SC nos trilhos

SC nos trilhos

Florianópolis, 22.4.13 – As lideranças comunitárias, empresariais e políticas do Oeste catarinense estão mobilizadas para que a chamada Ferrovia do Frango, também conhecida como Ferrovia da Integração ou Leste-Oeste, comece a sair do papel o quanto antes. A falta da ferrovia emperra o desenvolvimento da região, cuja economia tem por principal base a agroindústria. “É a ferrovia ou o colapso”, afirma o presidente da Associação Comercial de Chapecó, Maurício Zolet, que aponta ser iminente o risco de fuga de muitas empresas para o Brasil central.
Com efeito, chega a soar até como anedota de péssimo gosto e terríveis consequências o fato de a região, cuja agroindústria exporta alimentos para mais de 150 países, não dispor de trilhos, e tenha que mover suas cargas por via rodoviária, o que onera pesadamente o custo da cadeia produtiva. Em algumas situações, o frete chega a custar mais caro do que o próprio produto. A tal absurdo chegamos pela incúria e falta de visão de sucessivos governantes, que priorizaram a implantação de rodovias – e a qualidade da malha viária é lamentável.Em artigo publicado dias atrás neste jornal, o presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado Moacir Sopelsa, reclamou que o debate sobre a ferrovia se mantém entre um ou outro hipotético traçado, enquanto tudo continua na mesma e os prejuízos se acumulam. O parlamentar, originário do Meio-Oeste, lembrou que o Estado ocupa apenas 1,1% do território nacional e, no entanto, produz 25% da carne suína nacional, 14% dos frangos, quase 8% do leite, é o maior produtor de maçã e cebola, além de colher vultosas safras de milho, soja e feijão. Argumentos suficientes para cobrar os trilhos.”A ferrovia é uma dívida que o Brasil tem com Santa Catarina”, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados de SC, Clever Ávila. Na estimativa do deputado federal Pedro Uczai, que preside a Frente Parlamentar das Ferrovias no Congresso, o transporte ferroviário chega a ser 40% mais econômico do que o rodoviário. Além disso, traz outras vantagens como a retirada de milhares de caminhões das rodovias: 4 mil por dia somente nas BRs 282 e 470 em SC.A hora é de somar forças em torno dessa reivindicação que é de todos os catarinenses. O secretário estadual de Infraestrutura, Valdir Cobalchini, informa que o governo federal recentemente acenou com a possibilidade de SC definir o melhor traçado e assumir a execução da obra. “O traçado deve atender à demanda, à produção local e ao local que tiver mais viabilidade.” E assim deve ser. Os critérios técnicos devem passar longe das influências políticas e eleitoreiras na implantação de obra de tal vulto e importância.Vamos recolocar SC nos trilhos e oxigenar a economia do Oeste.
Fonte: Editorial DC

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