Florianópolis, 30.6.15 – Às vésperas de completar seis meses do segundo mandato, o governador Raimundo Colombo (PSD) tentou equilibrar o otimismo com o futuro e a preocupação com os efeitos da crise econômica sobre a arrecadação do Estado. Em entrevista aos jornalistas Rafael Martini, Renato Igor e Upiara Boschi, do Grupo RBS, falou sobre medidas como a antecipação do 13o e o projeto que extingue 217 cargos não preenchidos nas secretarias de Desenvolvimento Regional (SDR). Ao manter pelo nono ano consecutivo a antecipação do pagamento da primeira parcela, o governador espera a injeção de R$ 364,9 milhões na economia, ajudando a recuperar o fôlego. Ao mesmo tempo, o corte de cargos nas SDRs aponta para a necessidade de reduzir o custo da máquina. A essas 217 vagas – 106 cargos de confiança e 111 funções gratificadas – somam-se outros 60 extintos pela fusão das agências reguladoras Agesc e Agesan, que deve ser votada esta semana. Colombo também falou dos desafios da administração e das dificuldades impostas pela queda na arrecadação, além das reformas que ainda pretende promover – como a da previdência e o fim da licença-prêmio.
Hoje vivemos em um ambiente negativo na área econômica. De que forma isso afeta Santa Catarina?
Nós temos grandes desafios pela frente porque também somos atingidos. É claro que a economia catarinense é bem diversificada, o que é um fator positivo. Por outro lado, o governo do Estado assume um papel importante neste momento que é injetar recursos na economia, fazer com que a gente minimize os efeitos da crise, que nenhum catarinense perca emprego e, se perder, que consiga encontrar um novo emprego. Por isso, estamos fazendo um movimento muito grande. Quero agradecer aos secretários da Fazenda, da Administração e da Casa Civil. A nossa ideia é: o desafio nós temos, mas estamos animados, estamos lutando, nós vamos resistir e vamos superar a crise.
Como o senhor pretende injetar recursos?
Dia 17 de julho nós vamos pagar 50% do 13º. É um recurso disponibilizado para 151 mil servidores ativos, inativos e pensionistas. Com esse pagamento injetaremos R$ 370 milhões na economia. Considerando o salário de junho e 13o em julho, neste período de 30 dias, nós vamos desembolsar R$ 2,1 bilhões para tentar girar o mercado. Hoje, os levantamentos da iniciativa privada têm previsto um investimento da ordem de R$ 2,7 bilhões na economia catarinense, o setor público, governo do Estado vai investir R$ 3 bilhões. Estamos fazendo a nossa parte, tentando achar setores da economia como fizemos agora com a geração de energia, simplificando, arrumando recurso, comprando energia. Sexta-feira disponibilizamos o recurso por microcrédito que é um setor que imediatamente ativa, gera capital de giro e empregos. Nosso esforço é minimizar os efeitos da crise porque ela está perigosa. Para o terceiro trimestre (julho, agosto e setembro), a previsão é muito pesada. Em junho de 2015 foi a pior arrecadação, com crescimento que não chega a 2% nominal.
Como vocês estão manejando a Lei de Responsabilidade Fiscal?
Nós estamos reduzindo a despesa, inclusive tem um plano de demissão incentivada com resultados excepcionais, e nós estamos mandando um projeto de lei esta semana para Assembleia Legislativa eliminando cerca de 300 cargos comissionados. Nós estamos nos ajustando, mas estamos no limite. Na verdade, todos os Estados e municípios estão nessa situação. Cerca de 220 dos 300 são nas secretarias de Desenvolvimento Regional. Na fusão de agências tem mais 60, mas isso é só uma etapa, vamos fazer mais que isso.
Qual passa a ser o papel das SDRs?
Elas vão crescer em importância. A ideia é transformá-las em agências regionais de desenvolvimento. Vamos atribuir algumas funções específicas que a eficiência de presença aumenta, por exemplo, manutenção de estradas, escolas e espaços físicos. Terão autonomia para executar, passaremos recursos financeiros e haverá um conselho dos órgãos de governo que terá obrigatoriamente que fazer uma reunião por mês. E nós já estamos fazendo um ciclo de palestras. Semana passada estive em Blumenau. Cada secretário está indo um dia em algum lugar, levando temas para fazer uma preparação para o futuro de Santa Catarina na verdadeira função de catalisadora do desenvolvimento, de debate da região como uma agência regional de desenvolvimento.
