jurídica contribua na defesa. 
No entender da Fetrancesc, o Deinfra não tem base legal para proibir a circulação desses equipamentos de carga. De acordo com Pedro Lopes, a legislação do Contran e Denatran permitem o tráfego desses equipamentos sem restrições. Só devem ter autorização especial de trânsito, os rodotrens.
Os empresários relataram as dificuldades que enfrentam todos os dias. O proprietário da Agromaza Indústria e Comércio de Cereais, Lauvir Cadorin, reclamou que o estado coloca empecilhos para as empresas, porque ficam em regiões onde só há rodovias estaduais. Ele tem a sua fábrica em Morro Chato, localidade de Turvo e só pode chegar a BR-101 para ir ao nordeste do país com bitrens, passando pelas SC-483 e SC-449. Mas não pode. Em duas semanas levou duas multas. 
Um dos mais exaltados com a situação era o transportador, José Patrício Reos, da Transportes Reos, que fica em Realengo, Turvo a 800 metros da BR-101, que não pode usar a rodovia estadual. Os policiais, segundo ele, dizem quedeve achar um caminho alternativo, que não existe. O empresário, Abel Olivo Neto, defendeu uma solução imediata e definitiva.
Para ele, o transportador e o embarcador não podem ficar à mercê de pessoas que tomam decisões para prejudicar a economia catarinense. A empresária Denize Just Bendo, da Bendo Transportes, reclamou do constrangimento provocado pelos policiais rodoviários. Ela disse que duas vezes tentou dizer a eles que não poderiam autuar seus veículos, porque isso havia sido tratado com o presidente do Deinfra, Paulo Meller.
Tanto os policiais na estrada como seu superior em Florianópolis, responderam a ela que Meller deveria fazer agrado com outra coisa e não com essa questão. Dois bitrens foram multados no mesmo instante. O presidente da Aciva, Cláudio Alberto Damo, sugeriu também um encaminhamento de documento com os principais pontos levantados nesse encontro. Ele observou que a região só está servida de estradas estaduais longe de uma rodovia federal e por isso precisa de uma saída.
Lopes explicou aos transportadores presentes que o problema começou no início do ano com os transportadores da região de Orleans e Lauro Muller, porque um técnico do Deinfra entendeu que esses veículos não podem estar na estrada porque atrapalham os de passeio. Lopes lembrou que nas condições das rodovias estaduais, e ele já vivenciou isso, até uma caminhonete forma filas e não é possível ultrapassar, porque as vias são projetadas e construídas como se estivéssemos na década de 1970.
Ele lembrou do importante trabalho desenvolvido pela fabricante da Librelato e já apresentado às autoridades do Estado, das inúmeras vantagens para as rodovias e a segurança de trafegar em bitrem. Os empresários do transporte ressaltaram que o bitrem além de carregar mais, preferido pelo embarcador, tem distribuição de carga melhor e menos impacto na estrada.

Participação dos empresários do transporte fortalece atuação

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Sul de Santa Catarina (Setransc), Lorisvaldo Piuco, aproveitou a reunião para pedir apoio e maior participação dos associados nesses debates. Para ele,
empresários unidos mais produtivo será para a região. “Não adianta, se não estivermos juntos buscando as melhorias para o setor. Por isso temos que aproveitar o apoio da Federação e procurar obter o melhor para o Sul”, afirmou com clamor.
O presidente da Federação disse que depois de Orleans e Lauro Müller foram feitas reuniões com Meller, os técnicos e empresários no Deinfra, depois em Orleans, com a participação de prefeitos e deputados estaduais e com o secretário Cobalchini. Nesses encontros houve a entrega de uma carta com a proposta da Federação para a liberação de todas as rodovias e depois uma comissão faria um estudo para a correção dos pontos mais críticos das estradas estaduais.
No entender dos técnicos do Deinfra, essas estradas não tem as medidas adequadas de pista, de acostamento, de curvas e não tem terceira via para o tráfego de bitrens. Cobalchini concordou em formar essa comissão para o planejamento dos ajustes das rodovias. Os deputados Darci Matos, Valdir Comin, Nei Ascari e Manoel Mota entregaram o documento da Fetrancesc ao governador Colombo. Lopes ressaltou que não há restrição de circulação desses veículos por falta de base legal. Mas o problema voltou.
Fonte: Imprensa Fetrancesc
Fotos: Katherine Dalçóquio da Silva/ Imprensa Fetrancesc e Kelly Dandolini/ i5 Comunicação

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