Florianópolis, 29.4.13 – Prefeito de Florianópolis alerta empresas para que não levem aumento da passagem à mesa de negociação com trabalhadores. Com o anúncio de que não haverá aumento na passagem de ônibus este ano, o prefeito Cesar Souza Junior pretende quebrar uma prática que tem se repetido há mais de uma década: reajustes de salários de motoristas, e cobradores de ônibus ocorrerem no mesmo mês em que são discutidos os aumentos das tarifas do transporte público.
Greves e paralisações têm deixado a prefeitura contra a parede, resultando em reajustes acima da inflação para trabalhadores e em aumento na tarifa. A administração quer evitar que seja repassado à população sistematicamente o ônus de uma relação entre empregado e empregador.
Outra alternativa para contornar as paralisações é elevar os repasses de subsídio mensal às empresas. Mas neste ano o prefeito afirmou que as empresas foram avisadas: durante as negociações, não devem fazer ofertas vislumbrando a possibilidade de reajuste na tarifa.
A deflagração de greves na data base dos trabalhadores, maio, é rotina desde 2002. As paralisações têm sido seguidas de aumento salarial com variação acima da inflação.
Segundo o presidente do sindicato das empresas (Setuf), Waldir Gomes da Silva, a prefeitura terá de definir a forma de contemplar as empresas com o aumento dos custos – incluindo o dissídio e o aumento do preço do óleo diesel em 10%:
– De uma forma ou de outra, a prefeitura vai ter que entrar no jogo.
O sindicato dos trabalhadores (Sintraturb) não quis se manifestar.
Edital pede mais eficiência
Além de não autorizar aumento na passagem de ônibus, o prefeito de Florianópolis, Cesar Souza Junior, acena com uma tarifa menor para futuro. A afirmação se baseia num aumento de eficiência da empresa que vai operar as linhas de ônibus da cidade a partir da próxima licitação, que deve ter o edital lançado neste ano.
O diretor de Operações da Secretaria de Transportes, Vinicius Cofferri, explica que hoje as empresas são remuneradas com base nos custos por quilômetro rodado. Isto significa que, não importa a quantia de dinheiro gasta, sempre haverá compensação financeira. Ele disse que esta regra é antiga e se passaram 30 anos desde sua criação.
O edital que está sendo redigido até julho mantém os custos como parâmetros, mas acrescenta índices de eficiência, como utilização da frota, da mão de obra e de gestão. Desta maneira, a administração se moderniza e fica mais perto de parâmetros da iniciativa privada. A intenção da prefeitura é que uma única empresa ou consórcio seja responsável por todo o sistema de transportes.
“Vamos propor um valor menor”, Entrevista: prefeito Cesar Souza Junior
Quebrar a lógica de que reajuste para motoristas e cobradores significa aumento na tarifa é o objetivo da administração municipal, segundo o prefeito Cesar Souza Junior.
Diário Catarinense – Não haverá aumento da passagem este ano?
Cesar Souza Junior – A prefeitura não trabalha com hipótese de aumento da tarifa. Já comuniquei as empresas que nós precisamos descolar a questão da data base dos servidores, que é agora no mês de maio, de qualquer discussão do aumento de tarifa.
DC – O senhor entende que é uma relação empresário e empregado e não pode haver envolvimento da prefeitura?
Cesar – Esta relação que se estabeleceu há alguns anos na cidade, de que tem greve e a prefeitura é pressionada a aumentar a tarifa, tem sido muito danosa ao cidadão. Nosso compromisso é de não aumentar. Pelo contrário, no edital de licitação que a gente vai apresentar este ano, o valor proposto será inferior ao atual.
DC – Após a licitação concluída, existe uma previsão de quanto seria a nova tarifa?
Cesar – Não. O valor final está sendo estudado, mas certamente será inferior ao atual.
DC – Falando da tarifa atual, ela é calculada com base nos custos que aumentarão com o reajuste salarial?
Cesar – Não pode haver um valor, algo que não seja proporcional para o trabalhador brasileiro na atualidade. A coletividade não pode pagar por um tratamento privilegiado a apenas algumas categorias. Já comuniquei às empresas do transporte coletivo da Capital que quando sentarem para negociar com os trabalhadores, nesta data base, que não cogitem aumentar a tarifa, porque isso está completamente fora da mesa de negociação.
Fonte: Felipe Pereira/ Diário Catarinense
Colaborou Sâmia Frantz