Florianópolis, 18.3.14 – Morte de piloto no último domingo, em Balneário Arroio do Silva, chama atenção para como são organizadas as provas de velocidade em Santa Catarina. De acordo com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), competições entre caminhões – como a que terminou com a morte de Edson Beber, do Paraná – deveriam ocorrer apenas em autódromos especializados, jamais na areia à beira da praia
Uma série discordâncias põem em xeque a segurança da prova de Arrancada Internacional de Caminhões de Balneário Arroio do Silva no domingo, no Sul do SC, encerrada com a morte do piloto Edson Beber.
A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) garante não reconhecer provas de arrancadas envolvendo caminhões e também não autoriza provas fora de autódromos especializados. Ontem, o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, autorizou a criação de uma comissão para apurar as causas do acidente e as falhas na segurança. O relatório preliminar deve ser apresentado em 15 dias. Até quinta-feira deve sair o laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) que indicará a responsabilidade do acidente.
Segundo o presidente da Comissão Nacional de Arrancadas da CBA, Carlos Rodrigues de Deus, campeonatos organizados pela confederação são promovidos somente em autódromos, para garantir a segurança do público e dos pilotos.
– A gente não faria esse tipo de prova na areia. A arrancada de caminhão não é legalizada pela CBA – aponta Carlos.
O regulamento da CBA para provas de arrancada exige o uso de itens de segurança que não foram cobrados no regulamento da prova de domingo, assinado pelo presidente da Federação de Automobilismo de SC (Fauesc), Almir Petris. O regulamento também não aponta itens necessários para garantir a proteção do público, que estava separado da pista apenas por bancadas de areia e uma cerca de metal.
Petris garante que a prova e a pista tinham autorização dos órgãos competentes e que a Fauesc supervisionou apenas a parte técnica e desportiva do evento. Subcomandante do Batalhão de Corpo de Bombeiros de Araranguá, tenente Vinicius Moura Marcolin afirma que foi acordado que a pista seria responsabilidade da federação e garantiu que não havia risco para os espectadores porque havia áreas de escape na lateral das pistas. Semana passada, os bombeiros e o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) fiscalizaram arquibancadas, tendas, banheiros, sonorização, iluminação, segurança do trabalho para garantir que havia as devidas Anotações de Responsabilidade Técnica. A coordenadoria regional da Defesa Civil de Criciúma afirma não ter sido solicitada nem informada sobre o evento. A Fauesc promete rever os conceitos de segurança exigidos para a execução de provas.
“A competição foi autorizada”
Após o acidente que matou o piloto Edson Beber, 46 anos, na 24ª Arrancada Internacional de Caminhões, em Balneário Arroio do Silva, a Federação de Automobilismo de Santa Catarina (Fauesc) promete rever os conceitos de segurança para a execução de provas. No regulamento da competição, assinado pelo presidente da Fauesc, é exigido dos pilotos apenas o uso do cinto de segurança e sapatos fechados. Petris garante que a prova tinha autorização dos órgãos competentes, e que a Fauesc apenas supervisionou a parte técnica e desportiva do evento, organizado pela prefeitura do município.
Diário Catarinense – Por que o regulamento da prova não exige os itens de segurança de uma competição nacional?
Petris – Essas provas, quem faz e organiza é a prefeitura de Arroio do Silva. Esse não é um campeonato catarinense, a gente só faz a supervisão da prova.
DC – O uso do capacete não faz parte do regulamento da competição. Havia a gaiola de proteção?
Almir Petris – O capacete não faz parte do regulamento. Foi uma fatalidade. Porque em 24 anos com prova lá nunca tinha acontecido nada. No caso específico da gaiola, não sei te dizer, porque era um protótipo. Esse caminhoneiro é um pouco diferenciado dos outros, não sei te dizer se tinha nesse caminhão.
DC – A quem cabe regulamentar a segurança do público?
Petris – Envolve alguns órgãos, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Ambiental, o clube que organiza o evento. A Fauesc é responsável pelo departamento técnico e desportivo. Os órgãos competentes é que autorizam o evento. É uma prova com característica de Fórmula 1, pelo público que compareceu no final de semana. E foi autorizada por todos os órgãos competentes.
