Patinho feio da infraestrutura

Patinho feio da infraestrutura

Florianópolis, 10.7.13 – Apesar de em estados como Santa Catarina movimentar 95% da economia, o transporte rodoviário de cargas tem sido o “patinho feio” do setor de infraestrutura. “Nem estrada, nem benefício fiscal e ainda tem de se ouvir que a grande solução é a ferrovia”, reclama o presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes. Ele coordena hoje, em Chapecó, reunião de empresários de todo o Brasil interessados em fazer avançar o processo de regulamentação na área de cargas frigorificadas. Há uma preocupação do setor, avalia Lopes, em atender as exigências do Ministério Público do Trabalho e da legislação do motorista profissional, em revisão no Congresso, mas são necessárias algumas flexibilizações. “Os transportadores querem atender o cumprimento de jornada desde que não seja uma cobrança tão imediata”, interpreta.

Sem comparação

O transporte urbano, um dos catalisadores das recentes manifestações de rua, já conta com desonerações na folha de pagamento e no preço do óleo diesel e financiamentos especiais. Para o transporte rodoviário, compara Pedro Lopes, os primeiros incentivos fiscais passarão a valer a partir do ano que vem. Quer dizer, terão duração de apenas um ano, apesar das negociações e promessas que vêm sendo feitas desde 2011. Isso que o setor enfrenta as maiores distâncias, a falta de conservação das rodovias e, no caso do transporte de alimentos, maiores custos dos equipamentos dado o preço do aço e do alumínio.

Vê se pode

Um caminhão que transporta produto líquido, como gasolina, diesel ou álcool, precisa circular em Santa Catarina com 42 licenças dentro da cabine. É isso ou multa.

Prorrogação

O debate em torno da instabilidade que cerca o Pró-cargas, programa de incentivo fiscal do governo do Estado, informa Pedro Lopes, vai incluir também fabricantes de equipamentos que foram atraídos para Santa Catarina nos últimos anos.

Mais rápido

Recém chegado de reunião em Montevidéu, Pedro Lopes está afiado quanto à adoção dos cartões IRU, da União Internacional dos Transportes Rodoviários, para desburocratizar e reduzir custos da movimentação de cargas nas Américas. Com o cartão, a carga sai da empresa já alfandegada, o que reduz de sete dias para menos de 24 horas o processo de liberação. A Argentina já liberou o uso, mas no Brasil e no Chile são necessárias ações de governo. Só na Europa, há 3,4 milhões de usuários.
Fonte: Adriana Baldissarelli – Panorama – Notícias do Dia

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