Florianópolis, 16.8.13 – Sempre que sou compelido a falar sobre trânsito, sou também instigado a lembrar de um problema grave que detectamos no comportamento dos condutores: o desrespeito. Acredito que o jeitinho brasileiro está intimamente ligado à dificuldade em seguir regras coletivas, à vontade de ter privilégio, de levar vantagem sobre os outros. É lógico que isso não vale para todos, porém o problema se torna grave porque grande parte dos condutores toma isso como regra.
O que escuto com frequência é que a falta de educação no trânsito é cada vez mais flagrante. Condutores estressados infringindo regras de circulação, excedendo limites de velocidade, dirigindo alcoolizados e colocando em risco suas vidas e a de terceiros. Mas a pergunta que sempre me faço é: por quê? Por alguns segundos? Por uma vaga na frente do veículo que está a metros de você? Por uma sensação de liberdade? Por uma fuga da realidade? É, acho que a vida está desvalorizada. Pelo menos para essas pessoas.
Acredito que estamos passando por um período em que a sociedade brasileira sente uma dificuldade enorme em incorporar noções de cidadania no dia a dia e rejeita os pilares de um Estado Democrático de Direito. O respeito por símbolos nacionais, o respeito pela vida, o respeito pelas instituições e pelas regras que nos fazem cidadãos está nos faltando.
Assim, entendo que a maioria dos acidentes de trânsito – urbanos e rodoviários – poderiam ser impedidos sim, pelo simples e não menos importante respeito. A mudança de comportamento não depende de leis nem de multas e sim de uma educação de qualidade.
*Major do Batalhão Rodoviário de SC
Fonte: Diário Catarinense