DC – Uma foto aérea mostra o público dos dois lados da pista, separado por raias de areia. Qual a garantia de segurança se o veículo ultrapassar?
Petris – Neste caso, é quem autoriza e dá o alvará do evento e determina isso. Todo esquema de segurança não cabe a Fauesc.
DC – Mas o senhor assinou o regulamento da prova. Não lhe passou pela cabeça que havia vulnerabilidade?
Petris – Hoje, a Fauesc vai sentar com os órgãos competentes para poder ter uma melhor avaliação. Mas na verdade, todos os eventos, se for olhar o risco, não se realizam, inclusive futebol.
DC – Depois desse acidente, o que a Fauesc vai fazer para evitar que se repita?
Petris – Penso que cada evento, modalidade nova, a gente vem trabalhando na ideia de melhorar principalmente no item segurança. No caso de uma fatalidade dessa, tem de rever muita coisa. Hoje não dá para dizer tudo o que precisa modificar.
Empresa mantém silêncio até conclusão de inquérito
A empresa promotora da Arrancada Internacional de Caminhões de Balneário Arroio do Silva, Aspekto Comunicação, e o prefeito de Balneário Arroio do Silva, Evandro Scaini, foram procurados pela reportagem mas disseram que vão se pronunciar somente após conclusão da investigação da Polícia Civil.
– Estamos num momento delicado e gostaríamos de conversar com informações concretas, não com suposições – justificou o prefeito.
A Arrancada ocorre há 24 anos e é um dos eventos mais tradicionais do Litoral Sul. No dia 13, a Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte autorizou o repasse de R$ 99.987,94 para incentivar o evento, mediante contrapartida de pouco mais de R$ 100 mil da prefeitura.
– É um dos maiores eventos desse setor, atrás da Fórmula Truck, e , sem dúvida, movimenta o turismo no Sul do Estado – argumenta o secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Valdir Walendowsky.
Em Florianópolis, a Defesa Civil apresentou um laudo que apontou a Passarela Nego Quirido como local inadequado para a prática de arrancada de automóveis e a prova, que ocorreria no último dia 8, foi cancelada. Entre os itens levantados estão colocação de maneira improvisada das defensas metálicas, inexistência de parecer técnico e de áreas de escape grandes o suficiente.
Participação de médica é investigada
Uma médica cubana que desde dezembro de 2013 atua em Balneário Arroio do Silva pelo programa Mais Médicos teria sido contratada por uma empresa privada para trabalhar durante a Arrancada Internacional de Caminhões – o que o governo brasileiro considera como ilegal, já que a autorização de trabalho aos profissionais estrangeiros é exclusiva ao programa de assistência básica. Aliuska Guerra Alarcon teria feito parte da equipe de emergência que atendeu Edson Beber, o piloto morto durante uma prova.
É o que diz uma comissão de médicos do Sul do Estado que protocolou ontem uma denúncia no Sindicato dos Médicos de Santa Catarina (Simesc) – que analisa o caso – e hoje se reúne no Conselho Regional de Medicina de Araranguá para encaminhar a denúncia ao Ministério da Saúde e à Polícia Federal. Segundo o médico José Nixon Batista, integrante da comissão, o grupo se baseia em fotografias que mostrariam a médica cubana em dois momentos: em uma refeição com funcionários da Equipe Vida Ambulâncias, o serviço de emergência contratado pela organização do evento – em que ela estaria vestindo um jaleco da empresa – e atendendo o piloto.
Até o noite de ontem o Ministério da Saúde não confirmava se a médica que aparece nas fotos é Aliuska. A informação era de que os profissionais do Mais Médicos são monitorados pela Coordenação Nacional do Programa e que o órgão não havia recebido a denúncia oficial sobre o caso. Se a suspeita se confirmar, a cubana poderá ser penalizada com advertência, suspensão ou ainda ser desligada do programa do governo federal e deportada.
Proprietária da Equipe Vida Ambulâncias, Eloana Casagrande disse, por mensagem, que “a médica não tem nenhuma relação com a empresa. Nosso contrato era ambulância básica sem médico”. Aliuska não foi localizada (nem via Secretaria Municipal de Saúde ou por e-mail).
Fontes: Cristian Weiss/ Joice Bacelo e Emanuelle Gomes/ Diário Catarinense
Imbituba vai distribuir senhas
Sistema criado pela administração do porto tem gerado protestos entre caminhoneiros e transtornos à população da cidade.
