Laguna, 20.7.15 – A curiosidade dos motoristas e o desejo de guardar uma recordação resultaram em multas e até mesmo acidente no primeiro dia após a abertura da ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no trecho Sul da BR-101.
De acordo com balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Tubarão, até a tarde de sexta-feira, cerca de 50 motoristas foram autuados por estacionaram no acostamento.
O objetivo era fotografar ou gravar em vídeo os detalhes da obra, novo cartão-postal, inaugurado na quarta-feira e aberto ao tráfego na quinta-feira.
De acordo com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), é proibido estacionar o veículo em acostamentos, salvo motivos de força maior. Não é o caso dos que param para fotografar ou filmar a ponte.
Ainda conforme o artigo 181-VII do CTB, a infração é considerada leve. O condutor autuado paga multa de R$ 53,20 e leva três pontos na Carteira Nacional da Habilitação.
Além dos que pararam para registrar a travessia sobre o Canal de Laranjeiras, houve os que reduziram a velocidade para fazer fotos ou vídeos de dentro do carro.
Policiais rodoviários estão de plantão no local para orientar os motoristas. A recomendação aos que desejam clicar a ponte é que utilizem a ligação antiga. Além de receber o tráfego local, a ponte usada até essa quinta-feira servirá como mirante para os curiosos.
O primeiro acidente no local foi registrado na madrugada de sexta-feira, pouco depois da 0h. A colisão envolveu um Fiat Uno de Cocal do Sul e um VW Gol de Florianópolis. Os veículos iam em direção ao Sul do Estado. Houve danos materiais, sem ferimentos. De acordo com a PRF, a colisão aconteceu justamente pela falta de atenção dos motoristas.
A ponte Anita Garibaldi foi inaugurada pela presidente Dilma Rousseff no fim da manhã de quarta-feira, mas foi aberta ao trânsito às 17h de quinta-feira. A obra é a maior ponte estaiada em curva do Brasil, segundo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A estrutura tem 2,8 km, o vão central tem 400 metros e é suspenso por cabos de aço presos em dois mastros, cada um deles com 63 metros de altura. A ponte começou a ser construída em junho de 2012 e foram investidos cerca de R$ 775 milhões na obra por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. O tráfego médio no local é de 25 mil veículos por dia, mas no verão, o movimento aumenta para 40 mil veículos dia.
Túnel é aberto em uma faixa
O túnel do morro do Formigão, no trecho sul da BR101, em Tubarão, foi liberado por volta das 13h dessa sexta-feira. Os carros puderam passar pelo túnel após a conclusão dos trabalhos de pintura da sinalização. Com duas faixas, a obra dá vazão ao fluxo de veículos em direção ao sul do estado. No momento, apenas uma das faixas está aberta. Além da sinalização definitiva, o local está demarcado com tambores. Os carros que transitam no sentido norte, em direção à grande Florianópolis continuarão passando pelo trajeto atual, no popular morro do Corte. As obras seguem o modelo das existentes no Morro agudo, em Paulo Lopes. As obras no local ainda não estão completas, em virtude da falta de sincronia nos cronogramas. Com o túnel pronto, falta uma ponte para conectar definitivamente os trechos e encerrar as obras de duplicação do trecho sul da BR101. Isso sem contar o túnel no morro dos Cavalos, em palhoça, que ainda não está licitado. Nesse local, a solução provisória feita com a quarta pista parece ser definitiva. A conclusão dos trabalhos no morro do Formigão está prevista para dezembro, quando serão entregues as obras na segunda ponte sobre o rio Tubarão. Fonte: ND
Patrões da crise
As casas do Congresso derrubam todas as reformas políticas comprometidas com a justa representação – e os seus dois “patrões”, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, transformam o Poder Legislativo em refém de seus “prontuários”. Dizem-se “perseguidos” pela Operação Lava-Jato e estão prontos pra se vingar do… Brasil.
Coitado do cidadão brasileiro: vive em crise perpétua, espécie de câmara de tortura econômica, “pau de arara” financeiro em que o dinheiro é sempre escasso e o juro é sempre alto. E ainda tem que aturar esse bizarro “patronato” político.
As crises chegam em ondas – tubos de cristal líquidos, enormes, densas colunas de água descendo sobre a moleira dos surfistas.
Ele mesmo, o cidadão brasileiro, já anda tão acostumado a viver em crise que nem se espanta mais com aquelas “castas” de marajás encasteladas em “enclaves suíços”, como certos servidores do Legislativo e do Judiciário. Nesses nichos, a vida é bem melhor do que a do “brasileiro médio”, que vive ao relento.
A seu favor, o brasileiro tem a criatividade. Aquela mesma que tem levado algumas padarias a fabricarem pão sem trigo e sem fermento. Mas com bromato.