Quais são esses cargos?
Em algumas regiões tinha gerente regional de turismo. Não são todas que precisam. Outras não precisam da agricultura. Então você procura colocar no exato tamanho daquilo que é prioridade para a região. Fizemos adaptações priorizando o que é importante para cada comunidade.
Há atraso em repasse de verba federal para SC. O governo federal não está fazendo os repasses para o projeto do Minha Casa Minha Vida aqui em Florianópolis e o empreiteiro abandonou a obra. Não tem como cobrar mais?
O ministro da Fazenda esteve em SC e construiu uma parceria com o governo. Ele reuniu empresários daqui, fez uma exposição da realidade financeira do Estado e o ajuste fiscal se impõe como uma coisa necessária para que a economia reaja a curto prazo. De fato está havendo atraso de repasses em algumas obras que serão corrigidas ao longo do tempo.
No início do ano o senhor falou em acabar com a licença- prêmio, mexer na previdência estadual porque não fecha a conta. Como está isso?
No ano passado tiramos do caixa do Tesouro R$ 3 bilhões, R$ 250 milhões por mês, e a conta não fecha. Todos os Estados estão quebrando. A Grécia faliu com 13% do PIB, nós estamos acima de 10% de déficit de Previdência. Se mandarmos um projeto por lei simples para a Assembleia, vai todo mundo para lá e ninguém vai votar. Estamos reunindo os líderes, conversando com os servidores e mostrando que a situação vai se agravar. Se a gente fizer agora e começar para o futuro já é uma forma de resolver. Tem bastante coisa, com o tempo a gente vai ajustando, como com o processo de aposentadoria incentivada. O grande problema é de fato a previdência, mas o Estado de SC é o mais equilibrado do Brasil. Percebemos a crise em outubro do ano passado. O último trimestre de 2014 já foi um trimestre de queda de receita e este semestre tivemos uma melhoria em abril. Depois voltou a cair e o próximo trimestre será muito perigoso.
SC está a atrasando algum tipo de pagamento?
Não, nós estamos com nossas contas em dia. Algumas obras o governo federal não pôde continuar em parceria, mas está nos ajudando em outra. Eu poderia fazer o discurso fácil, dizer “não veio o dinheiro da ponte de Ilhota e o da estrada dos Ingleses também não”. Quando há parceria e quando o objetivo comum é fazer com que as coisas cheguem, eu acho que o consenso é sempre melhor. A fase é tão difícil que se todo mundo ajudar, menos pior fica. E o que nós precisamos apresentar à sociedade é resultado, é melhorar e isto estamos conseguindo. Estou muito satisfeito.
O efetivo da Polícia Civil ideal é estimado em 6 mil homens, hoje são 3 mil. A PM passa pelo mesmo dilema. O que pode ser feito para retomar uma situação de maior segurança para a sociedade?
Esse é um dos grandes desafios que a gente tem. Saíram os indicadores em nível nacional e o Brasil aumentou bastante a violência. Em 90% das ocorrências há relação com as drogas. O Ceará foi o Estado mais violento. A mais baixa do país foi Santa Catarina, mas temos que continuar o esforço e fazer muitas ações que se interligam. Hoje nós estamos ligando em Criciúma todas as câmeras de monitoramento em etapas. Esse é um instrumento importante para nós. Contratamos todos os recordes da história: 5.081 policiais em quatro anos. No entanto, a saída também é significativa e a sensação de insegurança é muito forte. Tem que aumentar e vamos continuar aumentando, mas não adianta só aumentar efetivo, porque na verdade todo mundo quer um policial 24 horas na sua rua, o que é impraticável. Não há essa condição, então temos que usar a tecnologia. Nós trocamos toda a frota de veículos, todos policiais receberam coletes, mas temos que fazer alguns trabalhos no sentido de conter a violência, de conscientizar as pessoas, é uma questão social. Em cinco anos, o nosso sistema penitenciário vai dobrar.
A curto prazo dá para pensarmos em aumentar o efetivo das polícias Civil e Militar?