Uma fila de cinco quilômetros de caminhões estacionados no acostamento se formou na Avenida Marieta Konder Bornhausen, que dá acesso ao centro de Imbituba, no Sul do Estado. Alguns motoristas aguardam há cinco dias para deixar as cargas nas empresas de estocagem do Porto de Imbituba.
Em reunião com a Polícia Militar e a prefeitura, a administração do porto decidiu criar um sistema de senhas e abrir um pátio de triagem em um posto de gasolina próximo ao terminal.
Os motoristas vão ganhar senhas e deverão esperar pela vez de descarregar no posto de gasolina. A situação tem gerado protestos entre os caminhoneiros e transtornos para a população da cidade. A Polícia Militar Rodoviária (PMRv) da região definiu a situação como caótica.
O caminhoneiro Márcio Flores levou três dias de viagem para chegar de Dourados, no Mato Grosso do Sul, a Imbituba e ainda teve que esperar desde sábado à noite para descarregar ontem. Ele contou que nesses três dias foi preciso aguardar no pátio de triagem do porto.
– Temos que ficar no pátio, porque na rua os guardas estão multando. O problema é que é preciso pagar para esperar no pátio – disse Flores.
O motorista afirmou ter perdido duas viagens de transporte em função da espera. Segundo ele, os caminhoneiros não receberam explicações pelo motivo dos atrasos.
O presidente do porto, Rogério Pupo, afirma que o problema se intensificou ontem porque uma das empresas de armazenagem de soja teve recesso no feriado de Carnaval. Precisando abastecer o navio às pressas com o volume definido em contrato, a empresa provocou um acúmulo de movimentação de cargas.
Na reunião de ontem, ficou decidido também que a Polícia Militar vai reforçar a fiscalização e sinalização.
Fonte: Janaina Cavalli/ Diário Catarinense
Audiência
– Acontece hoje, em Lages, a audiência de centenas de credores com a Binotto, empresa de logística que pediu recuperação judicial.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
Até quando?
Esse foi mais um final de semana marcado por muita violência no trânsito. De sexta a domingo, a Polícia Rodoviária Federal registrou 174 acidentes com um saldo de 89 feridos e 7 mortes. Só no sábado, as rodovias BR-116, 282 e 101 foram os cenários de 6 das 7 mortes. Não podemos continuar a perder pessoas no trânsito. Mais conscientização e responsabilidade, motoristas, por favor!
BR-101 Joinville
Atenção, motoristas! A Autopista Litoral Sul informa que no km 24 da BR-101, na região de Joinville, sentido Sul, começam nesta semana obras na ponte sobre o rio Canela e o trânsito vai ficar em meia pista até o término das obras.
Sul do Estado
A prefeitura de Lauro Müller iniciou a recuperação de 12 pontes que estão em estado precário. A primeira ponte recuperada foi na localidade de Itanema. De acordo com o calendário de execução de serviços, a próxima ponte será na localidade de Rio da Vaca. Outras oito comunidades também serão beneficiadas.
Blumenau
Recomeçam nesta semana as obras de pavimentação da Rua Jacob Ineichen, no bairro Itoupava Central. Como o serviço foi paralisado no final do ano passado, uma comissão decidiu que toda quarta-feira uma equipe vai fiscalizar o andamento dos trabalhos. Se não houver problemas com a chuva, a obra deve ser concluída até junho deste ano.
Fonte: Trânsito 24h/ DC
Arrancada
As razões do acidente que levaram à morte do piloto Edson Beber, de 46 anos, ocorrida na 24ª Arrancada Internacional de Caminhões em Balneário Arroio do Silva no final de semana começam a ser apuradas. Segundo testemunhas que assistiam à prova, ele teria tirado a mão do volante para comemorar a vitória e o caminhão capotou.
A polícia vai buscar essas testemunhas para serem ouvidas a fim de esclarecer o fatal acidente. Só para esclarecer, porque, infelizmente, o piloto pagou com a vida e por muito pouco não causando uma tragédia maior ainda, já que muitos populares estavam assistindo à prova sem nenhuma proteção.
Fonte: Cacau Menezes/ Diário Catarinense