Filas de caminhões nos portos só acabam quando houver logística eficiente, afirma presidente da Fetrancesc

Filas de caminhões nos portos só acabam quando houver logística eficiente, afirma presidente da Fetrancesc

Florianópolis, 28.3.13 –O abandono promovido pelos governos, gestores e operadores da maioria dos portos brasileiros, especialmente os que fazem a exportação de grãos , está desenhado no caos das últimas semanas pelas filas de caminhões que esperam descarregar soja no porto de Santos. Só agora, com cancelamento de contrato de compras por atrasos na entrega do cereal é que parece estar causando espanto nas autoridades.


 

Caminhões viraram silos nas entradas dos portos

Mas o setor de transporte rodoviário de carga sabe que o problema existe há anos e que pela precária infraestrutura os caminhões viraram silos sobre rodas. É fácil enviar a carga para o Porto e lá o caminhoneiro esperar dias e dias para o desembarque da mercadoria. Esses motoristas ficam em situação precária, passam dias na beira da estrada sem condições de alimentação adequada, sem condições de higiene pessoal mínima e sem onde dormir. Além disso, são vistos como os vilões por estarem nas filas ao longo das rodovias.
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), Pedro Lopes, disse que é possível eliminar as filas com a integração de modais e uma logística eficiente. Para ele, o porto de Paranaguá (PR) encontrou uma solução que pode ser adotada pelos portos para acabar com as filas que é o agendamento dos caminhões para o desembarque.

Embarcador deve se responsabilizar até o despacho da carga no porto

Segundo Lopes, o aumento do frete existe porque os caminhões viraram silos sobre rodas e a espera é cobrada conforme está previsto na lei 11.442. Ele também disse que o embarcador também deve ser responsável pela carga até o seu despacho. Muitos jogam a carga no caminhão e não importa se lá no porto será ou não descarregada. Isso tem custo. Para o presidente, o embarque de grãos pode ser uma solução para evitar a perda de tempo dos motoristas e caminhões nas filas.

Porto de Paranaguá só recebe caminhão com hora marcada

Esse problema das filas poderia já ter sido resolvido se houvesse uma gestão eficiente nos portos que fazem esse tipo de operação. Isso é possível mesmo com a falta de modernização de equipamentos e procedimentos.Um exemplo é o Porto de Paranaguá (PR) que desde 2011, as empresas e motoristas precisam agendar a descarga no Porto. Assim ninguém fica em filas por dias. De acordo com a Assessoria de Comunicação do terminal portuário, o veículo permanece de seis a oito horas até descarregar.
Ainda de acordo com a Assessoria, o Porto de Paranaguá criou o sistema Carga On-line em que o embarcador precisa marcar o horário da entrega. O porto faz uma espécie de confirmação e envia ao solicitante um código de barra com a data da entrega. Ao chegar ao Porto passa pelo pátio de triagem e depois vai para o armazém.
O sistema já existe há 12 anos, mas só em 2011 foi implementado totalmente. Antes, informou a assessoria, todos carregavam os caminhões e mandavam para o portão do terminal portuário e muitas vezes nem sequer haviam vendido o produto. Chegavam para negociar e isso promovia tumulto, os motoristas ficavam dias no local.

Sistema integrado será modernizado

Outra vantagem é que o Porto possui um sistema integrado de carga, esteiras e carregadores, e com isso, o navio não precisa carregar todo em um único terminal. Mas pode embarcar a quantidade que tiver disponível em cada terminal e isso agiliza o procedimento. Esse regramento não diminuiu o movimento do Paranaguá.
No ano passado foram embarcados pelo Porto 16,9 milhões de toneladas de grãos no Porto e neste ano a previsão é de 19 milhões de toneladas de grãos. A administradora do Paranaguá pretende para a próximo ano ter modernizado o sistema de esteiras e carregadores que devem dobrar a atual capacidade que é da década de 1970.
Como em Santos, o Porto de São Francisco do Sul (SC) também não tem controle dos caminhões para que não haja filas. O diretor de Logística, Arnaldo S. Thiago, afirmou que ainda está no começo da safra de soja e que por isso, ainda não havia filas.

Pátio de triagem é fundamental na logística do transporte de grãos

Mas que deve sim haver acúmulo de veículos, porque a empresa tem um pátio de triagem na Sinuelo, mas que é insuficiente para atender à grande demanda. S.Thiago disse que não há uma solução para as filas. Muitos terminais deixaram de investir em equipamentos e procedimentos nessa área de grãos, porque entendem que não vale investir para um embarque que é sazonal.
E depois essa capacidade seria ociosa. No Porto de Paranaguá não existe mais sazonalidade com o aumento da safra de soja e com a maior produção das chamadas safrinhas, que já oferecem produto para movimentar o terminal o ano todo.
Fonte: Imprensa Fetrancesc

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