Já autorizei o aumento, aí eu tenho que cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mas fazendo o cálculo da Lei de Responsabilidade Fiscal, aposentado não entra. Há uma exceção da lei para segurança pública, saúde e educação…
O governo recebeu um documento do Tribunal de Contas alertando a questão do limite prudencial. A presidente Dilma está para ter as contas rejeitadas porque não cumpriu o limite prudencial. Uma lei pede, a outra impede. É um negócio complicado. Nós temos concurso já realizado tanto para a Civil quanto para a Militar. O nosso planejamento é ter uma receita na faixa de 10%. Com uma receita de 2%, a realidade financeira esbarrou. Não aumentamos os impostos, fizemos incentivos em alguns setores da economia para continuar gerando empregos porque o emprego é a coisa mais saudável e muitos crimes deixam de acontecer porque a pessoa está trabalhando. O processo é complexo, nós vamos ter que contratar.
Fonte: Diário Catarinense
Nosso governo tá show, diz Raimundo Colombo
Raimundo Colombo reservou o início da tarde de ontem para uma entrevista aos veículos do Grupo RBS. À vontade e bem-humorado, lamentou o grau de pessimismo provocado pela crise econômica e o clima político instável do país, mas repetiu várias vezes que Santa Catarina está fazendo a sua parte: Hoje posso dizer que nosso governo tá show, porque temos informações e tecnologia para acompanhamento de todos os processos praticamente em tempo real via internet.
Como comparação, disse que pretende investir R$ 3 bilhões no Estado até o final do ano, enquanto a iniciativa privada injetará outros R$ 2 bilhões. “Estamos fazendo a nossa parte para a roda da economia girar. Esse é o nosso papel como indutores”.
Colombo aproveitou para confirmar o pagamento da primeira parcela do 13o salário ao funcionalismo público dia 17 de julho e a decisão de cortar 217 cargos comissionados, sendo mais de um terço só nas secretarias de Desenvolvimento Regional.
Até mesmo diante de temas espinhosos, como a reforma da ponte Hercílio Luz e o efetivo da Segurança, não demonstrou desconforto.
Disse que só aguarda a resposta dos norte-americanos para a segunda etapa da obra e conta com apoio da presidente Dilma para ajudar a terminar a restauração, se necessário. Quanto à falta de efetivo, lembrou que seu governo já contratou mais de 5 mil homens nos quatro primeiros anos, os maiores números na segurança pública dos últimos governos, mas lamentou que por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal o novo concurso da PM e a nomeação de aprovados nos concursos da Polícia Civil seguem em banho-maria, à espera de uma melhora na receita do Tesouro do Estado.
Fonte: Diário Catarinense (Visor – Rafael Martini)
Entre o bom humor e a crise
Bem-humorado e otimista, o governador Raimundo Colombo (PSD), em entrevista a jornalistas do Grupo RBS na tarde de ontem, nem parecia o mesmo que, pela manhã, recebeu oficialmente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) o alerta de que o governo ultrapassara pela primeira vez desde 2001 o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal com folha de pagamento. De certa forma, era esperado. A arrecadação do Estado vinha dando sinais mês a mês que de não conseguiria manter o crescimento acima da inflação e que a crise econômica nacional fatalmente aportaria em Santa Catarina.
De acordo com o TCE, o Estado está gastando 49,15% da Receita Corrente Líquida com os salários dos servidores – 0,15 ponto acima do que determina a regra. Está legalmente impedido de promover reajustes salariais e contratações, salvo algumas exceções. Também corre o risco de ver convênios federais bloqueados. O pior de tudo: o próprio governador admite que a tendência da economia é piorar – o que vai continuar afetando a arrecadação.
Diante disso, de onde vem o bom humor do governador? Existem diversos fatores para explicá-lo. Na questão econômica mesmo, Santa Catarina ainda apresenta índices favoráveis na comparação com os demais Estados e o contexto nacional. O governo terá R$ 3 bilhões do Pacto por Santa Catarina para obras – mais do que a iniciativa privada estima investir este ano, que é R$ 2,4 bilhões. A expectativa é que esse montante estimule a economia neste momento de retração.
