Florianópolis, 21.3.14 – O cronograma de obras de duplicação da BR-470 é uma informação indisponível. Apesar da placa no km 44 da rodovia anunciar Início: 30/07/2013 e Término: 06/10/2017, o Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Sulcatarinense se reúnem segunda-feira para elaborar o passo a passo detalhado da obra.
Com base na Lei de Acesso à Informação, há 30 dias o Santa enviou um pedido oficial à sede do órgão federal em Florianópolis solicitando informações sobre o cronograma, mas até esta quinta-feira não obteve resposta.
O Dnit disponibiliza na internet a íntegra dos 11 editais relacionados aos trabalhos no Vale do Itajaí, mas os documentos dos lotes em andamento têm apenas modelos de cronogramas. Em branco. Com isso, a população fica impedida de fiscalizar o andamento da duplicação.
Dos 73,16 quilômetros que devem ser duplicados até 2017, a movimentação se concentra em um trecho de cinco quilômetros entre Gaspar e Blumenau. Do início do lote 3, no Km 44,9 ao Km 49,8, é que se podem avistar, máquinas, caminhões, árvores derrubadas e operários. Um deles, usando colete com emblema da Sulcatarinense, olhava para o que parecia uma obra de drenagem, quarta-feira:
— Isso aqui não acaba nem em 40 anos!
Desde 31 de janeiro, o Santa cobra a programação do órgão federal. Como não obteve retorno via assessoria de imprensa, em 19 de fevereiro apresentou ao Dnit um requerimento baseado na Lei de Acesso à Informação. No pedido constam quatro questionamentos (veja ao lado), entre eles o cronograma de obras e o novo traçado da rodovia duplicada. Passados os 20 primeiros dias do prazo para retorno, mais os 10 dias de prorrogação descritos na lei, apenas a resposta sobre o futuro trajeto da estrada foi encaminhada.
Ontem a reportagem voltou a questionar a assessoria de comunicação do Dnit sobre o cronograma de obras. Foi quando a reunião da próxima segunda-feira foi comunicada.
— O que interessa é o seguinte: (a empresa) tem 1.440 dias para executar a obra —disse Breno Maestri, assessor do Dnit.
O engenheiro fiscal da obra, Elifas Nolasco, cita a necessidade de mudar a rede da SCGás e os problemas com licenças ambientais como fatores que interferem na programação, mas tranquiliza:
– Não há motivo para alarde, as obras vão acontecer dentro da normalidade.
A duplicação da BR-470 é uma demanda histórica da região e se arrasta há 20 anos.
Especialistas afirmam que informações sobre obras públicas como a BR-470 não podem ser sonegadas
O mestrando em Ciências Jurídicas pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e presidente da subseção de Blumenau da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), César Wolff acredita que as informações sobre as obras precisam ser públicas:
— A Lei 12.527/2011 é radical e obriga a divulgação das informações. Não há nenhuma informação no processo licitações e contratações que pode ser sonegada do cidadão ou de qualquer órgão de comunicação social.
Wolff reforça que o descumprimento da Lei de Acesso pode resultar em sanções ao agente público e ao pedido de informação através da Justiça. O presidente ainda reforça que problemas como a rede de gás e as licenças ambientais, já deveriam ter sido previstos no projeto, antes que a Sulcatarinense fosse contratada para execução de parte da obra.
O doutor em Filosofia e professor do mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau (Furb), Celso Kraemer, reforça que as coisas públicas não podem ser tratadas como se não fossem de interesse de quem paga ao Estado pelos serviços:
— Interesses de partidos e de empresas acabam produzindo ocultamento da informação. Isso é mau uso do Estado para fins específicos.
Fonte: Sarita Gianesini/ Jornal de Santa Catarina
Assembleia Legislativa e Fiesc fiscalizarão obra da Ponte Hercílio Luz
A segurança da obra de recuperação da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, foi um item em debate na tarde desta quinta-feira na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Outro foi o cronograma, que a partir de agora terá o acompanhamento mensal por parte da Fiesc e da Assembleia Legislativa.
