Florianópolis, 18.3.13 – Traçada como uma das frentes para combater a facção autora dos 114 ataques em Santa Catarina, a Operação Divisas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) segue por tempo indeterminado. Apesar do esforço do efetivo, que recebeu reforço, a iniciativa não garantiu a apreensão de grandes quantidades de drogas, principal meio financiador do crime organizado e foco de enfrentamento da operação. O maior volume de entorpecentes localizado nas estradas de SC foram 25 quilos de maconha, apreendidos nesta semana.
O efetivo da PRF é insuficiente para operar em todas as estradas pelo maior tempo possível. No Estado, são 500 agentes, cerca de 25% do ideal para cobrir os 2,3 mil quilômetros da malha rodoviária federal catarinense – a segunda maior, atrás apenas de MG. No país, que tem 62 mil quilômetros de rodovias, são 9 mil homens, metade do necessário.
Segundo o chefe da Comunicação da PRF/SC, inspetor Luiz Graziano, o efetivo catarinense consegue combater entre 5% e 10% do tráfico de drogas. A defasagem deve diminuir com um concurso nacional previsto ainda para este primeiro semestre. A estimativa é de mil vagas para todo o país. Em SC, a PRF solicitou o preenchimento de cem postos.
Outra explicação para o resultado da Operação Divisas é de que os criminosos, sabendo da iniciativa, preferiram dar uma trégua para evitar confronto com a polícia.
Armas e prisões sem relação direta com o principal foco
O saldo de apreensões e prisões, entre 16 de fevereiro e 7 de março, não representa resultado significativo contra o narcotráfico. Foram apreendidas 18 armas, entre revólveres, pistolas, espingarda e escopeta (de caça) e 310 munições. Além disso, foram apreendidos 25 veículos com registro de roubo e furto, 2.750 comprimidos de remédios proibidos e mais de 140 mil maços de cigarro contrabandeados.
O total de prisões é de 213 pessoas envolvidas em contrabando, descaminho (crime contra a ordem tributária), documentos falsos, porte ilegal de armas e drogas, além de mandados de prisão em aberto.
Para ajudar nas apreensões, a PRF tem utilizado um scanner de R$ 2,5 milhões. A câmera faz um raio-x em veículos e mostra drogas, armas e até pessoas escondidas nas carrocerias de caminhões.
Duas cargas loalizadas
Na Operação Divisas, duas cargas de drogas foram apreendidas. Ambas acabaram localizadas na principal entrada de drogas e armas de SC: a BR-163, na região de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste. A cidade faz fronteira com a Argentina e divisa com o Paraná, por onde chega o material ilícito vindo do Paraguai, via Foz do Iguaçu.
A maior apreensão feita pela PRF ocorreu na quinta-feira, por volta da 0h15min. Uma mulher de 22 anos e uma adolescente de 16 levavam 25 quilos de maconha em um ônibus de linha.A primeira carga apreendida foi em 28 de fevereiro. Também num ônibus, um homem de 22 anos foi preso às 22h30min com 15 quilos de maconha.
As duas cargas correspondem à média do que geralmente é apreendido em operações da PRF em SC: de 20 a 30 quilos de drogas . Sempre transportada por pessoas chamadas de mulas, que muitas vezes nem conhecem quem entregou nem para quem vão entregar o entorpecente.
Cocaína também em pequena quantidade
A cocaína também não entra em grandes quantidades. O comum no Estado é o transporte médio de cinco quilos. O maior ingresso do pó no Brasil se dá por Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com a Bolívia e o Paraguai. Lá, a média alcançada pela PRF por apreensão é de 30 quilos.
– Os traficantes transportam pouca droga para não perder grandes carregamentos. A carga é muito valiosa – disse o inspetor Graziano.
Na primeira etapa da operação, foram montadas nove barreiras fixas nas divisas com o PR e RS e fronteira com a Argentina, nas rodovias federais, e oito nas estaduais. Portos e aeroportos também foram fiscalizados. A PRF catarinense trabalhou com 24 grupos táticos todas as noites no Estado. Aos 500 agentes de SC se somaram 160 de outros estados.
Nesta segunda etapa, a PRF faz operações volantes com 15 grupos táticos, reforçado por 60 homens de fora. O critério para definir as ações móveis se dá a partir de informações de inteligência.
Fonte: Diário Catarinense (edição de sábado 16/03)