Além disso, Colombo acredita estar vivendo seu melhor momento politicamente. As disputas internas entre PSD e PMDB entraram em hibernação – pelo menos até esquentarem as brigas das eleições municipais. Talvez por isso tenha optado por apresentar agora o projeto que rebatiza as secretarias regionais para agências regionais e corta 217 cargos nas 36 estruturas. É hora de economizar e ele tem um documento do TCE para comprovar.
Fonte: Diário Catarinense (Moacir Pereira – Upiara Boschi/Interino)
A dura batalha de SC por mais infraestrutura
Competitiva nas exportações e com desempenho econômico acima da média do Brasil, Santa Catarina poderia gerar ainda mais riquezas e impostos se tivesse logística adequada para movimentar a produção e desenvolver as outras atividades, como comércio, serviços e turismo. Infelizmente, as receitas do Estado são levadas pela União para outras regiões, e as empresas de SC ficam amarradas por falta de logística. Para alertar mais uma vez sobre o problema e desatar esses nós, a Federação das Indústrias do Estado (Fiesc) lançou ontem a Agenda Estratégica da Indústria para a Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarinense. O presidente da entidade, Glauco José Côrte (E), falou sobre as dificuldades e defendeu a execução de investimentos durante a reunião que teve a presença de boa parte do Fórum Parlamentar Catarinense, incluindo o presidente Mauro Mariani, os senadores Dalírio Beber, Dário Berger e Paulo Bauer. Deputados e Pedro Lopes, da Fetrancesc, também participaram. Importante a decisão da Fiesc de contratar estudo coordenado pelo professor Carlos Taboada, da UFSC, que mostra as discrepâncias entre os custos de SC e dos EUA para movimentar cargas. Apurou que o custo de logística da indústria de SC é de 14% do valor do produto, 55% superior aos 9% dos EUA. O economista do Departamento de Agricultura dos EUA, Warren Preston, disse no Congresso da Soja, semana passada, em Florianpóolis, que a diferença de custo para levar carga dos EUA até a China frente ao Brasil e China varia de 38% a 61% a mais para o Brasil, e que seu país usa barcaças para cabotagem que levam o equivalente a 870 carretas. SC e o Brasil precisam perseguir menores custos de logística para poder competir lá fora.
Pressão
Os estudos da Fiesc serão levados para a reunião do Fórum Parlamentar Catarinense amanhã, em Brasília, com o ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues.
– Nossa esperança é mobilizar tanto o governo quanto a bancada para pressionar o Ministério dos Transportes a executar as obras que precisamos. O orçamento do PAC é de R$ 900 milhões para SC este ano, mas até agora foi pago menos de 1%, ou seja, menos de R$ 900 mil reais – disse Glauco José Côrte.
Projetos via PPP
A expectativa é que o setor privado invista em infraestrutura, mas as regras precisam ser claras. Uma saída para SC pode ser a parceria público-privada (PPPs). O secretário de Planejamento, Murilo Flores, diz que o Estado precisa definir o fundo garantidor de PPP. Vai enviar projeto para solucionar isso.
Um crime contra SC
No meio do descaso do governo federal com SC um projeto irritou mais o deputado federal e ex-governador Esperidião Amin: a duplicação da BR-153 que passa no meio do Estado e vai ao Paraná.
– Essa obra é uma duplicação para tirar produtos de SC e levar para o porto de Paranaguá. Ém crime contra Santa Catarina – alertou Amin.
Mais turistas de alta renda
Com conhecimento sobre o potencial turístico do Estado, o catarinense Vinicius Lummertz, novo presidente da Embratur, disse que SC tem que atrair o turista de mais alta renda. Ao falar no evento do Lide SC, ontem, observou que o Estado precisa mudar o modelo de turismo natural para buscar um turismo de nicho. Para alcançar esse novo perfil de visitante do Brasil e exterior, recomenda atrair hotéis de bandeiras internacionais e valorizar a cultura local. Também é preciso melhorar a infraestrutura.
Visitante que gasta
Na mesma linha de Vinicius Lummertz, o presidente do Lide SC, Wilfredo Gomes, afirmou que o estado precisa atrair o turista que gasta mais. Segundo ele, esse visitante é principalmente do exterior e o maior número está nos EUA. Ele citou como exemplo a cidade de Marakesh, no Marrocos que, sozinha, atrai o dobro de turistas estrangeiros do que o brasil. O principal diferencial por lá é a presença das grandes redes hoteleiras mundiais e as atrações culturais diferentes, do local.
