Florianópolis, 29.6.15 – A reconstrução dos quatro pilares de sustentação da ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, foi retomada em abril deste ano, mas já está fora do cronograma. O atraso nos dois primeiros meses de trabalho, segundo o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), deverá ser compensado até outubro, quanto termina o prazo para conclusão desta parte da obra. As estruturas que segurarão o cartão-postal em uma futura restauração fazem parte da etapa chamada Ponte Segura. A obra é de responsabilidade da empresa Empa – da portuguesa Teixeira Duarte. O presidente do Deinfra, Wanderley Dagostini, admite que a obra sofreu um atraso no começo, mas garante o cronograma:
– O prazo é apertado, mas como ele foi feito em emergência, é isso que a lei prevê, não pode ser prorrogado. Tem que ser cumprido.
O contrato entre o governo de SC e a companhia prevê pagamento mediante produtividade (conforme mostram as linhas do gráfico abaixo). O valor total é de R$ 10,3 milhões pela obra com prazo de 180 dias. As parcelas são depositadas mensalmente, contando desde maio, de acordo com o peso de material recebido e estruturado, sobretudo tubos e vigas metálicas e madeira. Cada quilo de material fornecido vale R$ 14,19, e o mesmo peso de material montado nos pilares vale R$ 18,66.
O cronograma inicial previa que a Empa recebesse R$ 425 mil em maio e mais R$ 2,2 milhões em junho, chegando ao acumulado de R$ 2,6 milhões no período. Mas no cálculo real a empresa deve receber até o fim de junho 27% do previsto no período. Tendo como referência a conclusão da estrutura, o previsto representaria cerca de 25% da obra, enquanto que o trabalho real foi de 7%.
De acordo com engenheiros da Empa e do Deinfra, mergulhadores tiveram que trocar parafusos corroídos nos dois maiores pilares. Além disso, em dias de vento forte, os trabalhadores não podem usar as balsas no mar para atuar nas estruturas. E quando chove, os soldadores ficam impedidos de mexer nas vigas e nos tubos metálicos. Segundo um executivo da Empa, o tempo instável prejudicou ao menos 15 dias de trabalho.
Membros da equipe garantem que as camadas finais dos dois pilares estão em estágio avançado e serão encaixadas em julho.
Acerto com americanos ainda está em aberto
A etapa chamada de Ponte Segura é uma fase intermediária para a restauração e uma segurança (física e jurídica) para o patrimônio histórico. Ela foi iniciada em 2012 pelo Consórcio Florianópolis Monumento, liderado pela construtora Espaço Aberto, que alcançou 30% de montagem das estruturas, mas a obra ficou parada por oito meses depois de o governo rescindir contrato com as empresas em agosto de 2014. Os trabalhos foram retomados com a Empa, em abril deste ano.
Mesmo se esta etapa for finalizada a tempo, ainda resta saber se a American Bridge irá ou não apresentar um orçamento para a restauração completa da ponte. Os americanos estão sendo sondados pelo governo catarinense desde fevereiro por terem sido os mesmos a construir a Hercílio Luz na década de 1920. O governador Raimundo Colombo já anunciou que tem uma reserva de R$ 130 milhões, emprestados do BNDES, para o possível contrato. Se o preço da empresa será compatível, também é uma incógnita.
Resposta sairá em agosto
Especialistas da American Bridge fizeram até agora quatro visitas à ponte para análise e tomada de fotografias. Em abril, o vice- presidente da empresa, Michale Cegelis, esteve em Santa Catarina e disse que apresentaria uma proposta dentro de 60 dias. Findo este primeiro prazo (por eles estabelecido), os americanos comunicaram que até agosto darão uma resposta ao governo.
A questão é que a estrutura de sustentação sofre desgaste e, se houver um longo intervalo entre a conclusão e o início da recuperação, os cofres públicos poderão arcar com os custos não só da manutenção da ponte, mas também da conservação de uma estrutura de sustentação em desuso.
“Acreditamos na recuperação da ponte” (Carlos Alberto Kita Xavier – Presidente do Crea-SC)
Qual a visão que o Crea tem da atual obra emergencial de sustentação da ponte?
O Crea tem a função de fiscalizar o setor. Verificamos que a contratação da empresa cumpriu todos os requisitos. Possui uma equipe técnica fantástica. Estamos acreditando, agora, que as coisas vão acontecer. Os prazos que nos passaram condizem com a realidade da execução, que requer tempo e paciência. Antes de iniciar qualquer trabalho, é preciso um planejamento. A empresa está fazendo todo o dimensionamento desta estrutura provisória e avaliação quanto à eficácia para garantir a segurança do cartão-postal. Saliento também que essa obra pode resolver parte dos problemas de mobilidade em Florianópolis.
O senhor acredita na reforma da estrutura?
O conselho de engenharia acredita que nada é impossível. Acreditamos na recuperação, é emblemática, com um vão fantástico de 339 metros livres, única no mundo. Realmente, é um ícone da engenharia. A Hercílio Luz é uma grande obra que se perdura ao longo dos anos. Claro, foi interditada em 1982 e de lá pra cá nunca se apresentou nenhum projeto convincente de restauração. Só recentemente que os projetos foram feitos e licitados para manutenção. O mais importante é ter um projeto executivo que dirá o que deve ser feito e é isso que eles estão fazendo. Isso não aconteceu no passado, mas não por falta de conhecimento da engenharia catarinense e sim por falta de objetivo. Escutamos em vários setores que a desmontagem da ponte seria a solução, mas não acreditamos nisso.
