Porto de vento em popa

Porto de vento em popa

Florianópolis, 19.8.13 – Instalada na margem esquerda do Rio Itajaí-Açú, em Navegantes, a Portonave, primeiro porto privado do país, vai de vento em popa. Apesar da concorrência mais acirrada, o terminal lidera a movimentação de contêineres em SC, com 45% do total, e fechou o período de janeiro a julho com crescimento de 19%, informa Osmari de Castilho Ribas, diretor-superintendente administrativo. Para crescer mais, a Portonave, que integra o Complexo Portuário de Itajaí, investe R$ 70 milhões este ano em equipamentos e novos serviços.

Como foi a instalação do terminal e sua evolução até agora?

Osmari de Castilho Ribas – O projeto da Portonave nasceu em 2001, quando os investidores tiveram autorização do Ministério dos Transportes para construir o porto. De 2001 a 2005 fizemos toda a parte burocrática, incluindo licença ambiental e outras. Em 2005 começamos a construção da obra e, em outubro de 2007, iniciamos a movimentação de cargas. No final de 2008, quando o projeto começava a deslanchar de fato, tivemos a enchente. Tínhamos uma profundidade de 11 metros no Rio Itajaí-Açu e ficamos com apenas sete metros. Tivemos que nos limitar a operações com navios menores, principalmente de cabotagem. Com a dragagem de emergência, a profundidade foi recuperada, e retomamos as atividades e crescemos até agora. Ano passado, faturamos R$ 343 milhões.

O terminal é líder em contêineres no Estado. Qual é a participação?

Castilho – Respondemos por 45% da movimentação de contêineres no Estado. Como o Porto de Itajaí está com 33%, o Complexo Portuário de Itajaí movimenta quase 80% dos contêineres (TEUs de 20 pés) em SC. Depois, vem Itapoá, São Francisco do Sul e Imbituba. De janeiro a julho crescemos 19% frente aos mesmos meses de 2012 e movimentamos 402 mil TEUs. No país, só perdemos para o Porto de Santos.

Que cargas predominam?

Castilho – Predominam as cargas congeladas. As exportações respondem por 43% do total e cresceram 33% no primeiro semestre enquanto, no país, caíram 0,7%. As importações atingem 39% da movimentação. Além disso, temos cargas de transbordo. No ano passado, quando tivemos todo aquele movimento relativo à guerra dos portos, com a equalização do ICMS a partir deste ano, se imaginava que as importações cairiam muito. Aqui isto não aconteceu. É claro que depende também da condição cambial. Mas conseguimos crescimento de 17,5% de janeiro a junho. Parece que as boas condições de instalações portuárias fizeram com que a gente conseguisse manter um bom nível de importação.

Quanto a Portonave está investindo e quais os planos para crescer?

Castilho – Este ano, estamos investindo R$ 70 milhões. Compramos três portêineres que já estão em operação. Com isto, somamos seis, o maior número do Estado. Nosso pátio tem ocupação acima de 80%, temos boas condições de berços (três) e nosso plano é ampliar a retroárea. Temos o terminal frigorífico Iceport para 16 mil toneladas.

Por que a ampliação da bacia de evolução é importante para o complexo?

Castilho – A tendência é os armadores operarem com navios maiores. Nós teremos limitações se não conseguirmos fazer o giro desses navios. Hoje operamos com embarcações de até 306 metros. Com a ampliação (um projeto público de R$ 300 milhões) poderemos receber navios de 366 metros.

Quais são os pontos altos e limitações do setor portuário catarinense?

Castilho – O ponto forte é que SC aproveitou seu litoral e investiu em portos. Isto desenvolveu a região, com muitas empresas para dar suporte ao setor. A limitação maior são os acessos. Nós precisamos da duplicação da BR- 470 e Itajaí espera a Via Expressa. É preciso melhorar o acesso a Itapoá e concluir a duplicação da BR-101 para o Sul.

Desde 2007

Planejada para atender, principalmente, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a Portonave, Terminal Portuário de Navegantes, recebeu investimento inicial de R$ 450 milhões e tem como controlador a empresa paulista Triunfo, com 50% do capital. Osmari Castilho está no porto desde o início do projeto, em 2001. Um dos pontos altos foi o início das operações, em outubro de 2007 (foto abaixo).

Navegantes

Entre as realizações do executivo e dos empreendedores está o impacto positivo do investimento em Navegantes. Conforme Castilho, o IDH subiu e o PIB também. O terminal recebe de 1,2 mil a 1,5 mil caminhões por dia, movimenta 40 mil TUs por mês e gera cerca de mil empregos diretos, principalmente para trabalhadores da cidade. Além disso, desenvolve projetos sociais e ambientais.
Com a nova Lei dos Portos, ficou ainda mais competitivo.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense (edição de domingo 18/08)

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