Novo terminal do aeroporto mudará a rotina dos passageiros

Novo terminal do aeroporto mudará a rotina dos passageiros

Florianópolis, 3.6.1.3 – Implementação de cinco pontes de embarque trará conforto para quem embarcar e desembarcar em Florianópolis. Ao mesmo tempo, quatro saídas rápidas e uma pista para manobras dos aviões vão aumentar o fluxo de aeronaves, compensando a elevação do tempo gasto nos embarques pelos fingers.
Mais que aumentar a capacidade de pousos e decolagens de aeronaves, o novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, vai alterar a rotina dos passageiros. Em obras desde abril de 2012 e com previsão de ser inaugurado em dezembro de 2014, a nova estrutura terá cinco pontes de embarque, chamadas também de fingers, que permitirão o acesso direto do terminal até as aeronaves.
Ao contrário do que muitos usuários possam imaginar, as pontes de embarque não tornam mais rápida a entrada nos aviões. De acordo com o gerente de Operações da Infraero, que administra o aeroporto, Marcos Souza das Neves, o processo de embarque fica cerca de 10 minutos mais longo utilizando os fingers do que nos embarques por terra, como é feito agora. A vantagem da nova estrutura é que ela dará mais conforto aos usuários do terminal.
A mudança principal é que as pontes de embarque, até hoje inexistentes no local, vão evitar que muitos passageiros fiquem expostos à chuva e ao vento, além de elevar, de oito para 20, o número de aviões que poderão ser posicionados simultaneamente na pista. O número de portões de embarque também será maior. O terminal atual tem seis. O novo, terá nove – cinco portões darão acesso aos fingers, e os demais para as posições de embarque por terra.

Melhorias vão permitir a chegada de mais aeronaves

Se os fingers vão aumentar o tempo de espera para as operações, quatro saídas rápidas e uma pista de taxiway (utilizada para a manobra dos aviões), paralela à pista principal, compensarão esta perda de tempo ao aumentar o fluxo de aviões no pátio. Esta mudança trará mais agilidade para os passageiros na mesma proporção do tempo adicional gasto com os fingers.
– Um embarque por terra é realizado em 20 minutos. Com as pontes de embarque, passará a ser feito em 30 minutos. Em compensação, com a pista de taxiway, aumentaremos a capacidade de fluxo aéreo em 50% ao sairmos de uma média de um pouso a cada três minutos para a chegada de uma aeronave a cada dois minutos – detalha Souza, ao informar que os embarques por terra continuarão sendo feitos no Hercílio Luz.
Orçado em R$ 188 milhões, o novo terminal vai ampliar a capacidade do aeroporto das atuais seis horas de pico (capacidade máxima de operação) para 18 horas de pico. A ampliação também trará um estacionamento para 1,8 mil veículos particulares e 14 coletivos, facilitando a chegada dos passageiros.
– Hoje, qualquer mudança no cronograma, qualquer atraso que resulte na vinda de passageiros de Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, já acarreta na falta de vagas para carros no estacionamento e no engarrafamento de ônibus aqui na frente (do aeroporto). Com o novo terminal, este problema vai acabar – avalia o gerente de Operações.

Desafio com as obras de acesso

A primeira etapa de obras de duplicação da Avenida Diomício de Freitas, que levará ao acesso viário ao novo terminal do aeroporto Hercílio Luz, não deve ficar pronta em dezembro deste ano, como previsto inicialmente. A obra é fundamental para que a nova infraestrutura do aeroporto comece a operar, quando ela estiver pronta.
O trecho que corta o solo da Estação Ecológica dos Carijós, no bairro Carianos, Sul da Ilha, com uma extensão de aproximadamente 650 metros, terá de aguardar cerca de dez meses até receber a brita e o asfalto para a duplicação da avenida que liga o Centro ao aeroporto Hercílio Luz. Esta é a etapa da obra mais complicada.
O segundo trecho, que vai do Estádio da Ressacada até a área do novo terminal de passageiros do aeroporto, ainda precisa da Licença Ambiental de Instalação (LAI) que será emitida pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma) para começar a ser feito. Nesta etapa, não há tanto rigor quanto no trecho da reserva ambiental e o asfaltamento poderá ser feito assim que o solo for desmatado.

Licença aguarda por aval de instituto

Gean Loureiro, presidente da Fatma, diz que aguarda o posicionamento do ICMBio sobre o trecho da obra para expedir a LAI, como acordado entre as duas entidades na época da emissão da Licença Ambiental Prévia. De acordo com ele, o instituto encaminhou há 10 dias questionamentos a respeito do projeto, que já teriam tido respostas da Fatma. Loureiro espera que no início da próxima semana o ICMBio dê o aval para que a Fatma emita a licença que falta.
– Precisamos tomar medidas para a garantia da preservação ambiental, mas algumas delas podem ser feitas com a licença emitida – defende o presidente da fundação.
Na terça-feira, uma reunião no Centro Administrativo vai discutir o andamento das obras. Para o secretário de Estado de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, é preciso saber no que a LAI pode ser flexibilizada para sua emissão. Apesar do atraso nas duas etapas da obra, o secretário afirma que a data prevista para a conclusão da obra segue inalterada.
– Não abro mão do término da construção em junho (de 2014) em hipótese alguma. Não vai acontecer de termos o terminal de passageiros antes do acesso a ele. Nós vamos construir uma alternativa para se chegar até o terminal – garante.

Reserva atrasa cronograma

Na próxima segunda-feira, a empresa contratada pelo Deinfra deve começar a colocação de eucaliptos deitados no solo da área que passa pela Estação Ecológica dos Carijós, exigência do ICMBio por se tratar de um local mais vulnerável. Após essa etapa, as obras ficarão paradas por cinco meses para o adensamento do solo. Passado o período, uma segunda etapa de brita será colocada e o local não poderá ser mexido por mais cinco meses.
Se não houver alteração nas etapas, somente em abril de 2014 é que começará a colocação de asfalto no trecho, dois meses antes da previsão para as duas etapas da obra serem concluídas, conforme o calendário inicial.
– A ideia era deixarmos o trecho transitável em dezembro (deste ano), mas estou preocupado com isto. Não sabíamos que teríamos tanta dificuldade nesta questão ambiental. Só poderemos dar um novo prazo para a conclusão desta primeira parte das obras dentro de até 60 dias – desabafa Paulo Meller, presidente do Deinfra em SC.
O departamento tem permissão da Fatma e do ICMBio para trabalhar no trecho que vai do Trevo da Seta até o Estádio da Ressacada, área da qual faz parte a reserva ambiental.
ontes: André Amaral e Claudia Nunes/ Diário Catarinense (edição de sexta-feira 31/05)

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