Falta de investimento no transporte de cabotagem no país dificulta multimodalidade

Falta de investimento no transporte de cabotagem no país dificulta multimodalidade

São Paulo, 28.11.13 – A Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou, nesta quarta-feira (27), a Pesquisa CNT do Transporte Aquaviário – Cabotagem 2013. O estudo, lançado em maio deste ano, foi o foco de palestra realizada pelo diretor executivo da Confederação, Bruno Batista, no primeiro evento sulamericano sobre cabotagem, realizado em São Paulo.
Segundo Batista, o transporte oferece boas oportunidades para embarcadores e transportadores brasileiros, mas alguns problemas acabam se concentrando e prejudicam o desenvolvimento do setor. Para ele, há um cliente que falta nessa cadeia que poderia alavancar de forma geral o transporte. “O governo, que acaba não realizando suas ações específicas, é quem poderia destravar todo esse processo”, afirma.
No rol dos problemas que travam o avanço da cabotagem e, consequentemente, da multimodalidade é a burocracia. De acordo com a pesquisa realizada com as empresas, o excesso de burocracia foi relatado como uma das causas que as levaram a deixar de usar esse tipo de transporte. Por exemplo, são exigidos, no mínimo, 44 documentos para operação de cabotagem no país. Outros nove podem ser demandados de acordo com o tipo da carga movimentada. “Uma vez destravado o processo e solucionada a burocracia, há uma tendência de aumento do transporte de cabotagem”, revela Batista.
Outra barreira são os custos elevados com mão de obra, pois há baixa oferta de trabalhadores marítimos qualificados. Apenas duas escolas no país preparam esses profissionais e as atividades de exploração do pré-sal têm concorrido na busca por esses trabalhadores capacitados. Além disso, faz-se necessário um planejamento da infraestrutura de transporte. “Para haver multimodalidade, é preciso planejamento integrado, mas falta isso no governo”, esclarece o diretor da CNT. Segundo Batista, são 10 grandes órgãos do governo que gerenciam o transporte (ANTT, Valec, Ministério dos Transportes etc) e essa grande quantidade acabou por não propiciar o diálogo e, com isso, falha na evolução do sistema de transporte.
Os baixos investimentos no setor são também outro obstáculo que, segundo o diretor, fazem parte do histórico da infraestrutura brasileira. O governo federal investiu em transporte marítimo, em 11 anos, R$ 5,1 bilhões. “Isso é muito pouco, quase nada”, ressalta Batista. Para 2013, foram reservados R$ 2,6 bilhões, mas, até o dia 2 de novembro, só pagou efetivamente R$ 314 milhões. “Como se incentiva uma modalidade investindo isso? É difícil”, conclui.
Para haver multimodalidade, é preciso planejamento integrado

Há ainda outros problemas para o não desenvolvimento da cabotagem no país: alta carga tributária que incide sobre o serviço, qualidade da infraestrutura, demora no trânsito das cargas, política de combustíveis, processo moroso para a obtenção de financiamentos para a compra de navios por meio do Fundo da Marinha Mercante (20 grandes e longas etapas que traduzem a burocracia do Brasil), entre outros.
Dentro da matriz de transporte brasileira, a cabotagem utiliza apenas 16,3% do transporte aquaviário de cargas, apesar de ter evoluído desde 2006. O diretor da CNT afirma que existe uma percepção da vantagem do modal por parte do embarcador como menor custo por frete, maior confiabilidade nos prazos e maior comunicação sobre as cargas.
Para promover o avanço da cabotagem no país, Batista sugere como soluções a diminuição da burocracia, com a simplificação dos processos e a redução do volume de documentos exigidos, o aumento da oferta de infraestrutura portuária, a implantação dehub portsefeeder portse a criação de mecanismos econômicos para estimular a construção naval. “Evidentemente que o processo precisa ser destravado e há oportunidades muito grandes de ampliar a cabotagem” enfatiza o diretor. Enquanto não faz isso, o país continua a onerar seus produtos, a atrapalhar a vida do empresário e deixa de aproveitar boas oportunidades empresariais ao longo de quase 8 mil km de costa marítima que o Brasil possui.
Veja pesquisa: http://www.cnt.org.br/Paginas/Pesquisas_Detalhes.aspx?p=9
Fonte: Ana Rita Gondim/ de São Paulo, para Agência CNT de Notícias

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