Florianópolis, 18.12.13 – Em um ano marcado por aumentos na inflação e nos juros, além da oscilação do dólar, a indústria catarinense registrou um crescimento de 2,1% em produção e 2% em vendas entre janeiro e outubro, segundo balanço divulgado ontem pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).
Os segmentos que apresentaram as maiores altas na produção em 2013 foram a metalurgia básica, vestuário e celulose e papel.
No faturamento, a elevação ocorreu a despeito da queda nas exportações (-3,1%), sendo impulsionado pelo consumo interno. Segundo o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, merecem destaque neste indicador os setores de veículos automotores e autopeças e produtos de metais, sendo que ambos estiveram entre os maiores recuos de 2012, além do crescimento de cerca de 15% nas vendas neste ano.
Vestuário e têxtil criaram mais vagas ao longo do ano
O dado positivo do balanço da Fiesc é a criação de empregos. A indústria catarinense de transformação foi a segunda maior geradora de postos de trabalho no Brasil em 2013. Até outubro, foram abertas 38,7 mil vagas, o que representa alta de 6% sobre o registrado no mesmo período de 2012. Mas, em números absolutos, os maiores geradores de emprego foram os setores têxtil e vestuário, com 12 mil novas vagas, e madeira e móveis, com 4,6 mil.
– A manutenção das contratações mostra a expectativa do industrial catarinense na recuperação da economia no próximo ano – afirmou Côrte.
Somando US$ 7,982 bilhões até novembro, as exportações catarinenses tiveram queda de 3,1% sobre o registrado no mesmo período de 2012. Entre os 10 produtos mais exportados pelo Estado, os maiores recuos estão concentrados nos segmentos de motocompressores elétricos e suínos. Com US$ 13,629 bilhões, os desembarques estão 1,73% superiores aos registrados em 2012. Os produtos com maior alta são automóveis e fios de poliéster. Assim, a balança comercial superou, já em novembro, o déficit recorde registrado em 2012.
Foco na infraestrutura
Durante a apresentação do balanço da indústria, o presidente da Fiesc projetou para 2014 um desempenho ligeiramente melhor que o registrado neste ano, mas sem grandes aumentos nos indicadores.
Um fator que pode influenciar positivamente o desempenho da indústria é a implementação dos projetos federais de melhoria da infraestrutura.
– Se Santa Catarina, nos próximos anos, conseguir melhorar a sua condição de infraestrutura, nós vamos ter um crescimento superior aos demais Estados, que já cresceram vegetativamente o que poderiam e nós ficamos para trás em função dessa precariedade da infraestrutura.
Além do fornecimento limitado de gás para as empresas, que tem prejudicado a expansão industrial, o setor tem enfrentado problemas logísticos devido à falta de investimentos em obras rodoviárias, ferroviárias, acesso aos portos do Estado e em melhorias nos aeroportos regionais, segundo o presidente da Fiesc.
– As nossas estradas estão em péssimas condições e o trânsito para o Norte do Estado – daqui a Curitiba, por exemplo –, já está completamente saturado. Estamos chamando a atenção do governo, pois uma infraestrutura física foi o que sempre nos diferenciou para baixo em relação ao Paraná e ao Rio Grande do Sul – afirma Glauco José Côrte.
Entre os mais prejudicados pela falta de investimentos, de acordo com o presidente da Fiesc, estão os produtores do Oeste catarinense, sobretudo para a questão de insumos.
– O fabricante da região Oeste paga mais caro para transportar o seu produto de Pinhalzinho, por exemplo, até o Porto de Itajaí, do que do Porto de Itajaí para um porto na Europa. Isso é um desestímulo – destaca.
“Uma infraestrutura física foi o que sempre nos diferenciou para baixo em relação
ao Paraná e ao Rio Grande do Sul.”
GLAUCO JOSÉ CÔRTE – Presidente da Fiesc
Fonte: Diário Catarinense