Florianópolis, 30.4.13 – A safra catarinense de soja atingiu a marca histórica de 1,6 milhão de toneladas, um aumento de 48% em relação à colheita do ano passado, que deverá injetar R$ 1,4 bilhão na economia do Estado. Justa euforia no campo, e notícia que estimula todo o ciclo da economia. Os produtores colheram 58 sacas por hectare quando, em 2012, a produtividade ficou em 30 sacas por hectare em razão da prolongada estiagem. Apesar de sofrer uma pequena queda em relação ao ano passado, os preços de mercado estão bons, ficando em R$ 52 a saca, segundo a Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina (Faesc).
Este cenário positivo, de safra abundante, de preços bons e de linhas de crédito favoráveis estimula principalmente os setores econômicos vinculados ao agronegócio, como o de maquinário agrícola. A procura por esses equipamentos é tamanha que colheitadeiras e plantadeiras que estão sendo vendidas agora só poderão ser entregues no final do ano. Segundo o presidente da Faesc, José Zeferino Pedroso, os produtores também já planejam aumentar a produtividade entre 10% e 15% na próxima safra.
O agronegócio constitui um dos pilares mais sólidos da economia de Santa Catarina, respondendo por expressiva parcela do Produto Interno Bruto Estadual (PIB). Um dos seus grandes desafios no momento é o de garantir a autossuficiência em milho, principal insumo da avicultura e da suinocultura. O Estado precisaria produzir 5,6 milhões de toneladas desse cereal, enquanto registra um déficit de 2,6 milhões, dependendo das lavouras do Centro-Oeste.
Nesse contexto, tanto o da superprodução de soja quanto o da carência do milho, impõe-se lembrar a necessidade e urgência de prover um eficiente sistema de logística para o escoamento das safras em direção aos portos de exportação e aos demais mercados consumidores. Avultam a necessidade e urgência da construção das chamadas Ferrovia do Frango e Leste-Oeste.
A falta de trilhos em um Estado como Santa Catarina é um fator que emperra o ritmo do desenvolvimento e onera a produção com fretes mais altos. Repita-se não ser esse um problema apenas econômico. É também social, pois coloca em risco milhares de empregos tanto no campo quanto nas agroindústrias catarinenses.
Sim, a safra recorde de soja causa justa euforia e merece ser festejada ao longo de todo o ciclo virtuoso da economia. Mas é preciso sempre olhar à frente, identificar problemas futuros e antecipar as suas soluções para que novas safras recordistas se sucedam, vitalizando o campo. O agronegócio é um dos pilares mais sólidos da economia de Santa Catarina, respondendo por expressiva parcela do PIB do Estado.
Fonte: Editorial/ DC