Florianópolis, 4.6.15 – Que fatores atraem investimentos para um país? Bons fundamentos macroeconômicos, estabilidade política e institucional, boa nota nas agências de risco e infraestrutura adequada. A resposta parece óbvia, mas deixou de ser com a entrada da China no clube dos grandes investidores.
O comportamento chinês vai em direção oposta. Começou com o financiamento do megadéficit americano nas transações correntes, formando maior carteira de dólares do planeta. A Argentina ameaça não reconhecer sua dívida? É com ela que a China fecha acordo. Cuba está isolada, a Venezuela está quebrando com a queda do preço do petróleo? É para lá que vai. Assim também ocorre com os países africanos “desajustados” pelo padrão acima, dos quais os chineses já são o maior parceiro comercial. A China faz isso porque sabe que, quanto mais fragilizado estiver o parceiro, mais tende a ganhar. E faz isso porque tem projeto: o país precisa crescer para enfrentar seus graves problemas sociais. Enquanto aqui o desenvolvimentismo é execrado e usado como xingamento, lá está na ordem do dia. O país, em poucas décadas, ganhou mais de 20 posições no ranking global do PIB. Só perde para os EUA e deve se tornar, em breve, a maior economia do planeta. Para tanto, ignora os conselhos ortodoxos: o mercado é estimulado, mas regulado. O fomento à produção cabe a seu banco estatal, o maior do mundo. Aqui, desindustrialização é considerada algo natural e inevitável. Lá, a indústria é prioridade para alavancar crescimento e progresso tecnológico. Sua política externa é pragmática e sem reciprocidade: quer liberdade para investir fora, mas dificilmente abre o mercado – seu maior patrimônio real e potencial. Quer comprar terras e construir estradas no Brasil – mas um brasileiro tornar-se latifundiário na China só é possível em delírio. Compra-nos soja e minério de ferro, mas in natura, pois o valor agregado do beneficiamento é deles. Não quero ser estraga-prazer e criticar o acordo recente. Claro que se deve negociar com a China – e com todo o mundo –, ainda mais na situação crítica atual. Mas com muita atenção. Mostra a experiência que o bom negócio é sempre para a China. Ah, o acordo prevê exportação de aviões. Bem, mas a Embraer é uma das últimas empresas restantes da época em que o Brasil, como a China de hoje, tinha projeto de desenvolvimento. *Professor titular do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRGS
Fonte: Diário Catarinense (Pedro Fonseca)
Juro sobe e já é igual ao da crise
Banco Central aumentou a Selic em 0,50 ponto percentual, em um ritmo de alta aguardado pelo mercado financeiro. A última vez que a taxa esteve nesse patamar foi em dezembro de 2008, no auge da turbulência financeira internacional
Apesar do ritmo lento da economia e da retração do mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2015, o Banco Central elevou a taxa básica de juro mais uma vez. O Comitê de Política Monetária (Copom) subiu a Selic de 13,25% para 13,75% ao ano – a maior desde a crise econômica internacional em 2008.
O aumento – o sexto consecutivo – era esperado por analistas do mercado financeiro. Com uma taxa mais alta de juro, o Banco Central (BC) tenta controlar o crédito e o consumo, atuando assim para segurar a inflação, que em abril registrou 8,13% em 12 meses, bem acima do teto da meta estabelecida pelo governo, de 6,5%. A dúvida maior de especialistas era sobre o tamanho da dose que seria administrada pelo BC para segurar o avanço dos preços em um momento delicado para a equipe econômica. Cinco dias atrás, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que a economia brasileira encolheu 0,2% entre janeiro e março. Ontem, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE apontou que a taxa de desemprego chegou a 8% em abril. A nova alta do juro deve tornar o cenário mais complicado porque impacta diretamente o consumo das famílias e o investimento de empresas, que já vem encolhendo desde o início de 2015. A Selic é uma taxa de referência para aplicações e empréstimos.
“O novo aumento de juros acontece, apesar do baixo nível de atividade na economia, para evitar remarcação de preços e impedir o retorno de um nível maior de indexação, quando uma inflação passada é repassada para frente, como aquele existente na década de 1980. É uma questão de expectativa, mas importante”, afirma Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados.
Apesar do aumento do juro, o próprio Banco Central já admite que a inflação não chegará a dezembro dentro da meta. Do lado da atividade econômica, analistas dão como certo de que o país deve entrar em recessão, a exemplo do registrado no ano passado. A chamada recessão técnica se caracteriza por dois trimestres seguidos de contração do PIB.
Fonte: Diário Catarinense (Cadu Caldas)
Estado exporta mais…
As exportações de Santa Catarina somaram US$ 758,3 milhões e 601,1 mil toneladas em maio, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).No acumulado entre janeiro e o mês passado, o Estado vendeu US$ 3,3 bilhões e 2,79 milhões de toneladas – em 2014, no mesmo período, o resultado tinha sido de US$ 3,6 bilhões e 2,59 milhões de toneladas. Nas duas comparações, a mesma tendência: o Estado está vendendo mais para fora do país em peso, mas faturando menos.
… Mas recebe menos
Basta analisar os principais itens vendidos por Santa Catarina para notar que o mercado externo está pagando menos pelos produtos. Na liderança das vendas de janeiro a maio deste ano, os pedaços e miudezas comestíveis de galos/galinhas congelados somou US$ 457,3 milhões e 253,3 mil toneladas – frente a US$ 519,7 milhões e 251,3 mil toneladas em igual período do ano passado. Ainda que o estado
esteja vendendo mais e faturando menos, para o exportador o momento atual é positivo, já que o dólar variou entre R$ 2,98 e R$ 3,19 em maio deste ano, contra R$ 2,21 a R$ 2,25 em maio de 2014.
Fonte: Notícias do Dia (Panorama – Alessandra Ogeda)