O resultado é o triunfo dos falsos produtos, como se já tivéssemos nos transformado num gigantesco Paraguai. Gasolina misturada com solvente. Omelete sem ovo. Vinho sem uva. Tutu à mineira sem feijão. Chope sem colarinho. Estrume sem cocô. E Letras do Tesouro sem valor.
Empobrecido, o brasileiro começa empenhando suas coisas. A aliança. O relógio. Um colar. O anel de noivado. E passa a oferecer qualquer “coisa” nos cadernos de “Desclassificados do Millôr”, como a seguinte oferta macabra:
– Vende-se brinco de ouro 18 quilates. Com a orelha da sogra junto.
Apertados pela crise, alguns empresários de São Paulo conseguiram na Justiça uma liminar para pagar salários em “espécie”. Não em Reais, mas em produtos de suas fábricas. Os ainda empregados levariam pra casa, à guisa de salário, macarrão de uma fábrica de massas. Com duas nítidas vantagens: ninguém passaria fome e o produto não encalharia…
Se a moda pega, teríamos fábricas de “lingerie” pagando salário com calcinhas e sutiãs. Protéticos pagando com dentaduras, médicos com receitas, advogados com pareceres, padres com missas e batizados e os cachorros com três latidos.
E os cronistas… – perdoem-me – pagariam com crônicas como esta. Fonte: texto colunista Sérgio da Costa ramos/Diário Catarinense/20.7.15.
Triangulação
Rodrigo de Souza Comin, ex-servidor do Deinfra, é investigado pela Operação Pecúnia da Polícia Federal de Santa Catarina. Na campanha passada, a polícia apreendeu com ele R$ 110 mil com propaganda do deputado Ronaldo Benedet, do PMDB de Criciúma, em Maravilha. Depois, outro flagrante com R$ 48 mil, em Xanxerê. O Deinfra era presidido por Paulo Meller, ex-prefeito de Criciúma e tesoureiro do PMDB. Comin hoje é chefe de gabinete do deputado Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro, presidente do PMDB de Criciúma. Fonte: Coluna Moacir Pereira/Diário Catrainense/20.7.15.
Curtas
Secretário de Infraestrutura, João Carlos Ecker, assina hoje, às 14h, em Joinville, a ordem de serviço do projeto técnico de duplicação da SC-108, que compreende o eixo das ruas Dieter Schmidt e Edgar Meister. Fonte: Coluna Moacir Pereira/Diário Catrainense/20.7.15.
Levy admite abertura de capital em estatais
Em corrida contra o tempo para fazer caixa e cumprir a meta de superávit fiscal, até o momento mantida em 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o governo quer abrir o capital de algumas companhias públicas. Em entrevista publicada ontem no jornal A Gazeta, do Espírito Santo, o ministro defendeu que a medida traria competitividade, mas evitou citar quais as empresas candidatas para a oferta de ações.
Ao justificar a importância de se fazer o ajuste fiscal com rapidez, Levy disse que é necessário tomar outras medidas, além das que já foram anunciadas:
– Tem algumas companhias públicas que estamos querendo abrir o capital. Elas ficarão mais competitivas, isso aumentará o valor delas, teremos um pouco mais de receita. É um ganha-ganha.
Questionado se estaria falando de privatização, Levy respondeu que “em alguns casos, você tem a passagem do controle também”.
– Depois tem a parte das concessões. Todo mundo fala do tal custo Brasil. Uma das maneiras de diminuí-lo é melhorando a infraestrutura, para isso, a participação do capital privado é muito importante. Já temos uma boa experiência disso em todo o país – disse, citando áreas como rodovias, portos e aeroportos.
Levy afirmou ainda que já é possível ver uma redução na expectativa da inflação para o ano que vem.
– Na parte do emprego, talvez tenhamos mais alguns meses de desafio. Toda vez que se tem um ajuste, durante um certo período você terá problema com emprego. Até que a pessoa saia do setor que não é competitivo para o setor que é competitivo há uma fricção – ressaltou. Fonte: Diário Catarinense/20.7.15.
Revolução em DNA chega a SC
A Startup Neoprospecta, do Sapiens Parque, em Florianópolis, É um dos dois laboratórios do país que iniciaram testes com o Minion, da Oxford Nanopore. Trata-se de um sequenciador de DNA menor que um celular que vai popularizar testes para as áreas de saúde, segurança e outras, diz o sócio da empresa, o cientista Marcos Oliveira Carvalho.
O que representa essa inovação?
Representa uma nova era para a medicina, segurança, agricultura e outras áreas. Esse sequenciador vai criar uma revolução tanto na medicina personalizada quanto na microbiologia, que é o nosso foco de trabalho, análise farmacogenética. Na parte de análises clínicas permitirá a identificação de bactérias e vírus com muita rapidez e, na epidemiologia, possibilitará análises em larga escala. Na agropecuária permitirá fazer sequenciamento para melhoramento de plantas e de animais. Também vai possibilitar avanço em controle de qualidade nas empresas, outra área em que atuamos.