O engenheiro Cornelius Unruh, diretor de planejamento da construtora Espaço Aberto, assumiu o compromisso de mensalmente repassar um relatório sobre os serviços planejados e executados. Diante de uma plateia cética, o diretor reafirmou que em dezembro deste ano a ponte será entregue e em condições de ser reaberta ao tráfego de veículos.
A previsão é de que a estrutura provisória de sustentação esteja pronta até a segunda quinzena de agosto, para que o peso do vão central da ponte seja transferido em setembro. A partir de então, será feita a substituição das barras de olhal e de todas as outras peças que apresentem desgaste superior a 10% de seu material.
— Estamos trabalhando para tornar a ponte estável. A partir disso, entraremos nela para fazer os reparos. Mas pela complexidade da obra, que se deteriora a cada dia, é claro que se pode ter surpresas com relação à necessidade de serviços que ainda não estão previstos — sugeriu Unruh.
Parte mais demorada da obra é a que está em andamento
Conforme o diretor, 31% da obra está finalizada. Sobre os 68% que ainda faltam, explicou que parte mais demorada é a subaquática, quase concluída. Relatou que nessa fase um mergulhador consegue ficar em torno de 30 minutos embaixo dágua, a uma profundidade de 30 metros e com uma visibilidade de um palmo à frente. Conforme o engenheiro, dos R$ 163, 42 milhões previstos para a obra, a empresa faturou R$ 50,76 milhões. O saldo é de R$ 112, 66 milhões.
Sobre riscos da ponte cair, o engenheiro disse que o uso de gruas e de estruturas provisórias que irão dar sustentação ao vão central são os equipamentos adequados. Mas não negou o risco:
— É incerto.
A afirmação suscitou perguntas sobre responsabilidades e ações para minimizar os impactos. Inclusive, por se tratar de uma área urbana e de grande movimentação. O engenheiro disse que o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) tem informações a respeito, mas contou que ainda não existe o contrato de transferência de cargas — quando os riscos aumentariam.
Conselho de engenharia elogia método
Outro assunto tratado na reunião desta quinta-feira foi a desapropriação das famílias que moram ou têm ranchos de pesca na cabeceira da ponte. Duas famílias estão no lado Continental e uma na Ilha. A questão está sob juízo. O Deinfra fez o depósito do dinheiro e chegou a indicar moradias, que não foram aceitas.
— A situação ainda não está crítica, mas não pode passar de seis meses — advertiu o diretor de planejamento da Espaço Aberto.
O engenheiro Honorato Tomelin, representante do Conselho Regional de Engenharia, elogiou a tecnologia usada e disse que tecnicamente Santa Catarina está diante de uma obra muito complexa. Para ele, a montagem de um canteiro de obras marítimo sujeito a marés, correnteza e velocidade dos ventos precisa ser compreendido.
Destacou, ainda, que a ponte passou 34 anos sem nenhum tipo de manutenção. Mas não deixou de alertar sobre o chamado “risco de um colapso”.
— Essa ponte só não caiu de teimosa — brincou.
O vice-presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar, se declarou cético sobre os prazos. Mas considerou que agora, ainda com atrasos, melhor é que se salve o principal cartão postal de Florianópolis.
Fonte: Diário Catarinense
Desafio
Espanta ouvir pessoas dotadas de bom QI pregando a demolição da ponte Hercílio Luz. Deixa cair, dizem. Parecem ignorar que tudo teria o seu custo, até a sua queda. Quanto custaria deixar cair, além do custo patrimonial, moral estético e histórico?
Custa a crer que cabeças tecnicamente dotadas refiram-se à ponte apenas como um bibelô na paisagem, e não como equipamento para desembaraçar a imobilidade urbana. Seus sapatos estão fundados numa profundidade de 16 metros e seu vão livre chegou a ser um dos maiores do mundo – 340 metros pairando sobre as águas do Estreito. Sua restauração é de alta complexidade técnica, o que não justifica tantos atrasos e tantos imbróglios, acumulados já há quase três décadas.
Carga pesada
A ponte foi construída com fundamentos para suportar cargas pesadas: uma locomotiva de 50 toneladas, puxando vagões de 30 toneladas; a canalização da água, a razão de 600 quilos por metro corrente; um soalho por toda a sua extensão, pesando 100 quilos por metro quadrado; pedestres a razão de quatro pessoas por metro quadrado ou 300 quilos, o que daria a cada vivente o direito de pesar elegantes 75 quilos.
