Florianópolis, 20.12.13 – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ainda não foi informado da decisão do governador Raimundo Colombo de retomar o traçado original na obra de acesso ao novo terminal de passageiros do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. Apesar das negociações ainda não terem começado, o governo deve enfrentar resistência.
O chefe da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, Daniel Cohenca, informou ontem que será preciso uma avaliação técnica do projeto antes de emitir qualquer autorização para a obra. O traçado proposto no projeto ficaria à margem da reserva.
A mudança, conforme declarou na quarta-feira o presidente do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Paulo Meller, foi motivada pelo alto valor a ser pago nas indenizações para desapropriar 200 lotes que estariam no caminho do traçado anterior – superiores a R$ 30 milhões. A decisão não agradou o representante do ICMBio.
– O traçado foi objeto de diversas discussões em 2008, para propor uma alternativa e proteger a área de preservação permanente. Esta área ficaria delimitada pelo acesso já licenciado (que o governo pretende abandonar) e formaria uma barreira natural entre o que já foi urbanizado e o que ainda está preservado – disse Cohenca.
Também na quarta-feira, o secretário de Planejamento e ex-presidente da Fatma, Murilo Flores, defendeu que o traçado original, que passa mais próximo aos limites da reserva, seria benéfico do ponto de vista ambiental. De acordo com o representante do governo, a estrada inibiria o crescimento de lotes irregulares no local.
Em defesa do traçado que passa pelo loteamento, Cohenca afirma que o manguezal depende da mistura das águas salinas que vêm do mar e das águas doces. A construção formaria uma barreira entre esses hábitats, prejudicando a flora e a fauna local.
– As soluções que parecem fáceis hoje trarão enormes prejuízos ambientais, sociais e ao patrimônio público no futuro – disse o chefe da reserva.
Enquanto não há definição, os extremos da rodovia estão em andamento e têm prazo para conclusão até junho de 2014.
Fonte: Marcone Tavella/ Diário Catarinense
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