Quais são as vantagens que esse sequenciador oferece?
É muito barato, custa US$ 1 mil, é portátil e pode ser utilizado em condições adversas. Os agentes de saúde podem usar para mapear epidemias. Isso é a área de microbiologia que já fizemos na Neoprospecta. Com certeza, posso dizer que ele vai representar uma revolução na medicina e em diversas outras áreas onde é utilizado o sequenciamento de DNA. Temos na Neoprospecta dois equipamentos que custam meio milhão de reais cada para fazer sequenciamento de DNA. O novo traz uma vantagem em termos manuseio e preparo da amostra, da química necessária para sequenciar o DNA e do contexto da análise também. Ele funciona ligado à tomada USB do computador. Nós estamos desenvolvedo um sofware acessório que permite, em tempo real, saber o DNA que está sendo sequenciado. O tempo que leva é em questão de minutos sobre o DNA que está sendo sequenciado.
Como o aparelho funciona?
O DNA passa por dentro de nanoporos e, à medida que isso acontece, ele vai sendo lido base por base. Isso é fenomenal. A equipe inglesa conseguiu uma inovação desruptiva, que utiliza o processo eletrônico para ler DNA por nanoporos. Eles investiram quase 200 milhões de libras em 12 anos de desenvolvimento e que hoje está se tornando realidade.
Como essa tecnologia poderá ser usada para identificar criminosos?
Um policial chega numa cena do crime e, com base em algumas evidências, quer ver se a pessoa que cometeu crime tem passagem pela polícia. Ele pode coletar material nas unhas da vítima, fazer uma purificação de DNA, colocar no equipamento, conectar no computaror, fazer o upload para o banco de dados e imediatamente descobrir se a pesoa foi atacada por fulano X ou Y que consta no banco de dados de DNA. Isso vai causar uma série de mudanças na questão forense.
De que forma vocês acessaram essa inovação?
Fizemos um esforço para participar. Só 500 laboratórios do mundo tiveram acesso em primeira mão. Fonte: Coluna Estela Benetti/Diário Catarinense/20.7.15.
Recuperação judicial, por *Lazar Halfon
No Brasil, as estatísticas recentes mostram que mais de 95% das empresas em recuperação judicial vão à falência. Uma avaliação de casos de recuperação judicial americanos, publicada pela Harvard Business Review em 2015, em que foram analisados 350 ocorrências protocoladas entre 2002 e 2011, mostra que 89% das empresas continuaram em operação após concluir os procedimentos legais previstos no Capítulo 11. Passados mais de 10 anos da lei de recuperação judicial, vale a pena uma reflexão sobre sua eficácia.
A diferença conceitual básica entre a antiga lei das falências, de 1945, e a atual lei de recuperação judicial, é que na antiga lei a “recuperação” ou falência da empresa era regulada unicamente pelo Judiciário, que fixava os prazos de pagamento (40% no primeiro ano e 60% no segundo ano), os juros e as demais condições para a liquidação dos débitos.
Na nova lei, o conceito básico é que as formas de recuperação são, ou deveriam ser, negociadas livremente entre os credores e a recuperanda, com algumas limitações e regulações do Judiciário, mas sempre visando à continuidade das operações da companhia. Só em caso de falência o Judiciário tomaria as rédeas do processo, já que a atividade empresarial não mais pode ser preservada.
Mas a verdade é outra. Como se vê no artigo 49 da lei, apesar de, no seu preâmbulo destacar que “Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos”, nos seus parágrafos ressalta que “todos os créditos” não são todos os créditos. E exclui, além das operações de câmbio, também o proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, o arrendador mercantil, o proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, o proprietário em contrato de venda com reserva de domínio e o crédito garantido por penhor sobre títulos de crédito, direitos creditórios, aplicações financeiras ou valores mobiliários, além dos créditos de natureza trabalhista, que deverão ser pagos no máximo em 12 meses.
Na prática, quase todas as operações bancárias estão excluídas dos efeitos da lei, e é isso que inviabiliza a efetiva recuperação das empresas.
*Empresário -Curitiba. Fonte: Diário Catarinense/20.7.15.
Ponta do iceberg
Nos bastidores da Polícia Federal e Ministério Público é dado como certo os desdobramentos da Operação Pecúnia, que apura inicialmente crimes eleitorais na região Oeste do Estado. Com o avanço das investigações, o mês de agosto será de desgosto para muitos nomes que ainda não apareceram, mas sabem que estão na mira da PF. Por toda Santa Catarina. Fonte: Coluna Rafael Martini/Visor/19.7.15
Falta dizer o nome
Antigamente, sem eufemismos, dizia-se que um “amigo do alheio” era um “ladrão” – aquele bandido que gosta de se apropriar dos bens da humanidade sem pagar a devida contraprestação. Hoje, no mundo do politicamente correto, é o eufemismo que prevalece. “Roubar” virou um “malfeito”. Cometer “um erro”.
