Sete são presos por roubo de carga

Sete são presos por roubo de carga

Joinville, 9.10.13 – A movimentação de caminhões e cargas em um galpão alugado no bairro Vila Nova, na zona Oeste de Joinville, não levantava suspeitas na vizinhança, mas o local servia de esconderijo para uma quadrilha que teria se especializado em roubar caminhões e distribuir as cargas de grande valor. Sete suspeitos foram presos em flagrante.
A articulação criminosa foi descoberta na manhã de ontem, quando a Polícia Militar conseguiu rastrear um caminhão tomado de assalto horas antes na Rodovia do Arroz, no Vila Nova. No momento da abordagem no galpão, seis homens e uma mulher tiravam a carga da carreta roubada – com eletrônicos, eletrodomésticos e pares de tênis – e a estocavam em um segundo caminhão.
Os suspeitos ainda tentaram fugir pelos fundos do galpão, mas foram interceptados por outra equipe da PM. Com eles foram encontrados um revólver calibre 32 e uma pistola ponto 40. Para a surpresa dos policiais, os criminosos ainda mantinham o dono do caminhão como refém. Gerson Stentzlel, 41 anos, estava com os olhos vendados e as mãos amarradas dentro da carroceria.
Para rendê-lo e não correr o risco de ser surpreendida pela polícia, a quadrilha usou um recurso pouco comum nesse tipo de crime: um bloqueador de sinal de rastreamento foi instalado na entrada do isqueiro do caminhão, impedindo que o satélite da empresa de monitoramento identificasse o GPS do veículo.
– Talvez em função de um problema na bateria, o bloqueador falhou e o sinal do rastreador voltou por alguns segundos. Foi o suficiente para identificarmos a latitude e longitude do veículo, que nos levou até o galpão – conta o sargento da Polícia Militar Emir Morbis.
Além da carga roubada ontem, avaliada em cerca de R$ 600 mil, a polícia ainda encontrou mercadorias levadas de outro caminhão, há cerca de dois meses. As semelhanças na atuação das duas ocorrências levantaram suspeitas de que a quadrilha tenha agido em mais oportunidades.
GERSON STENTZLEL, Caminhoneiro: “O carro fechou meu caminho umas duas vezes, mas não me dei conta de que eram assaltantes.”

Horas de tensão e medo

Antes de ser feito refém, o caminhoneiro Gerson Stentzlel, de 41 anos, demorou para perceber a intenção dos assaltantes quando seguia viagem pela Rodovia do Arroz, no bairro Vila Nova. Ele havia partido no começo da manhã, do próprio bairro, em direção ao Rio Grande do Sul, onde entregaria a carga.
Assim que saiu da rua 15 de Novembro e acessou a Rodovia do Arroz, passou a ser interceptado pelos ocupantes de um automóvel Tipo.
– O carro fechou meu caminho umas duas vezes, mas não me dei conta de que eram assaltantes. Tentei desviar de novo, mas fui obrigado a frear. Pensei que era um motorista embriagado. Foi aí que três ou quatro deles vieram, armados, e me renderam na cabine. Jogaram um casaco sobre a minha cabeça – lembra Stentzlel.
No caminho, até o galpão onde o caminhão foi escondido, os assaltantes deram garantias de que, se não reagisse, Gerson seria libertado. Mas em nenhum momento ele podia ver o que estava acontecendo. Quando chegaram ao galpão, o motorista ainda teve os olhos vendados e as mãos amarradas.
– A pior hora, para mim, foi quando a polícia chegou. Eu não enxergava nada, só ouvia. Meu medo era ficar no meio da linha de tiro, mas isso não aconteceu. Os policiais foram muito rápidos e eficientes – agradeceu.
Fonte: Roelton Maciel/ Diário Catarinense

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