Site vigia
Para dar transparência à evolução das obras de infraestrutura do governo federal em SC, foi lançado o portal Monitora Fiesc. Segundo o primeiro-vice-presidente da entidade, Mario Cezar Aguiar, serão mostrados todos os dados importantes de cada projeto.
Ferrovias
Para o setor privado, SC precisa mesmo da ferrovia Norte-Sul para trazer grãos. E o prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Jansen cobrou ontem no evento o contorno ferroviário da cidade.
Da Acij para Joinville
Ao assumir o segundo mandato à frente da maior associação empresarial do Estado, a Acij, de Joinville, o empresário João Martinelli surpreendeu ontem à noite com o lançamento de projetos diferentes. Propôs um novo acesso viário decente para a cidade, um banco social dentro da associação e um parque público junto ao Batalhão do Exército.
Petrobras corta
Um dos efeitos mais danosos da corrupção crônica na Petrobras foi revelado ontem: o corte de 37% no total de investimentos da companhia para o período 2015-2019. Aprovado sexta, o plano de negócio prevê US$ 130,3 bilhões para investimentos, 37% menor que o anterior. Do total, 83% serão para exploração e produção, 10% para abastecimento, e 10%, gás e energia.
Fonte: Diário Catarinense (Estela Benetti)
Maioridade e responsabilidade
É tentadora, mas equivocada, a pretensa solução que implicaria a redução da idade para o encarceramento de jovens
Está nas mãos da Câmara a primeira decisão sobre a controversa proposta da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, aguardada para esta terça-feira. O debate em torno da alteração da maioridade penal confrontou dois segmentos bem definidos da população: a maioria, atormentada pela criminalidade e desejosa da punição rigorosa de jovens ainda em formação, e uma minoria identificada com avanços promovidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e suas normas consideradas civilizatórias.
Ambas as posições devem ser entendidas no contexto da sensação generalizada de que, enquanto a criminalidade aumenta, fracassam os mecanismos de prevenção, repressão e, principalmente, de reparação dos danos pela Justiça. Infelizmente, a origem do debate e o espaço onde se dará a resolução é um Congresso desmoralizado e populista, cada vez mais influenciado pela realidade do sistema prisional degradado e em um momento de depressão econômica e moral do país. A redução da maioridade pode ser tentadora, mas não representa solução.
É sensato o esforço de vastos setores da sociedade, liderado por respeitados juristas, que propõem a alternativa intermediária de elevação do tempo de internação dos autores de crimes hediondos, desde que se construa, paralelamente, infraestrutura adequada para a ressocialização.
Admite-se assim que autores de roubos com homicídio e estupradores não podem ser considerados recuperados em apenas três anos de internação. O que deve ser evitado é a simples mudança de idade apenas para que a sociedade sinta-se vingada. A saída imediatista não elimina uma situação que depende mais de educação e suporte social do que de soluções imediatistas.
Em resumo
Editorial defende saída intermediária, com aumento do tempo de internação, para que a redução da maioridade penal não seja vista como solução milagrosa.
Fonte: Diário Catarinense (Editorial)
Personagem marcante
Morreu ontem, em Florianópolis, de câncer, aos 69 anos, o delegado aposentado Elói Gonçalves de Azevedo, personagem que marcou a minha geração e a cidade e que não só prendeu Gilberto Gil com dois cigarros de maconha no quarto de um hotel em Floripa, onde o cantor chegou para um único show no Clube Doze de Agosto com Os Doces Bárbaros Gil, Caetano, Gal e Bethânia , como quase todos os maconheiros dos anos 70 na Ilha. Parecia obcecado por prender fumantes de maconha e achava que todo surfista era maconheiro. Acabou virando folclore. Armava verdadeiras operações de guerra para isso. Virava a noite em campanas esperando amanhecer para entrar nas barracas dos jovens que vinham acampar no litoral catarinense, especialmente os gaúchos que ficavam no Farol de Santa Marta e Garopaba.