Ora, “malfeito” pode ser um curativo, um trabalho manual. Ou “malfeita” pode ser uma cirurgia plástica ou uma feijoada.
Eufemismos nem sempre são politicamente corretos. Em política eles só servem para “amenizar” comportamentos que, não raro, estão capitulados no Código Penal.
O Brasil já não pode transigir com o uso correto para cada palavra, sob pena de não apenas de malbaratar a língua, mas o próprio patrimônio que ela representa: roubo é roubo, “malfeito” é eufemismo.
E se passássemos a chamar o “furto” de “descuido intencional para redistribuição involuntária de renda”?
Ou se o novo nome de “roubo” passasse a ser “apropriação indevida, mediante alguma violência, para convencer certas pessoas a deixar de ser tão ricas”?
“Chulé” passaria a ser “odor pouco agradável, exalado pelas glândulas sudoríferas nos dedos dos membros inferiores, mas sem a intenção de magoar olfatos sensíveis”.
Dentro dessa ótica de tolerância e de frouxidão moral, por que não tornar mais “palatável” uma expressão, digamos, indelicada?
Por exemplo: chamar alguém de “ladrão”… Coisa mais sem educação! Grosseira mesmo. Por que não aliviar um pouco o ladrão e chamá-lo de “agente expropriador de um bem supostamente alheio”?
Descobriram na Lava-Jato que diretores da Petrobras distribuíam “petrolões” ecumênicos, fornecendo “meios de campanha” para peemedebistas, petistas, pepistas e aves de outras penas.
Seria o caso da CPI interrogar esses delatores e aproveitar para atualizar o dicionário de “eufemismos de ocasião”, um jargão sempre útil nos dias que correm:
– O senhor pagou “petrolões” para os deputados gastarem na campanha?
– Eeeuu? Tudo o que fiz foi distribuir umas “verdinhas” com o fim específico de colaborar com “o coeficiente eleitoral dos partidos”…
Conclusão: ou acabamos com o eufemismo ou, como a saúva, o eufemismo acaba com o Brasil. Fonte: texto colunista Sérgio da Costa Ramos/Diário Catarinense/19.7.15
Para agilizar
O Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscon) de SC promoverá, em outubro e novembro, três mutirões de conciliação em processos de desapropriação para construção de rodovias federais. Os mutirões envolverão juízes e procuradores, além de engenheiros do DNIT, advogados e proprietários dos imóveis.
Está prevista a realização de 240 audiências em Jaraguá do Sul, Blumenau e São Miguel do Oeste, nessa ordem. Fonte: Coluna Moacir Pereira/Diário Catarinense/19.7.15.
Elogio ao ex
Longe do palanque, o ex-diretor do DNIT-SC João José dos Santos (PT), foi bastante saudado por colegas petistas durante a cerimônia de inauguração da Ponte Anita Garibaldi. Ele deixou o cargo em março de 2014. Sua madrinha, a ex-ministra Ideli Salvatti (PT), foi lembrada em uma faixa isolada ao pé da ponte. Fonte: Coluna Moacir Pereira/Diário Catarinense/19.7.15.
Cunha,a corda e a forca
Pressionado pela Operação Lava-Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vira um problema ainda maior para o governo. Na prática, Cunha sempre esteve mais para oposição do que para aliado, mas agora está disposto a se vingar. A ordem no Planalto é não confrontá-lo com declarações polêmicas, deixando que ele continue a desafiar o Ministério Público, a Justiça, a Polícia Federal e o próprio governo. A ideia, nos bastidores, é que Cunha possa se enforcar com a própria corda. Embora conte com uma bancada robusta, as perguntas que ficam são: qual deputado estaria disposto a bater boca com a PF ou com o MP? Quem arrisca morrer abraçado com Cunha? O presidente da Câmara nega que tenha recebido propina no esquema de corrupção. Investigadores da Lava-Jato, no entanto, afirmam que ele tem motivos para se preocupar. SC no Planalto/Carolina Bahia/19.7.15
Pedra no caminho
Em busca de informações sobre a Ferrovia Litorânea (traçado que ligaria os portos catarinenses) desde 28 de maio, o senador Paulo Bauer (PSDB) concluiu que o principal entrave está na FUNAI. Ele recebeu dados do Ibama, Dnit, Valec e ANTT e das empresas vencedoras da licitação para o projeto da obra. Fonte: SC no Planalto/Carolina Bahia/19.7.15
explicando
Antes de tomar uma decisão sobre a prorrogação do contrato do porto de Itajaí com a atual empresa, a Advocacia Geral da União (AGU) vai consultar o Tribunal de Contas da União (TCU). O contrato vence em 2022 e pode ser levado até 2025. Mas a empresa quer mais tempo para que o investimento de R$ 160 milhões seja viável. Fonte: SC no Planalto/Carolina Bahia/19.7.15
Pavimentando
O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, estará na próxima quinta-feira em Florianópolis para uma vistoria no corredor de ônibus da Capital e para anunciar liberação de recursos. Serão cerca de R$ 10 milhões para pavimentação em nove cidades, entre elas Blumenau, São Domingos, Xanxerê e São Lourenço do Oeste. E ainda haverá recursos para estudos e projetos de saneamento em Brusque. Fonte: SC no Planalto/Carolina Bahia/19.7.15.