Se durante mais de meio século, entre 1926 e 1982, ela suportou trânsito de alta tonelagem sobre o seu dorso, por que, restaurada, não haveria de retomar seu pleno papel de desobstruidora de caminhos? Aos 88 anos agora em maio, a velha senhora renasce aos poucos para uma vida de duplo sentido – utilitário e estético.
Fonte: Sérgio da Costa Ramos/ Diário Catarinense
Petrobras sob olhares minuciosos
Prisão de ex-diretor, suspeitas de pagamento de propina e compra superfaturada rondam estatal.
Utilizada pelo governo para segurar o dragão da inflação, a Petrobras já vinha com a imagem arranhada dentro e fora do país. Suspeitas que envolvem a compra de uma refinaria no Texas (EUA) e do suposto suborno para acelerar contratos foram agravadas ontem pela prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, na operação Lava Jato.
Conforme a Polícia Federal, parentes de Costa estariam destruindo provas de irregularidades. Alvo de críticas desde 2006, quando começaram as negociações com a empresa belga Astra Oil Company, essa transação voltou à cena com a investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades no negócio – responsável pelo prejuízo de quase US$ 1 bilhão à companhia brasileira.
Aprovada por Dilma Rousseff quando a presidente comandava o conselho de administração da estatal, a decisão teria sido embasada em relatório “técnica e juridicamente falho” feito pela diretoria da época, conforme justificativa do Palácio do Planalto. Na semana passada, outro episódio envolvendo a Petrobras provocara a criação de comissão da Câmara dos Deputados para apurar denúncias de suborno.
Governo tenta se recuperar de estragos e elaborar ofensiva
Antes que vingue uma antiga intenção de criar uma comissão parlamentar de inquérito sobre a Petrobras, o Planalto tenta conter os estragos. Está em elaboração o relatório que destaca o fato de a decisão de compra da refinaria de Pasadena ter sido compartilhada com outros integrantes do conselho na época além da tentativa de carimbar as investigações como um ataque de defensores da privatização à estatal.
– A Petrobras tem uma importância simbólica muito grande para o brasileiro e pode pesar na hora do voto. Então, denúncias como essa causam grave desgaste. Mais danoso que isso, só se a inflação continuar alta – avalia o cientista político Roberto Romano
Fonte: Cadu Caldas/ Diário Catarinense
Secretário Valdir Cobalchini (PMDB) deu uma incerta na SC-403, norte da Ilha, que está em obras de duplicação pela construtora Espaço Aberto. Encontrou alguns gatos pingados e um cidadão de terno e gravata fiscalizando a obra.
Vai retornar na próxima segunda-feira. Deverá tomar uma decisão radical em relação ao atraso da obra. Está furioso!
O deputado Jailson Lima (PT) chegou à OAB para conversar com o presidente Tullo Cavallazzi com os documentos sobre o Ministério Público empilhados em um carrinho.
A ponte
Engenheiro Cornelius Unruh, da construtora Espaço Aberto, garantiu na Fiesc que a recuperação da Ponte Hercílio Luz estará pronta no fim do ano. Fez uma minuciosa exposição técnica, destacando o alto grau de deterioração da estrutura da ponte. E confirmou que a operação de suspensão do vão central é muito complexa e superdelicada.
Colapso
Depois de fazer uma retrospectiva histórica, o engenheiro Honorato Tomelin, que acompanha os serviços da Ponte Hercílio Luz desde 1982, alertou que há sérios riscos nas obras de revitalização. E admitiu até a hipótese de colapso antes e durante as operações de substituição das barras de olhal.
Recurso
Deputado Darci de Matos (PSD) está requerendo a Assembleia Legislativa que entre no Supremo Tribunal Federal com recurso contra decisão do Tribunal de Justiça, que esvaziou as funções dos bombeiros voluntários.
