Bike supera carro e ônibus em teste

Bike supera carro e ônibus em teste

Florianópolis, 18.12.13 – Um dos maiores desafios das grandes cidades brasileiras hoje é algo que deveria ser uma ação bastante simples: deslocar-se de um lugar a outro. Com o crescimento das áreas urbanas e do número de veículos em circulação, a mobilidade da população se tornou uma questão complexa e muitas vezes difícil de solucionar – um quadro do qual Florianópolis é refém.
A pesquisa Indicadores de Qualidade de Vida, contratada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina e executada pelo Instituto Mapa com moradores de cinco municípios catarinenses, mostrou que o item pior avaliado na Capital é a mobilidade urbana – 2,3 em uma régua em que 5 equivale a ótimo, ficando com a nota mais baixa na comparação com Blumenau, Chapecó, Joinville e Tubarão, cidades também avaliadas. Outro dado alarmante é o subaproveitamento do transporte coletivo, com apenas 32% dos entrevistados se declarando usuários frequentes de ônibus em Florianópolis.
– Uma das características que interferem é a geografia. Não há um volume de opções para ampliar o sistema viário, então a única saída é criar áreas como a Avenida Beira-Mar. Outra questão é a falta de uso do sistema marítimo e também a condição atual do transporte coletivo, que não se aproxima das vantagens que o usuário obtém com o transporte individual – enumera o doutor em Engenharia de Transportes José Lélis de Souza.
O especialista ainda acrescentou: falta conscientização para que a população alterne o veículo próprio com um transporte alternativo.
Para fazer o teste de mobilidade em um dos percursos mais críticos da Grande Florianópolis, a equipe de reportagem do Diário Catarinense saiu da Estação Palhoça e foi até o Terminal de Integração do Centro (Ticen), em Florianópolis em uma manhã de quarta-feira. O trajeto foi feito utilizando três meios de transporte: ônibus, carro e bicicleta, comparando os percursos e o tempo de deslocamento no final.

SC tem maior índice de propriedade de carros

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou comunicado sobre os indicadores da mobilidade urbana com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2012. A conclusão do Ipea é de que tanto a taxa de motorização (posse de automóvel ou motocicleta) quanto o tempo gasto em deslocamentos estão crescendo no país. Na comparação por Estado, SC tem o maior índice de propriedade de carros de todo o Brasil, atingindo 68,7% ddos domicílios – em segundo lugar está o Distrito Federal, com 61,7%.
– Nós aqui temos uma questão educativa em que o carro é associado ao status e à sensação de liberdade – diz o secretário de Mobilidade de Florianópolis, Valmir Piacentini.
Para ele, essa condição precisa mudar.
– Não é simples. Nossa principal medida para combater os congestionamentos dos horários de pico virá com a aprovação do Plano Diretor e da criação de novas centralizações, para que as pessoas não precisem se deslocar entre municípios da região metropolitana e Florianópolis para trabalhar ou resolver pequenas questões.
Fonte: Fernanda Oliveira/ Diário Catarinense
Colaboraram Alvarélio Kurossu e Guto Kuerten

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