Microprevidência chega a SC
Resgatando. Em 1999, eu era o presidente da Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas (Fampesc) e uma das demandas no Estado era crédito. O então governador Esperidião Amin decidiu lançar algo parecido com o microcrédito de Bangladesh. Surgiu o programa Crédito de Confiança. O Banco do Empreendedor foi a primeira ONG do programa. Em 2002, se tornou uma Oscip. Atua com crédito dirigido a micro e pequenos empreendimentos informais e os que têm dificuldades em acessar crédito no sistema financeiro convencional.
Em que regiões atua?
Temos 24 agências em diferentes cidades nas regiões de Florianópolis, Joinville e Oeste. Somos a maior rede do Estado. Encerramos 2014 com contratos em 111 cidades catarinenses e quatro paranaenses.
Por que o banco vai criar fundo de previdência complementar para o segmento?
De dois anos para cá, à medida que resolvemos estadualizar atendimento, identificamos em viagens internacionais que precisávamos sair da mesmice do produto microcrédito e entrar na microfinança. Identificamos várias carências como microsseguro (para anteder pequenos negócios com rapidez) e previdência complementar. Num primeiro momento, planejamos um plano de previdência para reter nossa equipe, que tem quase cem pessoas. Escolhemos como parceiro a Sul Previdência. Eles gostaram do nosso tipo de atividade, criamos o plano para a nossa equipe e, agora, estamos projetando outro para oferecer ao público da instituição e a outros interessados. Contamos com consultoria do advogado Alex Kravchychyn, que atua com a Sul Previdência.
Quando lançarão o plano?
Se tudo correr bem até o final do ano vamos lançar um produto inédito nas Américas. Somente na Índia há oferta de microprevidência. Estamos criando isso porque queremos oferecer ao empreendedor, inclusive ao Microempeendedor Individual (MEI), uma opção de renda melhor na aposentadoria do que só o INSS. Como o MEI vai viver na aposentadoria só com um salário mínimo? A gente concluiu que está na hora de investir em orientação financeira. Vamos oferecer um plano instituído para clientes de microcrédito e outros, por custo mais acessível que os do mercado financeiro.
Quantos clientes de microcrédito o banco tem hoje?
Temos 9 mil clientes ativos (com operação de crédito hoje). Nossa carteira é de R$ 27 milhões distribuídos a esses clientes. Financiamos todos os tipos de atividades. A maior demanda é por salão de beleza, mas até caminhoneiros solicitam. O limite de R$ 20 mil, mas a média não chega a R$ 3,5 mil.
A crise elevou a procura?
No primeiro semestre deste ano registramos demanda expontânea 20% maior do que no mesmo período do ano passado. Isso ocorreu porque os bancos convencionais elevaram os juros e o rigor nas liberações.
E o Juro Zero?
Somos o maior operador do programa Juro Zero do governo do Estado. Dos R$ 110 milhões liberados até há poucos dias, 25% fomos nós que emprestamos. Fizemos 11 mil das 37 mil operações. Nos familiarizamos com esse produto. Fonte: Coluna Estela Benetti/Diário Catarinense/19.7.15.
Burocracia contra os portos, por *Roberto Lopes
A aprovação das primeiras licitações de terminais portuários pelo Tribunal de Contas da União destravará uma série de investimentos no setor. Se considerarmos que mais de 90% de nossas exportações passam pelos portos, percebe-se a importância do setor para o desenvolvimento. Em Estados com um avançado parque industrial, com cargas que agregam valor e terminais ao longo da costa, como Santa Catarina, a relevância é ainda maior.
Desde o estabelecimento do novo marco regulatório, a Lei 12.815/2013, há uma grande aposta na concretização de investimentos para solucionar gargalos portuários, eliminando custos que minam a competitividade. A nova lei trouxe avanços como o fim da obrigatoriedade dos terminais privados movimentarem carga própria, mas seus resultados estão represados porque dependem de medidas que combatam a burocracia.
Entre os entraves, podemos citar a demora na renovação de concessões, a falta de critério na definição das poligonais de portos públicos (áreas sujeitas a um regime distinto), além da morosidade no licenciamento ambiental e nas regras para a expansão de instalações existentes.
Apesar de tudo, o setor privado tem feito a sua parte. A Logz Logística do Brasil, por exemplo, investiu mais de R$ 626 milhões nos últimos anos em terminais em Santa Catarina, gerando mil empregos diretos e 3 mil indiretos (com R$ 8,5 milhões pagos em tributos em 2014). Investirá mais R$ 1 bilhão nos próximos anos em terminais em solo catarinense. Dinheiro próprio, sem financiamento público.
