Florianópolis, 5.3.14 – Uma dezena de engenheiros do consórcio Florianópolis Monumento passou o feriadão debruçado sobre um plano de recuperação da ponte Hercílio Luz. Das reuniões ocorridas no Centro da cidade, na própria sede da Espaço Aberto, que lidera o processo de restauração, saiu um cronograma que promete entregar até o dia 31 de dezembro a ponte ao tráfego de veículos.
Em meio ao feriadão de Carnaval já desembarcou no canteiro de obras na área continental, junto à ponte, a primeira das quatro gruas que vão acelerar a obra.
— As gruas vão agilizar o trabalho por serem fixas. Com elas, não vamos depender do tempo: a força do vento e a influência das marés, por exemplo, não vão afetar os trabalhos — explica o coordenador geral das obras, Gleison Lemos, da Espaço Aberto.
As outras três gruas serão instaladas no local com o mesmo objetivo: agilizar a obra. Vindas da cidade de Indaial, no Vale do Itajaí, são armações fixas que permitirão a montagem de uma estrutura provisória para sustentar os 340 metros do vão central da ponte.
A montagem da primeira delas será concluída ainda hoje, quando já poderá ser levada para o mar. Em 10 dias chegará a segunda. A terceira e a quarta virão na sequência para que, no início de abril, as torres já estejam em pleno funcionamento simultâneo.
Para que os trabalhos avancem dentro do previsto, 80 pessoas, entre soldadores e montadores, vão trabalhar — 20 em cada torre. A nova força-tarefa representa uma mão de obra 50% maior do que a metodologia antiga.
O projeto original de restauração foi alterado quando a etapa que faria a sustentação provisória da ponte estava prestes a começar. Os técnicos, receosos, decidiram reestudar a forma de trabalho para evitar riscos de a ponte desabar. Em vez de montar as peças em terra e levá-las para a ponte, optaram por montá-las diretamente na Hercílio Luz, o que exigiria uma estrutura fixa que suportasse o peso das peças.
Trabalho com gruas vai acelerar segunda etapa
Depois de concluída a sustentação da ponte, as gruas serão desmontadas e montadas novamente — desta vez, no alto da Hercílio Luz — para que as peças comprometidas possam ser substituídas por novas: as 360 novas barras de olhais (a silhueta da ponte), as quatro rótulas (a base da ponte) e a construção da pista dupla.
Nesta fase também poderão ser adiantados os serviços de acabamento, como a pintura e o embelezamento da ponte. É quando começa a restauração propriamente dita do cartão-postal de Santa Catarina, um sonho de 30 anos. Com as quatro gruas trabalhando ao mesmo tempo os trabalhos ganharão velocidade.
— No nosso planejamento, a obra estará pronta em dezembro. Com tudo. Em último caso, se faltar alguma coisa, algum acabamento, os carros estarão passando por lá e nada do que precisar ser feito depois disso vai interferir no tráfego — disse o engenheiro Gleison Lemos.
A partir do protocolo do novo cronograma, na tarde de hoje, é a vez de os engenheiros do Departamento de Infraestrutura de Santa Catarina (Deinfra) se debruçarem sobre o conteúdo e verificar se o que está no documento é realmente possível de ser colocado em prática.
Vai levar entre uma e duas semanas para a informação esperada pelo governador Raimundo Colombo, que é saber se o cronograma será cumprido, chegar até ele.
Há pistas de que o governo está mais confiante no cumprimento dos prazos do que há 10 dias, quando Colombo chegou a ameaçar a rescisão de contrato com a empresa que executa as obras.
Na semana passada, o presidente do Deinfra, Paulo Meller, dizia-se descrente com a manutenção do cronograma. Para ele, era impossível a obra ser finalizada com o andamento atual dos trabalhos — pelo projeto original, a ponte deveria estar entre 55% e 60%, mas apenas 30% estão concluídos. Ouvido novamente ontem, preferiu primeiro analisar o material antes de emitir opinião.
Entrevista com Presidente do Deinfra, Paulo Meller
Diário Catarinense — Pelo seu conhecimento técnico de engenheiro, qual é a possibilidade de a ponte ficar pronta até dezembro?
Paulo Meller —Não sei. Eu tenho primeiro que ver o que diz a empresa. Não quero dar minha opinião porque, ao receber o material, posso estar totalmente equivocado. Às vezes você pode pensar de uma forma e depois surge outra.
DC — Então existe a chance de o prazo ser cumprido.
Meller —Nós temos que aguardar. Eu quero receber isso hoje, mas, obviamente, a decisão vai ser do governador. E isso só vai acontecer daqui uns dias, porque não podemos esquecer que o governador não é engenheiro. Eu vou dar minha opinião, mas, claro, quem vai decidir o futuro é ele.
Fonte: DIÁRIO CATARINENSE