O custo do transporte no Brasil, por Pedro Lopes*

O custo do transporte no Brasil, por Pedro Lopes*

Florianópolis, 22.5.13 – Durante uma semana, representantes do transporte das três Américas estiveram reunidos em Punta Cana, na República Dominicana, para a 19ª Assembleia da Câmara Interamericana de Transporte (CIT), e uma das principais conclusões do grupo é de que não existem políticas públicas na maioria dos países para o transporte para pessoas e para cargas. E isso se reflete nos custos das passagens e dos serviços de frete.
O Brasil é um exemplo. O escoamento de grãos para a indústria e portos tem a elevação de custo de mais de 30%, porque não há estradas, armazéns e os terminais portuários não têm capacidade para escoar a carga. O caminhão virou silo sobre rodas, parando em beira de estrada por dois, cinco ou 10 dias. Quem coloca um equipamento de R$ 300 mil ou R$ 700 mil para ficar parado sem cobrar por isso?
Os governos não se preocupam com obras rodoviárias, mas vão gastar recursos públicos de cerca de R$ 5 bilhões para cada estádio e estrutura da Copa do Mundo em cada uma das sedes, que se tornarão elefantes brancos. Agora tudo é festa. Depois vamos saber a conta a pagar.
O importante da assembleia foi o avanço na discussão sobre a integração entre as nações quando o assunto é o desembaraço nas aduanas. Foi assinado o termo de cooperação entre a CIT e a International Road Transport Union (IRU), que desde 1975 controla a movimentação de carga nas fronteiras da Europa.
O próximo passo será uma reunião dos países do Mercosul, em Montevidéu, para tratar dessa integração na América do Sul. O imprescindível é viabilizar a passagem livre pelas fronteiras. O Brasil apresentou na assembleia o projeto de ferrovias para 2013. São fundamentais estudos responsáveis de impacto econômico positivo que tenha retorno ao investidor do capital investido.
O caminhão virou silo sobre rodas, parando em beira de estrada por dois, cinco ou 10 dias. Quem coloca um equipamento para ficar parado sem cobrar por isso? 
*Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina, morador de Florianópolis
Fonte: Diário Catarinense

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