Quando a Lei 12.815 foi sancionada, especulava-se que seria possível atrair R$ 40 bilhões para os portos numa década. A cifra é plausível, desde que busquemos juntos – iniciativa privada e poder público – soluções que desconstruam a burocracia que retém investimentos. Medidas assim serão tão ou mais importantes do que a Lei dos Portos. Para um Estado com o dinamismo de SC, esta deve ser uma agenda prioritária. *Empresário -Niterói (RJ). Fonte Diário Catarinense/19.7.15
Duas rodovias estão interditadas no Oeste
Duas rodovias estão interditadas no Oeste do Estado em virtude de deslizamentos provocados pela fortes chuvas que atingiram Santa Catarina no início desta semana. Os dois pontos ficam em Seara.
Um deles é no km 59,2 da SC-283, que liga o município a Arvoredo e Chapecó, próximo à ponte do rio Ariranha. O outro é no km 117 da SC-155 a três quilômetros da cidade de Seara.
O percurso de Itá a Seara precisa ser feito pela SC-154 e SC-283, o que aumenta o trajeto em 25 quilômetros. Já quem pretende ir de Seara a Chapecó precisa passar pela SC-155, passando por Xavantina, para pegar a BR-282. O percurso aumenta em 40 quilômetros.
O superintendente regional do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), Elio Godoy, afirma que os trabalhos estão a todo vapor e a intenção é liberar o tráfego na tarde de hoje na SC-383, em meia pista, já que ainda há risco de desmoronamento em um dos lados.
Na SC-155 o trânsito deve ser liberado apenas no final da tarde de segunda-feira, pois a tubulação de escoamento de água cedeu comprometendo o aterro da rodovia. Fonte: Darci Debona – Diário Catarinense – 18.7.15.
Atividade econômica foi estável em maio, afirma Banco Central
A atividade econômica ficou praticamente estável em maio. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), houve ligeiro crescimento de 0,03%. No ano, a retração é de 2,78%.
A estabilidade em maio veio depois de dois meses seguidos de queda. Conforme dados revisados, em abril comparado a março, houve retração de 0,88%. Em março, comparado a fevereiro, a queda ficou em 1,53%.
O IBC-Br incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária. O indicador oficial sobre o desempenho da economia é o PIB, que inclui mais dados e é elaborado pelo IBGE.
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves, a comparação em relação a 2014 não deixa dúvida de que a situação está ruim.
– O histórico de coincidências do IBC-Br com o PIB sugere essa queda de quase 2% no segundo trimestre. Já era sabido que seria pior do que o primeiro trimestre, mas a questão é o tamanho da queda – avaliou.
Para Lima Gonçalves, o PIB do segundo trimestre pode ter uma retração de quase 2%.
Fazenda projeta retração do PIB
Para o Ministério da Fazenda, o PIB terá retração de 1,5% em 2015. O BC projeta uma baixa de 1,1% para o período. Pelos cálculos da economista do Banco ABC Brasil, Natalia Cotarelli, o IBC-Br reflete o atual cenário econômico e ruim e indica uma queda do PIB entre 1,5% e 2% no segundo trimestre. Os números de junho tendem a reforçar esta estimava, segundo ela, confirmando que esse deve ser o pior trimestre do ano. Fonte: Diário Catarinense/18.7.15.
Com o resultado, ampliaram-se as apostas por uma nova elevação da taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dia 29.
SC tem saldo negativo no emprego em junho
A crise nacional demorou a chegar em Santa Catarina, mas os dados mais recentes do emprego refletem que o cenário de retração já causa efeitos no Estado. Pelo terceiro mês consecutivo, houve uma queda no número de empregos formais, de acordo com relatório do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em junho, 7.922 vagas foram fechadas, o equivalente a uma redução de 0,39% na mão de obra catarinense.
No entanto, no acumulado de janeiro a junho de 2015, o saldo de Santa Catarina segue positivo com 13.235 novas vagas criadas, principalmente na indústria e na área de serviços. A variação desde janeiro é positiva em 0,65%.
O setor que mais sentiu os cortes em junho deste ano foi o industrial, com 4.174 posições fechadas. A queda nas contratações foi encabeçada pelas indústrias têxtil, mecânica e de produtos farmacêuticos. Os serviços e comércio varejista também foram bastante afetados e ceifaram 3.206 empregos no período de 30 dias.
Os únicos setores que apresentaram leve aumento em Santa Catarina foram o da agropecuária com 452 novas vagas e o da administração pública com 11 novas posições.
Brasil tem pior resultado do mês
A situação atual do mercado de trabalho no Brasil vem se deteriorando de forma dramática, mas essa trajetória não é nenhuma surpresa, na avaliação do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Camargo Rosa.