Fonte: Moacir Pereira/ Diário Catarinense
Economia de SC cresce 3,3% em janeiro
A economia catarinense mantém crescimento acima da média nacional. O Índice de Atividade Econômica Regional de Santa Catarina (IBCR-SC), calculado pelo Banco Central do Brasil (BC) e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 3,3% em janeiro frente ao mês anterior, dezembro. A variação ficou acima da média nacional, que atingiu 1,3% no mesmo período. Nos últimos 12 meses, segundo o índice do BC, o Estado cresceu 4,3%, quase o dobro da média do país, que ficou em 2,3%. O levantamento considerou dados da agropecuária, indústria, comércio e serviços. Outros indicadores mostram que a economia catarinense apresenta bom ritmo. Entre eles estão a liderança nacional do Estado na oferta de empregos em janeiro, com 18.317 novas vagas segundo dados do Caged, e a maior expansão de postos de trabalho em fevereiro, de 1,4%. A produção industrial de SC em janeiro cresceu 0,9% frente a dezembro. Segundo o presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Glauco José Côrte, a indústria de SC segue investindo e o Banco Central previu crescimento da ordem de 4% para o Estado no ano passado Enquato a CNI prevê alta de 1,9% para o PIB, Côrte estima 2,3%.
Mais rigor nas infrações
Autoridades brasileiras ignoram esse problema que destroi famílias permitindo infrações constantes no trânsito, especialmente a alta velocidade. Países do Primeiro Mundo combateram isso com multas nas alturas e apreensão de carteiras de habilitação. É uma alternativa a ser seguida. A propósito, seria também uma forma legal de aumentar as receitas públicas com as multas.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
Lideranças fiscalizarão obra da Ponte Hercílio Luz
Engenheiro da empresa que executa obra explicou procedimentos e riscos para entrega em dezembro.
A segurança da obra de recuperação da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, foi um item em debate ontem à tarde na Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). Outro foi o cronograma, que a partir de agora terá o acompanhamento mensal por parte da Fiesc e da Assembleia Legislativa.
O engenheiro Cornelius Unruh, diretor de planejamento da construtora Espaço Aberto, assumiu o compromisso de mensalmente repassar um relatório sobre os serviços planejados e executados. Diante de uma plateia cética, o diretor reafirmou que em dezembro deste ano a ponte será entregue e em condições de ser reaberta ao tráfego de veículos.
A previsão é de que a estrutura provisória de sustentação esteja pronta até a segunda quinzena de agosto, para que o peso do vão central da ponte seja transferido em setembro. A partir de então, será feita a substituição das barras de olhal e de todas as outras peças que apresentem desgaste superior a 10% de seu material.
– Estamos trabalhando para tornar a ponte estável. A partir disso, entraremos nela para fazer os reparos. Mas pela complexidade da obra, que se deteriora a cada dia, é claro que se pode ter surpresas com relação à necessidade de serviços que ainda não estão previstos – sugeriu Unruh.
Parte mais demorada da obra é a que está em andamento
Conforme o diretor, 31% da obra está finalizada. Sobre os 68% que ainda faltam, explicou que parte mais demorada é a subaquática, quase concluída. Relatou que nessa fase um mergulhador consegue ficar em torno de 30 minutos embaixo dágua, a uma profundidade de 30 metros e com uma visibilidade de um palmo à frente. Conforme o engenheiro, dos R$ 163, 42 milhões previstos para a obra, a empresa faturou R$ 50,76 milhões. O saldo é de R$ 112, 66 milhões.
Sobre riscos da ponte cair, o engenheiro disse que o uso de gruas e de estruturas provisórias que irão dar sustentação ao vão central são os equipamentos adequados. Mas não negou o risco:
– É incerto.
A afirmação suscitou perguntas sobre responsabilidades e ações para minimizar os impactos. Inclusive, por se tratar de uma área urbana e de grande movimentação. O engenheiro disse que o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) tem informações a respeito, mas contou que ainda não existe o contrato de transferência de cargas – quando os riscos aumentariam.
Conselho de engenharia elogia método
Outro assunto tratado na reunião de ontem foi a desapropriação das famílias que moram ou têm ranchos de pesca na cabeceira da ponte. Duas famílias estão no lado Continental e uma na Ilha. A questão está sob juízo. O Deinfra fez o depósito do dinheiro e chegou a indicar moradias, que não foram aceitas.
