Aumento na bomba chega a 3%

Aumento na bomba chega a 3%

Florianópolis, 2.12.13 – A Petrobras anunciou ontem reajuste de 4% no preço da gasolina e de 8% no óleo diesel nas refinarias. O aumento nas bombas deve ser imediato, mas em percentuais um pouco inferiores, de até 3%.
Neste ano, a gasolina acumula alta de 10,9%. A presidente da empresa, Graça Foster, vinha afirmando que a estatal precisaria de um reajuste da ordem de 13% para zerar a diferença com o mercado externo. O aumento anunciado ontem deve chegar às bombas em percentual de até 3%, segundo a projeção da Tendências Consultoria. A gasolina vendida nos postos tem 25% de adição de etanol, o que reduz o impacto. Já o diesel deve subir 6% para os motoristas.

Decisão dá novo fôlego à Petrobras

O reajuste atende ao pedido da Petrobras que se acentuou em abril, na tentativa de reduzir a diferença entre o preço do combustível comprado do Exterior e o que vende no país. Em reunião que durou seis horas ontem, o Conselho de Administração atendeu parcialmente o pedido da estatal, que era de uma correção de pelo menos 6%.
– O reajuste dá fôlego para a Petrobras e evita que fragilize ainda mais o seu caixa – diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Em comunicado, a Petrobras informou que foi aprovado um novo mecanismo para reajustar os combustíveis, para “alcançar a convergência dos preços no Brasil com as referências internacionais”.
A criação de um gatilho para reajustar os combustíveis automaticamente conforme o preço do barril no mercado internacional e a variação do dólar havia sido proposta pela diretoria no dia 25 de outubro.
O comunicado da petroleira, entretanto, não deixa claro qual será a fórmula e a periodicidade dos reajustes. Para analistas, trata-se de uma maneira de o governo mostrar que está preocupado com a situação da Petrobras, mas não se comprometer em repassar reajustes, evitando pressões na inflação.
– Na prática, continua a falta de transparência quanto à política de reajustes nos preços de combustíveis – analisa Walter de Vitto, especialista em combustíveis da Tendências.
Fonte: Diário Catarinense (edição de sábado 30/11)

O reajuste dos combustíveis

A busca do ponto de equilíbrio entre a defesa da política econômica e a preservação dos interesses da Petrobras deve passar a nortear as relações entre as autoridades do primeiro escalão e os dirigentes da estatal, estremecidas pelas especulações em torno do aumento dos combustíveis. Espera-se que o impasse comece a ser resolvido com o reajuste determinado ontem. O que prevalecia até esta sexta-feira era claramente o ponto de vista governamental de que importa muito mais usar os mecanismos à mão para segurar a inflação, o que incluía a contenção dos preços da gasolina e outros derivados, do que atender aos apelos por reajuste. A decisão vinha prolongando a descapitalização da empresa em nome da estabilidade.
Esse retardamento foi uma opção controversa. A Petrobras enfrenta no momento o grande desafio de investir recursos bilionários na exploração do pré-sal. Ao mesmo tempo, deve-se levar em conta a percepção de analistas de estratégias governamentais, que consideram a importância da petroleira como estatal.
Nesse sentido, seria ingenuidade imaginar-se que um grupo do porte da Petrobras possa ser gerido sem intervenções diretas do governo. A Petrobras é uma empresa de Estado e, mesmo que tenha ações em bolsa, se submete às vontades de seu controlador, desde que respeitados os interesses de seus acionistas. É a questão central a ser resolvida.
Até que ponto o Planalto pode interferir nas decisões da empresa, sem que isso comprometa a integridade e os ganhos dos que nela apostaram poupanças e reservas financeiras? O adiamento do reajuste vinha expondo o dilema e dando sentido às reações de acionistas minoritários, segundo os quais é preciso esclarecer os focos de conflito entre a sua direção e o Ministério da Fazenda. Há ainda, como componente explosivo, a questão política diretamente relacionada com o período pré-eleitoral. Os preços dos combustíveis, se sabe há muito tempo, prestam-se a manipulações, principalmente às vésperas de pleitos nacionais.
O que não se pode desconhecer é que a Petrobras perde sistematicamente valor em bolsa, vê seu endividamento crescer e tem sido olhada com desconfiança sobre suas reais condições de sustentar os custos da operacionalização do pré-sal. Preservar a empresa e, em consequência, o patrimônio dos acionistas, é dever do Estado que a controla. Depois do reajuste anunciado, Petrobras e governo não escaparão da definição das linhas gerais de uma política duradoura para correção de preços, ou a estatal estará submetida aos humores de quem tenta centralizar decisões, nem sempre claras, em nome do interesse nacional.
A definição de uma política de preços pode atenuar a controvérsia que põe em confronto os interesses da Petrobras e a defesa da política econômica.
Fonte: Editorial DC (edição de sábado 30/11)

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