Fiesc aponta atraso em obras no trecho Norte da BR-101 e trecho Sul da 101 só estará pronto em 2017. Presidente da Fetrancesc ressalta que o estudo mostra o que o transporte arca com os prejuízos

Fiesc aponta atraso em obras no trecho Norte da BR-101 e trecho Sul da 101 só estará pronto em 2017. Presidente da Fetrancesc ressalta que o estudo mostra o que o transporte arca com os prejuízos

Florianópolis, 2.8.13 – A BR-101 Norte poderá entrar em colapso e a concessionária da rodovia não fez boa parte das obras previstas em contrato. No caso do trecho Sul da rodovia, a conclusão da BR-101 só deverá ocorrer no final de 2017. Essas são as três conclusões de mais uma etapa dos estudos de acompanhamento das obras principal estrada de ligação de Santa Catarina dentro do próprio estado e com as demais regiões do país, apresentado ontem pelo presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte. O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes, acompanhou a divulgação.
Lopes disse que o estudo mostra o desafio e os custos que o transporte rodoviário de carga assume todo o dia não só na BR-101, mas em todas as rodovias de Santa Catarina, que estão totalmente saturadas. “É a referência do que nos sofremos nas estradas, não só as concessionadas e só estamos falando da 101 e não estamos falando das demais estradas. São perdas que o transporte assume depois do frete contratado. Precisamos chamar à responsabilidade dos que nos representam. Vamos enfrentar mais uma temporada e, serão mais quatro temporadas até 2017. Iss não só impacta no transporte de carga, mas também para os profissionais que usam a rodovia para suas atividades e para o turismo”, afirmou ele.
A Fiesc pretende enviar o documento ao diretor geral da ANTT, Jorge Bastos  e ao governo federal  como forma de pressionar a concessionária de  para fazer os  investimentos não realizados. Para Côrte, é urgente o início do processo de implantação de novas pistas no sentido Norte (Florianópolis – Curitiba). “As atuais já estão saturadas e, em alguns trechos, como entre Joinville e Curitiba, o uso já é quase o dobro da capacidade”, enfatiza o líder empresarial. 
Sobre o trecho Norte, o consulto contratado pela Fiesc para realizar a avaliação, engenheiro Ricardo Saporiti, afirmou que boa parte das obras, mais de 80% delas, que deveria estar prontas em cinco anos de contrato de concessão, isto é até o final deste ano, ou mal começaram como é o caso das vias marginais ou nem sinal como é confuso o contorno viário da Grande Florianópolis. Sem contar que falta a manutenção e reforma de várias pontes.
Uma preocupação apresentada no estudo é que a empresa concessionária já arrecadou nos cinco anos mais de R$ 300 milhões, valor total que receberia no tempo total de concessão. Só no ano passado a receita da Autopista nos 382 quilômetros entre Palhoça e Curitiba, foi de R$ 174,1 milhões em 2012, valor 11,1% superior a 2011. Isso seria até motivo de abandono da obra.
Sobre o contorno, que ninguém tem notícia ainda, Saporiti, disse que por causa da autorização para a construção de um residencial sobre o traçado pela prefeitura de Palhoça, vai exigir no desvio  três conjunto de túneis de cerca de 900 metros cada. O consultor disse que obra de arte semelhante custa em torno de R$ 50 milhões. Isso elevaria o custo em mais R$ 300 milhões, que apesar de não estar definido, o valor poderá ser cobrados dos usuários, pois o orçamento total da previsto pela concessionária para todo o traçado é de pouco mais de R$ 340 milhões.
Apesar de muitos terem forçado o aumento da extensão do contorno viário, agora a obra não tem prazo para começar e nem prazo para terminar, pois depende da análise do Ibama e da licença ambiental.
Saporiti denunciou ainda, a partir de estudo de empresa especializada contratada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e de fotografias feitas por ele, que a concessionária estaria fazendo a manutenção com material inferior ao usado no trecho do Paraná e o mesmo acontece com as técnicas usadas de maneira equivocada para a qualidade dos serviços e a sinalização inadequada. “Eles não fazem obras continuas, no Paraná a fresagem é por longa extensão e aqui é só tapa buraco”, criticou Saporiti. Por isso, segundo ele, o asfalto tem uma qualidade muito baixa e está degradado, sendo um risco para os usuários. Outra crítica é quanto às obras que são realizadas e que trazem uma série de transtornos para os usuários, como a manutenção da ponte de Tijucas.

BR-101 só estará concluída no final de 2017 disse a Fiesc

O relatório da Fiesc que teve apoio do Crea também não tem boas notícias sobre as obras de duplicação do trecho da BR-101 – trecho Sul. Além dos gargalos que não tem nem previsão de inicio como é o caso do trecho do Morro dos Cavalos, tem obras como o túnel do Morro do Formigão, em Tubarão e o Contorno de Araranguá que estão muito lentas.
A preocupação é que faltam cerca de 20% das obras, mas que representam mais de 60% do valor total dos investimentos. E o atraso significa gargalos como são os túneis do Morro dos Cavalos.
O único elogio foi para a ponte de Laguna que tem a obra dentro do prazo, mas os acessos estão atrasados. Saporiti também disse que tem um problema grave que são as pontes antigas do trecho que não foram reformadas e que para o consultor, se não for feito agora, depois vai acontecer o mesmo que está ocorrendo com o trecho norte como a ponte de Tijucas, ou seja, transtorno para o trânsito, novamente.
Glauco José Corte lamenta que esse descaso tenha trazido prejuízo à sociedade catarinense. “Nossos estudos comprovam que a região Sul deixou de gerar, até dezembro passado, riquezas equivalentes a R$32,7 bilhões, somente com a perda de vantagem competitiva e o custo econômico proveniente do atraso da obra, sem considerar os custos sociais relativos aos acidentes e mortes na rodovia”, conclui o presidente da Fiesc.
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, chamou a atenção para a questão da transferência da praça de pedágio de Palhoça para Paulo Lopes e o aumento da concessão em mais 24 quilômetros para a Autopista Litoral Sul. Saporiti disse que o Ministério dos Transportes já legalizou a situação. Mas Lopes questiona de quem será a responsabilidade com o túnel, já que agora, se foi concessionado o trecho fica dentro da área de responsabilidade da autopista da Autopista.
E além disso, é uma área indígena. Lopes acredita que a quarta pista poderia ser uma solução mais rápida e de menor custo para resolver esse gargalo. Saporiti acredita que os dois  túneis devem ser a solução, pois se fizer mais uma pista o túnel não será construído. Para Lopes, o assunto deve ser debatido com os órgãos governamentais, as entidades e a sociedade.
Fonte: JP/ Imprensa Fetrancesc
Fotos: Katherine Dalçoquio da Silva/ Imprensa Fetrancesc

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