– A situação ainda não está crítica, mas não pode passar de seis meses – advertiu o diretor de planejamento da Espaço Aberto.
O engenheiro Honorato Tomelin, representante do Conselho Regional de Engenharia, elogiou a tecnologia usada e disse que tecnicamente Santa Catarina está diante de uma obra muito complexa. Para ele, a montagem de um canteiro de obras marítimo sujeito a marés, correnteza e velocidade dos ventos precisa ser compreendido. Destacou, ainda, que a ponte passou 34 anos sem nenhum tipo de manutenção. Mas não deixou de alertar sobre o chamado “risco de um colapso”.
– Essa ponte só não caiu de teimosa – brincou.
O vice-presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar, se declarou cético sobre os prazos. Mas considerou que agora, ainda com atrasos, melhor é que se salve o principal cartão postal de Florianópolis.
Fonte: Diário Catarinense
Rodoanel em Lages
Em Lages será reforçada a fiscalização do peso de caminhões que circulam pela cidade. Uma lei de 2008 já estipula que o máximo permitido é de cinco toneladas, mas a norma não vem sendo cumprida e as vias – que não foram dimensionadas para suportar tanto peso – acabam danificadas. A proposta é construir um rodoanel entre a Rua Dom Pedro II e Avenida Belizário Ramos, onde o peso e número de eixos serão limitados. Para trafegar acima do peso dentro da cidade, somente com autorização da diretoria de trânsito.
Fonte: Mariana Paniz/ Trânsito 24h/ DC
Pelo menos dez pessoas perderam a vida em acidentes na contramão nos últimos cinco anos em rodovias duplicadas de SC
Internada há 11 dias no Hospital São José, em Joinville, a bailarina Fiama de Bittencourt da Silva, de 21 anos, se recupera de um acidente que tirou a vida de dois dos quatro amigos que estavam no carro com ela. A batida frontal de que foi vítima é um acidente considerado impensável em se tratando de uma rodovia duplicada como a BR-101.
Fiama estava no banco de trás de um automóvel que foi atingido por um veículo que andou pelo menos cinco quilômetros na contramão. O acidente, que ocorreu na madrugada do dia 9, um domingo, sobre o viaduto que dá acesso à região de Pirabeiraba, na zona Norte de Joinville, matou três pessoas e deixou, além de Fiama, outras duas gravemente feridas.
A recuperação será lenta. Ela quebrou as duas pernas e sofreu uma série de lesões pelo corpo. Na última terça, ela passou por uma cirurgia que durou sete horas e mantém vivo o sonho de voltar a dançar.
Embora pareçam improváveis em rodovias que têm mureta de concreto com pelo menos um metro de altura separando os sentidos das vias, os acidentes na contramão em estradas duplicadas de Santa Catarina têm feito uma série vítimas. Em um levantamento produzido pela reportagem do Grupo RBS, quatro acidentes ocorridos nos últimos cinco anos mataram dez pessoas e deixaram outras dez gravemente feridas.
Mais grave
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, entre os acidentes de trânsito, a batida frontal é uma das mais graves e tende a resultar em mortes e ferimentos muito sérios. Eles são mais comuns em rodovias simples, em tentativas de ultrapassagem mal calculadas ou feitas em locais proibidos.
Raro nas rodovias duplicadas, esse tipo de acidente geralmente é provocado por acidentes de difícil explicação, com veículos em alta velocidade que são arremessados sobre a mureta ou por desconhec
mento dos motoristas em relação ao trecho.
Segundo a PRF e a Autopista, não há números ou estatísticas específicas sobre os acidentes provocados na contramão nas estradas duplicadas em Santa Catarina, mas estima-se que haja pelo menos um acidente com morte a cada semestre.
Quem sobrevive enfrenta o processo de recuperação. A quem perdeu seus familiares, restam a dor e a saudade. E todos lutam em processos judiciais cuja tramitação ainda não foi concluída na Justiça. O pai de Fiama, Antônio da Silva, tem conversado com os parentes das outras vítimas sobre a responsabilidade do acidente. O motorista do carro que bateu de frente com o veículo onde ela estava depois de rodar na contramão – o vidraceiro Jackson Rodrigo Batista Porto, 25 anos, de Garuva – também morreu.
