Florianópolis, 9.4.14 – Há 36 dias, um novo cronograma de obras da Ponte Hercílio Luz chegava à sede do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra). Em seis folhas, a construtora Espaço Aberto tentava provar, em dados técnicos que, apesar dos atrasos iniciais, era possível entregar o patrimônio até dezembro, conforme a proposta inicial. Urgente à época, a análise do documento até hoje não foi concluída pelo Deinfra.
O presidente do órgão, Paulo Meller, diz que a averiguação do cronograma foi dividida em duas etapas devido à complexidade da obra de restauração. Apenas uma teria sido levada até o governador Raimundo Colombo. A segunda, ainda em análise, não tem data para ser finalizada.
| DC está de olho |
| O Diário Catarinense tem acompanhado o passo a passo dos entraves |
| 25 DE FEVEREIRO |
| Após o governador Raimundo Colombo ameaçar rescindir contrato com a empresa responsável pelo restauro da Ponte Hercílio Luz em decorrência do atraso nas obras, o presidente da construtora responsável, Espaço Aberto, Paulo Ney Almeida, garantiu que as obras não iriam atrasar e que empresa faria as adequações necessárias no cronograma de trabalho para isso. |
| – Já analisamos a situação e constatamos que é possível entregar a obra em dezembro para abertura do fluxo de veículos – disse. |
| A partir disso, o governador Raimundo Colombo deu nova chance à Espaço Aberto, estabelecendo prazos para a empreiteira apresentar o novo cronograma. |
| 5 DE MARÇO |
| Engenheiros do consórcio protocolaram o novo cronograma no Deinfra, que iria verificar se o que estava no documento era realmente possível de ser colocado em prática, a partir de uma análise que levaria entre uma e duas semanas. |
| O presidente do departamento, Paulo Meller, e o engenheiro Wenceslau Diotallévy, fiscal que desde 2008 acompanha as obras na ponte, relacionaram os nomes dos consultores que iriam ajudá-los a |
| analisar a fundo os novos prazos propostos pela empresa em uma força-tarefa. |
| O próximo passo era apresentar o cronograma ao governador com uma análise sobre se seria realmente possível entregar a obra até o final de 2014. Durante a entrega, o engenheiro da empresa, Gleison Lemos, reafirmou que a obra seria entregue em dezembro, e que se faltasse algum acabamento, este seria feito com o tráfego liberado. |
“Não podemos falar em datas ainda”
Entrevista com Paulo Meller, presidente do Deinfra
Em entrevista por telefone, Paulo Meller desistiu de dar prazos concretos: não sabe quando termina a análise do cronograma nem garante mais que as obras da ponte serão concluídas este ano.
Diário Catarinense – O cronograma da obra já foi apresentado ao governador?
Paulo Meller – Já apresentei informalmente a ele uma primeira etapa do cronograma, que chamamos de Ponte Segura – que é o que está em andamento agora, com os quatro blocos que levantam a estrutura para sustentar o vão central. Essa parte está pronta e OK. Paralelo a isso, estamos analisando o restante do cronograma apresentado por eles (Espaço Aberto).
DC – E por que não se analisou todo o cronograma de uma vez?
Meller – Porque a partir do momento que a gente conclui, o cronograma é parte integrante do contrato e tem que ser seguido à risca. Aí não posso depois penalizar a empresa por uma coisa que a culpa não é dela. Vou te dar um exemplo: a Usiminas é que vai produzir o aço para as barras de olhais. Esse aço não é uma produção que ela faz normalmente. A empresa vai ter que parar de produzir o que ela faz para fazer algo especial para nós. Depois disso, esse aço bruto vai para outra empresa do mesmo grupo que também vai parar o que está fazendo para cortar do tamanho que queremos, fazer os furos, tirar os cantos, colocar resina para acabamento. É complexo.
DC – Mas isso já não deveria ter sido levado ao governador? O cronograma está com vocês para análise desde o dia 6 de março.
Meller – Eu levei ao governador a situação e a nossa ideia de dividir a análise do cronograma em duas partes e ele entendeu. Não posso botar o governador em fria. Não vou levar a ele uma data que pode não se cumprir. Para isso preciso estar seguro das coisas. Estamos tratando de uma ponte de mais de 80 anos. Nós ainda vamos ter surpresas durante a obra, não tenho dúvidas.
DC – Mas na época se falou em urgência. O Deinfra não encarou como urgência?
Meller – Encaramos como urgência. Tanto é que o governador quis rescindir o contrato. Mas demos um voto de confiança para a empresa, que nos apresentou uma nova proposta. O que temos acordado com ela agora está sendo cumprido.