No Rock, Surf e Brotos, festival que fiz com Ricardinho Machado na praia da Joaquina, Elói resolveu fazer uma blitz no sábado à tarde e em meia hora lotou cinco camburões. A notícia se espalhou rapidamente e foi capa dos principais jornais do Rio e de São Paulo, que naquela época tinham correspondentes em Florianópolis.
Quando soube que era forte a possibilidade da maconha ser descriminalizada no Brasil, Elói se aposentou e foi pra casa. Desiludido.
Muito imposto
Para quem ainda não sabe ou finge n&atild
;o saber: a Ponta do Coral, na Beira-Mar Norte, é propriedade privada e os donos pagam por ano nada menos que R$ 589 mil em impostos, sendo aproximadamente 75% desse valor de IPTU. Se for autorizada a construção do hotel de alto padrão no terreno, a arrecadação de IPTU pela prefeitura, com apenas um prédio, seria de R$ 3 milhões por ano. Se considerar que a prefeitura vai autorizar outro hotel ainda maior, o Marriott, na esquina da Beira-Mar com a Osmar Cunha, o IPTU arrecadado com os dois empreendimentos daria para fazer muita coisa pela cidade. E a Capital ainda ganha dois empreendimentos que vão fomentar o turismo o ano todo.
Bikes
Projeto de lei do deputado Gean Loureiro, protocolado há duas semanas, cria o Sistema de Prevenção a Roubos de Bicicletas no Estado. Na prática, as bicicletas serão identificadas com números de série nas notas fiscais de compra e será criado um sistema do órgão de segurança com a listagem de bicicletas roubadas e as “placas”. Se não resolve, ao menos vai inibir a venda e compra e auxiliar na identificação da bike quando resgatada.
Fonte: Diário Catarinense (Cacau Menezes)
Visões de Colombo 1
O mesmo governador Raimundo Colombo, que admite desconhecer os movimentos do deputado Gelson Merisio para mudar a forma de repasse do duodécimo aos poderes e está satisfeito com o desempenho do controle de gestão, é claro ao dizer que falar em candidatura ao senado, em 2018, não é prioridade. Aliás, manda um recado com tonalidade de certa irritação para seus aliados e correligionários: “o governo só tem seis meses, não tem sentido falar na próxima eleição”.
Visões de Colombo 2
O governador encaminhará projeto em que extingue 300 cargos comissionados, mas a meta de 500 deverá ser alcançada no futuro, declara Raimundo Colombo. E valoriza o equilíbrio financeiro quando sentencia que o caminho do desenvolvimento, baseado em uma administração austera, favorece o quadro: a iniciativa privada prevê investimento de R$ 2,4 bilhões, e o governo do estado, R$ 3 bilhões em 2015. E minimizou a questão de supostas dívidas levantadas na educação e justiça e Cidadania por terceirizados e fornecedores, ao explicar que certas dívidas que oscilariam entre R$ 24 milhões e R$ 70 milhões são, na verdade, custos que os prestadores de serviço querem embutir no que já é pago pelo estado.
Ferrovia à cubana
Em viagem oficial a Cuba, o catarinense Manoel Dias, ministro do trabalho e emprego, visitou a escola de Formação em Especialidades Ferroviárias, mantida pelo governo daquele país, que, ao contrário do Brasil, faz do transporte por trilhos a principal forma de movimentação de cargas. Ao lado do embaixador do Brasil na terra de Fidel Castro, Cesário de Melo, Maneca conheceu o simulador ferroviário, utilizado no treinamento de mais de 12 mil profissionais por ano.
Fonte: Notícias do Dia (Roberto Azevedo)
Morre Elói, o superdelegado Polícia Civil
Filhos, familiares e amigos se despediram ontem do delegado aposentado Elói Gonçalves de Azevedo, 69 anos, que morreu vítima de câncer. Elói descobriu que estava com a doença em 2013 e deu início a uma série de tratamentos. Mas ontem, por volta das 4h30, morreu em uma cama do Hospital de Caridade. Em três casamentos, Elói teve cinco filhos.