Embora esteja empenhado na recuperação da filha, Antônio avalia a hipótese de acionar a Justiça.
— Há uma responsabilidade a ser apurada. Mesmo que o motorista tenha morrido, podemos acionar a concessionária e o governo federal. Alguém tem de explicar o que houve. Como alguém anda na contramão?
Famílias travam luta por indenização desde 2010
O dia 18 de abril de 2010 ainda é o mais trágico na história de quatro famílias catarinenses. O acidente causado por um motorista que invadiu a pista contrária no km 97 da BR-101, num fim de tarde de domingo, na altura de Balneário Piçarras, envolveu seis carros e deixou outras quatro pessoas gravemente feridas.
As jovens Mariana Falk dos Santos, 19 anos, Janaína da Silva, 24, e Fernanda Germano Turino, 28, morreram na hora. Elas estudavam na Universidade Federal de Santa Catarina e se conheciam por meio de uma rede social.
Voltavam para Joinville graças ao relacionamento de uma comunidade chamada Carona Joinville Florianópolis. Mas não era a primeira vez que viajavam juntas. A Polícia Civil de Balneário Piçarras, que abriu o inquérito logo após o acidente, concluiu que o motorista de uma caminhonete Hilux que trafegava no sentido Sul-Norte, Carlos Roberto Lienstadt, atravessou um canteiro de retorno, invadiu a pista contrária da BR-101 e bateu de frente em dois carros e outros três veículos.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal de Barra Velha, o veículo não colidiu, nem freou, antes de invadir a pista contrária. Por isso, consta no boletim de acidente de trânsito da PRF que a colisão teria sido causada por “velocidade incompatível”.
Na Justiça, há processos distintos tramitando em relação ao acidente. O processo criminal movido pelo Ministério Público de Balneário Piçarras tem audiência marcada para o dia 11 de junho. Na esfera cível, cada família entrou com um processo diferente. Uma das vítimas, José Ademar Fisher, que mora em Brusque, teve uma série de sequelas que estão sendo avaliadas por uma perícia determinada pela Justiça.
Os pais de Janaína, Ademar da Silva e Heleci Peixer da Silva, ganharam o direito a indenização em primeia instância, mas Lienstadt recorreu e o processo está no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Os pais de Mariana também entraram na Justiça, mas ainda não houve audiência. A motorista do outro carro envolvido no acidente, Fernanda Turino, também aguarda pela audiência que está marcada para o dia 22 de julho.
Para a advogada da família de Mariana, Deisi Angela Moy, as famílias têm sofrido com a tragédia há quatro anos e esperam uma resposta positiva da Justiça.
Um dos advogados de Carlos Roberto, Wilson Pereira, de Joinville, considera que o motorista também foi vítima de um acidente.
— O Carlos Roberto não teve culpa nenhuma. Foi um acidente — disse.
Pai confiante na vitória na Justiça
Em dezembro de 2009, Rafael Locatelli, 35 anos, e Pedro Maria Constante, 28, morreram depois que os carros conduzidos por eles chocaram frontalmente. Nas primeiras horas do dia 7 de dezembro, Constante acessou a BR-101 na contramão com sua S10 e bateu no Fiat Tempra dirigido por Locatelli, no sentido Sul-Norte.
O acidente ocorreu no km 121,9 da BR-101, próximo ao trevo que dá acesso à rodoviária de Itajaí. À época, a família alegou que Constante sofria de distúrbio bipolar e fazia uso de medicação controlada. Uma tia dele argumentou que o sobrinho possa ter sofrido uma mudança de temperamento e entrado na rodovia na contramão sem se dar conta.
Inconformada com a tragédia, a família de Locatelli decidiu ir à Justiça. Em março de 2010, foi dada entrada na Vara Federal de Blumenau a uma ação indenizatória contra a União e a Autopista Litoral Sul, que, segundo o advogado Nilton Spengler Neto, não teria impedido que o carro de Constante trafegasse na contramão, muito menos interrompido o trânsito para uma possível abordagem. Em junho de 2012, ação foi julgada improcedente. Pela sentença, a culpa seria exclusiva do motorista.