DC – E esta segunda etapa da análise vai ser concluída quando?
Meller – Quero que seja o mais rápido possível. Não posso dar prazo. Daqui a pouco surge outra coisa aqui e ali e estou com um volume muito grande de obras. São mais de 200 aqui no Estado.
DC – Existe alguma chance desse contrato ser rescindido?
Meller – Não posso te afirmar isso porque a empresa, hoje, está fazendo aquilo que acordou conosco. Na parte da ponte segura, ela não está atrasada.
DC – E quais as chances da obra não ser entregue no prazo?
Meller – Não posso te afirmar ainda. Mas em breve vou procurar vocês e vou dizer. Não dá para dizer ainda, tá?
DC – Mas os planos de se entregar este ano ainda, já foram descartados?
Meller – Descartado, não. Mas estamos analisando com muito carinho isso. Não podemos falar em datas ainda. Preciso dessas outras informações, das empresas, fornecedores e fabricantes.
DC – É isso que poderia provocar mais um atraso?
Meller – Não só isso. É isso, equipamentos, outros testes que precisam ser refeitos. Essa obra é muito complexa. Tenho 32 anos de engenharia e esse é o maior desafio da minha vida profissional.
Fonte: Sâmia Frantz/ Diário Catarinense
Acidentes com cargas são alvos de saques pelo menos uma vez por mês no Vale do Itajaí
Dezenas de pessoas cometem furtos coletivos em acidentes de trânsito nas rodovias da região sem se dar conta que é crime e que estão desrespeitando as vítimas.
Das embalagens que custam pouco mais de R$ 3 nos supermercados, ficaram no chão somente as garrafas que arrebentaram na colisão frontal entre um caminhão e um Sandero. O motorista do carro, Laércio Bompani, 46 anos, morreu e ainda estava preso às ferragens quando moradores do entorno e pessoas que passavam pela rodovia começaram a tomar para si as embalagens do chão.
A imagem chocante é uma amostra do que acontece ao menos uma vez por mês na rodovia, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Dezenas de pessoas cometem furtos coletivos sem se dar conta do crime ou do desrespeito às vítimas. A professora do Departamento de Psicologia da Furb e doutora em Psicologia Social Catarina Gewehr, explica que este comportamento é resultado da imitação de ações, ignorando a consequência:
— É o Maria vai com as outras. E como o texto da lei não consegue inibir, escorregamos para a situação não permitida pela lei, porque não punição.
Foi essa reação quase impensada de imitar que motivou cerca de cem pessoas no saque à carga do caminhão segunda-feira em Gaspar. Uma senhora de 56 anos, moradora próxima do local do acidente chegou a dizer que sentia muito pela vítima, depois de já ter levado algumas garrafas de refrigerante que estavam no caminhão tombado para casa.
Outra dona de casa de 41 anos que vinha de São João Batista para Blumenau chegou ao ponto de pedir ajuda para recolher o material. Depois de acumular cerca de 30 garrafas ela ligou para o marido vir de Blumenau buscar de carro mais garrafas. Outros carregaram de carrinho de mão os refrigerantes.
Acionado para remover o veículo tombado, o proprietário do caminhão guincho Robson Tomazini, 49, chegou ao km 40 da rodovia cerca de meia hora depois do acidente. Encontrou a carreta com os rodados para o alto, atravessada nas duas pistas e dois agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) pedindo a quem recolhia refrigerante aos fardos sob a carroceria que saísse da pista para que o caminhão fosse retirado.
— As pessoas perderam o respeito. Ninguém mais pensa em ninguém — avalia Tomazini.
O agente da PRF Daniel Veloso calcula que mais de 100 pessoas pararam, pegaram as garrafas da pista e seguiam. O proprietário da mercadoria explica que acidentes com tombamentos e saques (ou tentativas) ocorrem pelo menos uma vez ao mês na área do Posto de Blumenau da PRF na BR-470.
Saque pode dar oito anos de cadeia O chefe da Central de Polícia de Blumenau, Bruno Effori, explica que as pessoas só podem levar cargas do local com consentimento prévio e sem uso de violência.
– É furto se não houver autorização e a penalidade aplicada pode ser de até dois a oito anos de reclusão, pela característica de multidão do saque.
O inspetor da PRF Claudir Beninca explica que os agentes registram um boletim de ocorrência e encaminham vídeos e imagens do saques para a Polícia Civil.
Fonte: Sarita Gianesini/ Jornal de Santa Catarina (colaborou Victor Pereira)
Sem estrada
Encostas perigosas, ameaças de avalanche de barro, veículos e pedestres à mercê do abandono das obras da SC-403, que há 10 dias não enxergam um único carrinho de mão.