No mês de junho, o Brasil fechou 111.199 vagas formais de emprego, segundo informou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o pior resultado para o mês da série histórica, desde 1992.
– Está ficando lugar comum, todo mês é o pior resultado para o mês na série histórica – diz o economista Camargo Rosa.
Ele acredita que a taxa de desemprego em junho, que será conhecida na semana que vem, deve ficar em 7% ante a taxa de 6,7% de maio e que haverá impacto nas negociações salariais. Fonte: Julia Ayres – Diário Catarinense – 18.7.15 – veja os dados.
Estaleiro de R$ 309 mi para o Norte de SC
Bola da vez em investimentos da indústria naval e portuária, a Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul deverá sediar mais um estaleiro. O projeto de R$ 309 milhões para construção e manutenção de embarcações marítimas de médio porte é da Empresa Brasileira de Arranjos Navais (EBN) constituída pelo empresário Augusto Leão Junior, ex-sócio da Mate Leão, de Curitiba, e das empresas Normacon e Brainteam. O empresário Augusto Leão e representantes das duas outras companhias apresentaram o projeto quinta-feira ao diretor financeiro do BRDE, Renato Vianna, e ao superintendente da instituição, Nelson Ronnie. Os investidores também encaminharam as solicitações de para licenciamento ambiental e adesão ao Prodec.
Hoje, a Baía da Babitonga conta com quatro projetos de peso que juntos devem somar investimento R$ 2,2 bilhões. Com este novo estaleiro, o montante sobe para R$ 2,5 bilhões. Estão em fase de instalação a expansão do Porto de Itapoá orçada em R$ 500 milhões e terminal privado junto ao Porto de São Francisco, de R$ 600 milhões. Em fase de licenciamento ambiental há os projetos do estaleiro CMO, para construir plataformas, no qual serão investidos R$ 600 milhões; mais o TGB, Terminal Graneleiro Babitonga, de R$ 500 milhões.
O plano da EBM consiste em um estaleiro para construção, revisão e manutenção de embarcações de apoio a operações no mar. A área que abrigará o projeto tem 80 mil metros quadrados e acesso pela baía. Para futura expansão, será possível ocupar 450 mil metros quadrados. Conforme os investidores, o estaleiro vai priorizar inovação tecnológica. Uma delas é o sistema shiplift de retirada e transferência das embarcações do mar para local seco onde são feitos reparos e, também, intervenções com plataforma submergível, corte, solda e moldagem de chapas para construção de cascos. Fonte: Coluna Estela Benetti/Diário Catarinense/18.7.15.
A lógica de Cunha e a do PMDB
Ao promover um rompimento oficial com o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) protagonizou mais um de seus momentos de esperteza política. Acusado pelo delator Júlio Camargo de cobrar R$ 5 milhões de propina, o peemedebista conseguiu jogar sua própria crise no colo de Dilma Rousseff (PT), acusando o governo da petista de ter manobrado nos bastidores para que fosse incluído no longo rol de suspeitos da Operação Lava-Jato.
Paranoias à parte, mudou o foco de um escândalo que pertencia apenas a ele mesmo. Na prática, o rompimento de Cunha com o governo federal já existia nas inúmeras votações que ele patrocinou contra os interesses do Planalto – terceirização, reforma política, maioridade penal, etc. A novidade é a disposição anunciada de defender, em setembro, na convenção nacional do PMDB, que o partido deixe a base de apoio do governo federal. Se for consumado, desmorona o pouco esteio político que mantém em pé o governo Dilma.
Curioso é que em plano estadual existe um movimento inverso. Adversários desde 2003, quando o PT se recusou a integrar o governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – que ajudara a eleger no ano anterior –, peemedebistas e petistas nunca estiveram tão afinados. A costura que levou Djalma Berger (PMDB) e Claudio Vignatti (PT) para o comando da Eletrosul é o sinal mais evidente disso. Pré-candidatos do PMDB ao governo estadual, o senador Dário Berger e o deputado federal Mauro Mariani contam com essa costura, já vislumbrando uma disputa contra o atual sócio governista PSD em 2018. Também cotado, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira é mais reticente.
Movimentos opostos, quando se trata de PMDB, são estratégia de sobrevivência. Mesmo a cartada de Cunha em Brasília foi seguida de panos quentes do vice-presidente Michel Temer e outras lideranças do partido, que qualificaram a posição do parlamentar como pessoal. Há alguns anos, em outro contexto, um importante peemedebista de Santa Catarina, citado neste texto, dizia que “o PMDB nunca vai unido para lugar algum”. É a regra de ouro que mantém o partido no poder. Qualquer poder.
Cena do passado
Um deputado federal vai ao microfone de apartes do plenário e se dirige ao presidente da Câmara nos seguintes termos:
– A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil, um desastre para a imagem do Brasil. Vossa excelência ou fica calado, ou começa a ficar calado, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo.