Super Elói, como era conhecido nos anos áureos da carreira, entre 1986 e 1998, teve o desejo eternizado pelos filhos: ser cremado após 72 horas da morte. O corpo de Elói foi velado na capela do cemitério do Itacorubi até as 14h30 de ontem. Depois, seguiu para Balneário Camboriú, onde, segundo o filho mais velho, Elói Júnior, 43, foi feita uma homenagem para o pai.
Na sequência, o corpo passou pelo processo de embalsamamento para ser cremado quinta-feira no Crematório Vaticano, em Balneário Camboriú. Amigos afirmaram que Elói deixou legados para a Polícia Civil que devem ser seguidos pela categoria: humildade, seriedade, persistência e retidão.
“Elói tinha uma estrela que brilhava muito. Capturou quadrilhas de traficantes de drogas e assaltantes de banco que agiam no Sul do país no período em que era titular da Deic, entre 1986 e 1998”, disse o delegado Ilson da Silva, 66.
Ilson lembrou que há 20 dias passou no hospital para visitá-lo. Enfermo na cama, ele se despediu. “Ele disse: “o câncer se espalhou pelo estômago, fígado e pulmão. Estou indo embora””, contou.
O comissário Manoel Pedro da Luz Filho, 65, lembrou que o amigo foi um excelente delegado. “Quando fiz estágio em uma DP, após sair da Academia, Elói era comissário. Desde aquele dia senti um carinho imenso por ele, tanto que me levou quando foi diretor da Deic”, disse.
Fonte: Notícias do Dia
Para equilibrar as contas
A queda na arrecadação, decorrente do arrefecimento da economia, está impactando as contas estaduais. Num momento como este, cabe ao gestor público a iniciativa de readequar gastos, cortar excessos, reduzir despesas supérfluas que, vamos admitir, estão presentes em qualquer administração, porque eram encaradas como inofensivas em tempos de bonança.
O sacrifício do primeiro momento pode incomodar, mas, no médio prazo, o equilíbrio de caixa recompensa o esforço realizado. É o que está fazendo o governador catarinense Raimundo Colombo. Em entrevista exclusiva concedida aos veículos do Grupo RIC, ele elencou ações que, pequenas quando analisadas isoladamente, poderão representar economia relevante no final de cada exercício. O corte de cargos comissionados não preenchidos, adequações em empresas da administração direta e controle de gastos com custeio, que são representativos considerando o tamanho da máquina, estão entre as medidas destacadas na reportagem.
Uma estratégia que também poderá dar bons resultados é o encaminhamento de itens da reforma administrativa por etapas. Isso evita discussões intermináveis na Assembleia Legislativa e pressões que nem sempre são de servidores, mas de seus representantes, no Parlamento. O governo sabe que se não agilizar os próprios procedimentos e os mecanismos que os regem não terá como vencer a burocracia colada à própria estrutura, efeito de anos e anos de vícios nunca removidos.
Fonte: Notícias do Dia (Editorial)
Família de Chapecó morre em acidente tragédia
Cinco pessoas de uma mesma família de Chapecó morreram em um acidente na rodovia ERS-406, que liga o Rio Grande do Sul a Santa Catarina, na noite de domingo. Ontem, a polícia ainda apurava as causas do acidente, que aconteceu na cidade de Nonoai.
Estavam no veículo o condutor, Dilson Tagarra, 66 anos; sua mulher, Marli Tagarra, 55; seu filho, Diogo Tagarra, 32; a mulher dele, Eliana Vieira, 28; e o filho do casal, Vicente Felipe Tagarra, 2.
Todos os ocupantes usavam cinto de segurança e a criança estava na cadeirinha, porém, o impacto foi tão grande que ninguém resistiu à batida. Segundo a Polícia Rodoviária do Rio Grande do Sul, o Ford Ecosport veio desgovernado pela rodovia e atingiu a caçamba de um caminhão.
Em seguida, saiu rodopiando pela pista, até bater em outra carreta. O motorista desse segundo veículo foi encaminhado para o hospital com ferimentos, em estado de choque. A polícia, que ainda investiga as circunstâncias do acidente, acredita que a família voltava de viagem do Rio Grande do Sul para Chapecó quando aconteceu a batida.
