Ação busca zerar acidentes envolvendo transportadores rodoviários de carga

Ação busca zerar acidentes envolvendo transportadores rodoviários de carga

Brasília, 26.9.14 – Zerar os acidentes de trânsito envolvendo transportadores de cargas é uma meta audaciosa. Mas, para a Volvo, é possível de ser atingida se todos os atores envolvidos – motoristas, empresários, poder público – fizerem a sua parte. Por isso, neste ano, a empresa aceitou um desafio feito pelo parlamento sueco para reduzir a zero o número de vítimas de acidentes de trânsito. A adesão começou na Suécia e rapidamente a meta foi abraçada no Brasil. A proposta foi, assim, incorporada ao Programa Volvo de Segurança no Trânsito, que existe há 27 anos e engloba várias iniciativas. 
O projeto mais recente busca discutir com os empresários transportadores de cargas ações de segurança, por meio dos seminários Zero Acidentes. Um já foi realizado em Curitiba (PR) e outros três estão programados até o final do ano.
A coordenadora do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, Anaelse Oliveira, conversou com a Agência CNT de Notícias sobre os desafios que devem ser superados para alcançar a meta e sobre as ações em desenvolvimento para tornar o máximo possível de parceiros comprometidos com os mesmos objetivos. Mais informações sobre o programa podem ser encontradas no sitewww.volvo.com.br/pvst.

Quais avanços a Volvo acredita que esses debates têm trazido?

A gente entende que o fato de a Volvo comercializar veículos seguros não garante que chegaremos a esse ideal de futuro. Isso necessariamente passa por um trabalho de engajamento e de mobilização de toda a cadeia do negócio de transporte de carga ou de passageiros. Assim, o objetivo desses seminários é discutir com empresários e entidades que representam esse segmento os principais problemas e como buscar soluções. Para isso, fizemos previamente uma pesquisa que retratou a imagem do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Também buscamos informações com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e publicamos o Atlas da Acidentalidade no Transporte Brasileiro. Ou seja, antes dos debates, tentamos identificar o tamanho desse problema no Brasil.

O que vocês diagnosticaram de comportamentos que favorecem os acidentes?

O primeiro aspecto destacado no seminário de Curitiba diz respeito à insuficiência de treinamento de motoristas voltado para este tema. Ou seja, além da questão técnica sobre a operação adequada do veículo, devem-se desenvolver comportamentos seguros através de treinamentos específicos para isso. Outro ponto foi a questão da jornada adequada de trabalho. Isso coincide com o que demonstra o Atlas da Acidentalidade, que uma das principais causas de acidentes envolvendo o transporte de cargas é sonolência ao volante. Várias outras questões aparecem a partir disso e, para solucionar o problema, tem que colocar o dedo na ferida. A questão da falta de motoristas também é um fator crítico – fala-se em uma insuficiência de 90 mil a 120 mil motoristas de caminhão no mercado brasileiro – e, com isso, aqueles que estão atuando acabam sendo muito pressionados.

Você citou a realização de uma pesquisa de imagem. Ela traz dados relevantes que podem ajudar no planejamento de segurança?

O estudo apontou que 63% das pessoas entrevistadas acreditam que motoristas usam estimulantes para permanecerem mais tempo no volante. Outras 40% acreditam que os acidentes são provocados pela má conservação das estradas e 21% pela imprudência dos motoristas. Percebemos dois pontos de vista: um diz respeito ao comportamento inseguro e outro à infraestrutura. Com isso, provocamos um debate para entender como reverter uma imagem distorcida que se faz desse segmento da economia, extremamente importante, responsável pelo transporte de 60% do que se produz no país. Porque isso tudo também está muito ligado à percepção das causas de acidentes. O objetivo com esses encontros, então, é fazer com que esses empresários, esses gestores de frota possam se mobilizar para mudar esse cenário.

No seminário vocês também tratam da ISO 39.001. De que maneira isso pode colaborar para que a meta de zerar acidentes seja alcançada?

A ISO 39.001 é uma norma internacional de gestão de segurança de tráfego. Nossa percepção é de que é uma excelente ferramenta para que as empresas de transporte passem a adotar como um roteiro, um passo a passo de como ter uma gestão adequada do ponto de vista de segurança.

O primeiro seminário já foi realizado em Curitiba. Quantos encontros serão ao todo?

Ao todo serão quatro. Mais dois seminários serão realizados em outubro, um em Porto Alegre (RS) e outro em Itajaí (SC). Em novembro teremos em Belo Horizonte (MG).

Os resultados dos debates serão tornados públicos, a fim de disseminar as ideias e até novos comportamentos que tragam mais segurança no trânsito?

Com certeza. Estamos trabalhando até mesmo na disseminação da ISO 39.001, que a maioria das pessoas ainda desconhece. O objetivo é começar com a divulgação dessas idéias de maneira regional e expandir cada vez mais.

Nesse projeto, a Volvo também assume a responsabilidade de uma problemática que é social e que, num primeiro momento, diz respeito ao poder público, por meio das ações de fiscalização e conscientização. Sendo assim, qual o papel que vocês vêem, nas empresas privadas, de também fazer parte dessas discussões e de ações práticas em prol de um trânsito mais seguro?

A gente entende que a importância da atuação da iniciativa privada, juntamente com outros agentes, é fundamental. São muitos atores da cadeira produtiva do transporte que podem e precisam se envolver e trabalhar essas questões, dentro do seu campo de atuação e de influência. Esse é o nosso desejo quando fazemos encontros como esses: que as empresas façam um planejamento de segurança adequado para motoristas e frotas, a fim de reduzir a chance de acidentes. Se cada um fizer a sua parte, esse ideal de futuro de zero acidente é perfeitamente possível.
Fonte: Natália Pianegonda/ Agência CNT de Notícias 

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