O deputado era Fernando Gabeira, o presidente era Severino Cavalcanti. Hoje, silêncio. Fonte: Coluna Moacir Pereira/Upiara Boschi/Diário Catarinene – 18.7.15.
Crime organizado, por *Sérgio Schmitt Cardoso
Fala-se muito da existência do crime organizado e das suas mirabolantes façanhas no confronto com o Estado e o Poder. Façanhas essas que acabam sendo a chave de liberação de verbas extras para a segurança pública dos Estados. Isso, que vem se repetindo há muitos anos e em vários lugares do Brasil, pode ser simbolizado pela equação: crime organizado + rebelião = mais verbas para a segurança pública.
O que nos parece é que o crime não pode parar, senão se reduziriam as verbas da segurança. Logo, o crime organizado vem sendo o fomentador de verbas para o devaneio dos cofres públicos, aliado aos interesses empresariais, que se deliciam com as verbas da segurança pública, dispostas em fartos editais de licitação, principalmente, na compra de bens materiais diversos. E obras? Nada.
Crime organizado? Ora, se compararmos as duas forças, veremos que há um grande paradoxo entre uma e outra. O Estado com as duas polícias (Civil e Militar), com técnicos na sua maioria com curso médio e superior. Todos livres, ostensivamente bem armados, tendo à disposição um arsenal bélico para as operações e fácil mobilidade (automóveis, viaturas, helicópteros etc.). Como se não bastasse, ainda há as guarnições especiais e de inteligência, aparatos de investigação e órgãos auxiliares aliados ao tecnicismo do Ministério Público e ainda, se precisarem, o apoio nacional das Forças Armadas. Além, é claro, de um polpudo orçamento à disposição das secretarias de segurança pública. Agora, pasmem. O crime organizado é composto por um bando de analfabetos de origem pobre e que vive nas periferias, em quase guetos. Não precisa dizer que são indivíduos oriundos da exclusão social. Logo, são pessoas de difícil mobilidade e comunicação – até porque a maioria está nas prisões. A disparidade de forças é muito grande, basta medir as capacidades econômica, intelectual e bélica.
Logo, o crime só é organizado quando comparado à desorganização, incompetência e desídia do Estado e das suas forças políticas vorazes, descomprometidas com a população. Fonte: *Advogado Araranguá/Diário Catarinense/18.7.15.
Parlamentarismo, não
Parlamentarismo? No Brasil, só se for sem parlamentares. Alvo da Operação Lava-Jato, o Congresso, liderado por dois “investigados”, vinga-se do Brasil votando projetos-bomba, que aumentam irresponsavelmente as despesas públicas.
Parlamentarismo com Renan Calheiros e Eduardo Cunha? E mais de 300 picaretas? Esqueçam. Nos EUA, o Parlamento alberga-se no Capitólio, nome emprestado da mais elevada das colinas de Roma. Em Londres, a democracia se irriga no Tâmisa, em cuja beira está a morada dos legisladores, propriamente conhecida como a “Câmara dos Comuns”.
Aqui, no Planalto Central, nosso “Capitólio” é um anão institucional e nossos comuns, “incomuns”.
A Inglaterra teve Oliver Cromwell, pai da Monarquia Parlamentarista, que acabou com o Absolutismo. Os Estados Unidos tiveram Thomas Jefferson e a hegemonia de uma Constituição eternamente respeitada.
Aqui na Terra Papagallis temos o Renan Calheiros e o Eduardo Cunha, que representam a si mesmos e duelam um contra o outro – e os dois contra o Brasil, revelando ao mundo uma caricatura de Parlamento.
Sempre que pôde contar com presidentes decorosos e respeitáveis – um Nereu Ramos, um Afonso Arinos de Mello Franco, um Tancredo Neves, um Ulysses Guimarães –, o Parlamento brasileiro escreveu capítulos de uma vigorosa democracia na oscilante história da República. Mas as instituições têm beirado o desastre sempre que sobe à presidência dessas casas, a alta ou a baixa, gente do quilate de Calheiros e Cunha, e outros nomes de triste lembrança, como Severino Cavalcanti – alguns dos quais não terminaram seus mandatos de chefes legislativos: foram obrigados a apear em meio a cabeludos escândalos.
O Parlamento brasileiro vai se identificando com o apodrecido organismo das “máfias”, enquanto a população, estarrecida, assiste a um espetáculo hamletiano, no qual lhe caberia repetir a exclamação de “Marcelo”, logo no primeiro ato da peça shakespeariana:
– Há algo de podre no reino da Dinamarca… E no reino do Congresso…
Havia traição, incesto, usurpação do trono, fraude, assassinato, perfídia. Em Brasília há preguiça, chantagem, pantomimas, CPIs inócuas e a incapacidade de votar e trabalhar.
Fonte: texto colunista Sérgio da Costa Ramos – Diário Catarinense – 18.7.15