Fonte: Notícias do Dia
O plano realista de Raimundo Colombo
No encontro que manteve, ontem, com jornalistas do Grupo RIC, o governador Raimundo colombo apresentou o seu Plano de Gestão: administração com Eficiência, o documento guia de seu governo que, em síntese, moderniza práticas, promove o enxugamento de diversos setores, extingue 217 cargos em comissão, entre outras providências saneadoras, cujo objetivo final é obter o máximo de resultados para a sociedade catarinense. Muito mais do que o conteúdo acadêmico, que mostra a força de seu grupo gestor, o plano é um extraordinário passo à frente do governo catarinense, algo como lá atrás fizeram celso ramos, com o Plameg (Plano de metas do Governo), e Colombo Salles, com a ação catarinense de desenvolvimento. Em outras palavras, um projeto com características progressistas, voltadas ao desenvolvimento sustentável – entendido aqui como a observância do máximo aproveitamento dos recursos humanos e físicos existentes, reduzindo despesas e aumentando a eficiência. Nenhum delírio megalomaníaco, pelo contrário, trata-se de um plano coerente com as mais modernas práticas da administração pública, sintonizado com a realidade brasileira e catarinense.
Fonte: Notícias do Dia (Ponto Final – Carlos Damião)
Sob controle
Durante entrevista no Grupo RIC, o governador Raimundo Colombo demonstrou que, embora em momento de crise – que ele acredita que irá se acentuar nos próximos três meses, num quadro pior do que o trimestre anterior -, a situação em santa Catarina está controlada. O dever de casa foi bem feito. Ou seja, desde que o governo localizou que haveria turbulências na arrecadação e a economia nacional sofreria interferências fortes, medidas foram tomadas e agora estão surtindo efeito positivo. Tanto que será liberada, dia 17 de julho, a primeira parcela do 13º salário, que somada à folha do mês, injetará mais de R$ 2 bilhões no mercado, movimentando a economia por intermédio de 151 mil servidores. Além disso, estão programados e garantidos investimentos de até r$ 3 bilhões, mantendo o estado em ebulição. Inclusive, um projeto desembarcará esta semana na assembleia eliminando 217 cargos comissionados, que desde janeiro não estão sendo ocupados. O governo, na verdade, adotou uma fórmula de efetuar cortes e mudanças homeopaticamente, evitando desta forma reações desproporcionais e que pudessem colidir com as metas de controle financeiro. Deu para perceber que o governador, embora reconheça problemas à vista, vê que o estado é diferenciado do resto do país, produzindo inclusive otimismo. Quando assunto é política, ele se mostra mais arredio. Mas deixou claro que a disputa ao senado em 2018 está bem definida no seu projeto político.
Confirmado
O governador Raimundo Colombo deixou claro que até a eleição municipal não haverá alterações políticas no colegiado. Isso deverá ocorrer depois dos resultados de 2016, dentro de uma avaliação do quadro político futuro.
Redução
Devagarinho, sem alardes. Pois é, o governo Colombo já reduziu até aqui em 23% os cargos nas secretarias regionais. E segundo o secretário Nelson Serpa, novas medidas serão implementadas atingindo as SDRs, mas com a atenção em suas obrigações e necessidades. Saúde o SC saúde, criado pelo governo do estado depois de rompido o contrato com a Unimed, arrecada R$ 40 milhões por mês, sendo 4% do governo e 4% dos associados. E gasta R$ 35 milhões. Hoje tem em caixa R$ 340 milhões. Ou seja, deu certo.
Duodécimo
Perguntado sobre os movimentos na Assembleia para mudar as regras do repasse de recursos para os poderes, o governador Colombo não quis se manifestar, dizendo que gostaria de conhecer melhor o que está sendo proposto. Na verdade, a proposta está sendo elaborada pelo presidente da Assembleia, Gelson Merisio, que abraçou a causa. Colombo disse que já tratou várias vezes deste tema com os poderes e deu a entender que houve uma reação contrária, com o argumento de que a receita já estava comprometida com as despesas assumidas por cada um deles. Ou seja, ninguém quer abrir mão do que ganha. Mas, pelo visto, o deputado Merisio vai colocar, pelo menos, o assunto em discussão. Pois significa mais dinheiro para o governo investir em saúde, segurança e educação.
Fonte: Notícias do Dia (A vida segue – Paulo Alceu)