Em setembro do mesmo ano, o pedido de recurso foi recebido pelo Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, o qual em novembro julgou o processo procedente e condenou os réus a pagarem R$ 200 mil de indenização. Como a vitória foi por 2 a 1, e não por unanimidade, a União recorreu usando embargos infringentes. Conseguiu derrubar a sentença favorável aos Locatelli.
Agora, em fevereiro de 2014, a família entrou com um recurso especial, que já foi julgado procedente pelo tribunal em Porto Alegre e será apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
O pai de Locatelli, James Antônio Locatelli, está confiante na vitória no STJ.
— É impossível perdermos, visto que o caso é vergonhoso. Além das mortes já ocorridas, outras podem ocorrer a qualquer momento.
O acidente na contramão da SC-401 que matou e deixou traumas
O despertador tocou uma hora mais cedo na segunda-feira, 27 de junho de 2011. Mesmo adiantadas, Susana Lucena Reis, 51 anos, e a filha de 27 anos saíram para trabalhar na empresa da família, nos Ingleses, Norte de Florianópolis. Os netos de dois e sete anos estavam no banco de trás do Gol vermelho.
O clima era de alegria, característica de Susana, conhecida por seu jeito brincalhão, sempre de bem com a vida. Pouco depois das 6h30, eles estavam na rodovia SC-401. Faltavam alguns minutos para a família unida de oito irmãos, natural de Lages, sofrer sua perda mais dolorosa.
Neste meio-tempo, Dolivar Delfini Filho, 73 anos, pastor de igreja, acabara de deixar a netinha na creche e seguia para o Norte da Ilha dirigindo um Chevette. Enquanto isso, de acordo com a versão da família de Susana, Tony de Carlo Vieira, então com 34 anos, acordava dentro do carro, um Gol branco.
Ele teria dormido cerca de duas horas estacionado num ponto nas margens da rodovia SC-401 depois de voltar de uma festa. Ele teria dado uma carona para uma amiga que morava nos Ingleses, mas acabou parando no caminho antes de seguir para o Norte da Ilha.
Eram quase 7 horas, o tempo estava bom e a pista dupla da SC-401 estava seca. Em vez de seguir para o Norte, Tony acabou pegando o sentido bairro-Centro. Mesmo com os avisos de motoristas de ônibus e outros veículos que faziam sinal para ele, Tony percorreu cerca de dois quilômetros na contramão.
Quando passou pelo morro que leva ao bairro Cacupé, onde um deslizamento de terra interditou o acesso de carros, em 2008, Tony bateu de frente contra o Chevette do pastor. Exatamente no ponto cego, onde não se vê o outro lado da pista. O impacto foi tão forte que o Chevette foi arremessado e caiu sobre o Gol vermelho, afundando o lado do carona. Susana estava sentada ali.
— O que conforta é saber que ela não sofreu. A morte foi instantânea. Ela ficou bem machucada, quebrou o pescoço, mas não sentiu dor. O pastor acabou falecendo no caminho para o hospital — contou a irmã de Susana, a empresária Andréa Lucena Cardoso.
Tony e a amiga ficaram feridos e foram encaminhados ao hospital. Tony teria se recusado a fazer bafômetro no local.
— Os exames que ele fez no hospital depois mostraram que ele consumiu álcool. Isso está nos autos — afirmou Andréa.
Dor da perda
A filha de Susana ficou meses sem ir trabalhar, sem conseguir passar na SC-401. Precisou de ajuda profissional para tratar o trauma.
— Também tive que buscar ajuda para aceitar. Foi uma revolta na família. Susana ajudou a criar meus filhos. Trabalhamos juntas e por 15 anos ela foi meu braço direito — conta Andréa.
Susana era casada havia 30 anos. Deixou o marido, dois filhos, três netos, a mãe, dezenas de sobrinhos, amigos e sete irmãos.
Tony vai a júri popular pelo crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar). Neste mesmo júri, Tony também responderá por lesão corporal (duas vítimas feridas). O júri ainda não tem data para ocorrer.
Fonte: Leandro S. Junges/ A Notícia (Colaboraram Willian Reis e Gabriela Rovai)