Custa a crer que o governo não exerça o seu direito de rescindir o contrato da licitação, por óbvio descumprimento de prazos e até pela falta de um canteiro de obras minimamente ativo.
Tudo o que a contratada deixou, neste momento, foi uma armadilha para veículos e pedestres numa curva em que o entulho já invadiu a pista à espera de duplicação. Por que os ritmos tão diferentes, entre as obras da SC-401 – duplicada de Jurerê a Canasvieiras em nove meses – e a atual inércia?
Fonte: Sério da Costa Ramos/ Diário Catarinense
Há controvérsias
Tudo bem que do ponto de vista administrativo não foi registrado nenhum problema fora da curva, mas há quem questione a dita eficiência do DNIT nas obras federais em SC. Mesmo excetuando-se a histórica demora da duplicação da BR-101, dá para citar a BR-470 a passos de tartaruga, sem falar então da BR-280. No Oeste, as obras na área urbana de Xanxerê estão abandonadas, com um viaduto pela metade.
Fonte: Rafael Martini/ Diário Catarinense
Futuro dos carros com autopeças de SC
Apesar do empenho para disseminar carros elétricos, mais ecológicos, os veículos do mundo vão girar, ainda por um bom tempo, com motores movidos à combustão interna, tendo como combustíveis o diesel, a gasolina, o etanol e outros. Essa é a visão da Tupy, multinacional de Joinville, líder no hemisfério ocidental na produção de blocos e cabeçotes de motores. A companhia é fornecedora de boa parte das montadoras do Brasil, EUA, Europa e até do Japão, com projetos de longo prazo para carros, caminhões, ônibus e pick-ups. Segundo o vice-presidente de Suprimentos e Logística da companhia, Julio Cesar de Oliveira, a expectativa é de que os motores à combustão sigam por pelo menos mais duas décadas. Segundo ele, a descoberta do gás de xisto nos EUA deve atrasar as mudanças, porque o país não terá tanta pressa para alterar a matriz energética. Apesar desse cenário, a Tupy investe para aprimorar a qualidade. Hoje, por exemplo, ela recebe num evento, em Joinville, 250 dos seus mais de 3 mil fornecedores no Brasil. O objetivo é apresentar a empresa e mostrar a nova fase, agora ainda mais voltada à inovação e ao alto padrão porque passou a integrar o novo mercado da Bovespa ano passado, o que a coloca num patamar mais exigente. Há dois anos, a empresa comprou fábrica no México, o que a colocou entre as multinacionais brasileiras. A Tupy teve receita de R$ 3,1 bilhões no ano passado, emprega mais de 13 mil pessoas e só 33% da sua receita é obtida no mercado brasileiro.
Fonte: Estela Benetti/ Diário Catarinense
Mudança de nome
Com relação à nota “Mário Covas” desta coluna, ontem, a assessoria do deputado Esperidião Amin informa que ele apresentou em 29 de agosto de 2013, projeto de lei nº 6217/2013 que vai ao encontro do que Cacau sugeriu. A proposta em tramitação na Câmara dos Deputados “denomina Rodovia Doutora Zilda Arns, o trecho da rodovia BR-101 no Estado de Santa Catarina”, já teve parecer aprovado por unanimidade na Comissão de Viação e Transportes e se encontra atualmente na Comissão de Cultura aguardando parecer.
Fonte: Cacau Menezes/ Diário Catarinense
Nova equação
Grupo técnico do Plano de Mobilidade da Fiesc estuda mudança na forma de cobrar pedágio nas rodovias catarinenses para submeter à Antt. De praça fixa para quilômetro rodado, por exemplo. Todas as alternativas serão apreciadas, garante o presidente da Câmara de Transporte e Logística e vice-presidente da federação, Mario Cesar de Aguiar. A Fiesc não tem posição fechada e vai bancar a discussão técnica. Para isso, convidou os diversos atores, da Auto Pista Litoral Sul à OAB, até porque é possível que algumas propostas impliquem em mudanças no contrato de concessão.
Um quinto
Esperidião Amin, que acaba de assumir a coordenação do Fórum Parlamentar Catarinense, valida a conta feita pela Prefeitura de Biguaçu. Segundo ele, a Auto Pista Litoral Sul poderia simplesmente deixar de lado a cobrança na nova praça de pedágio em Palhoça. Em torno de 21% do valor arrecadado ainda não foi investido pela concessionária, de modo que, cortar uma das cinco praças na BR-101, seria a forma de compensar esse excedente.
Fonte: Adriana Baldissarelli/ Notícias do Dia (edição de ontem 08/04)