E qual sua opinião particular sobre isso?
Ela é muito bonita (risos). Seria um desperdício. Fala-se que com o que foi gasto na ponte poderia ter sido construída outra. Mas pelo investimento que já foi feito, acredito que ela deve permanecer como o símbolo do nosso Estado.
E sobre a forma de contratação, dividida em etapas. O que acha disso?
Existiram vários projetos de recuperação da ponte, e este foi o escolhido. Uma empresa catarinense ganhou antes a licitação (referindo-se à Espaço Aberto), infelizmente não conseguiu cumprir. E a estrutura provisória tem uma validade e prazo de vencimento. Lógico que a empresa americana que está analisando o projeto vai levar isso em consideração tendo em vista que ela já está a um bom tempo de sua utilização. A estrutura está num ambiente muito agressivo e os cuidados precisam ser redobrados. A empresa não vai querer colocar seu nome numa coisa que poderia dar errado.
Fonte: Diário Catarinense
Gestores protestam por hospitais quebrados
Levantamento feito pelas entidades estaduais revela que 14 hospitais foram fechados em Santa Catarina nos últimos anos, a maioria atingida pela crise causada pela crescente defasagem da tabela do SUS que não atende nem os custos básicos. A dívida atual dos hospitais é superior a R$ 200 milhões, segundo a Federação e Associação dos Hospitais. A situação pré-falimentar dos hospitais comunitários e filantrópicos será apresentada hoje à população nos municípios catarinenses. Será iniciada uma mobilização, com a campanha Acesso à Saúde Meu Direito é um Dever do Governo.
Os gestores hospitalares farão, a partir de hoje, exposições com esclarecimentos à população até sobre a hipótese de colapso do sistema. O principal ato está programado para a Associação Empresarial de Joinville, a partir das 10h.
O Conselho Federal de Medicina tem um levantamento indicando que 1,5 mil procedimentos hospitalares da tabela do Sistema Único de Saúde estão totalmente defasados.
O SUS paga apenas R$ 10 por uma consulta médica. Já os planos de previdência privados têm remuneração fixada em R$ 48. Um exame citopatológico vale R$ 27,33 na rede privada e fica por R$ 6,97 pelo SUS. Um exame de colonoscopia sai por R$ 391 nos planos particulares, enquanto o SUS paga R$ 112,66. Em relação às diárias hospitalares e cirurgias, as diferenças são ainda mais gritantes.
As organizações hospitalares têm realizado encontros com autoridades, participado de inúmeras reuniões com os parlamentares e lançado manifestações, mas até agora o governo federal mantém o arrocho.
Jornada
Principais lideranças do PMDB iniciaram no fim de semana a Jornada da Unidade, com dois eventos em Balneário Camboriú e Indaial. Serão promovidos 15 encontros macrorregionais em todo o Estado. Nos bastidores circulou a informação de que o vice-prefeito de Blumenau, Jovino Cardoso, hoje no DEM, está com um pé no PMDB.
O centenário
Considerado um dos responsáveis pela revolução na produção de derivados de suínos, a partir da adoção de novas tecnologias de criação e industrialização, quando atuava na Sadia, há mais de 60 anos, Victor Fontana é um exemplo vivo do excepcional desenvolvimento do agronegócio catarinense. Em julho será alvo de merecidas homenagens. Dia 16 completará 99 anos.
Cargos à disposição
Chefes da Procuradoria Federal em Santa Catarina e das procuradorias seccionais federais colocam hoje seus cargos à disposição em protesto contra o governo Dilma, pelo achatamento salarial. Em 2014, os advogados federais economizaram R$ 628 bilhões, soma da cobrança de créditos com processos judiciais. Alegam que nos últimos cinco anos, a AGU perdeu 40% dos profissionais pelos baixos salários.
Fiscais
A Associação dos Funcionários Fiscais de Santa Catarina tem nova diretoria. O atual presidente, Cidemar José Dutra, foi reconduzido a novo mandato. Dedicado às entidades classistas e respeitado entre todos os servidores da fiscalização, há dez anos atua também como diretor do Sindicato dos Fiscais da Fazenda de Santa Catarina (Sindifisco).
Maioridade
Mais de 400 maçons integrantes do Grande Oriente de Santa Catarina (Gosc) participaram no fim de semana de encontro estadual para debate sobre o projeto de redução da maioridade penal. A instituição pretende ouvir todos os maçons do Estado para tomar uma posição pública sobre a polêmica matéria. O Gosc conta hoje com 120 lojas em Santa Catarina.
Fonte: Diário Catarinense (Moacir Pereira)
Acordos com os EUA ganham apoio
No primeiro dia da agenda oficial nos Estados Unidos, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem, em Nova York, com representantes de 25 empresas brasileiras que têm investimentos no mercado americano. A negociação de um acordo de livre comércio é uma “aspiração” do governo brasileiro, ainda que não faça parte da pauta da visita da presidente, informou o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro.
A obtenção de um tratado desse tipo foi uma das principais reivindicações apresentadas à petista. Confirmando a mudança de posição do governo nessa área, Monteiro disse que o Brasil quer se integrar de maneira “mais efetiva” à rede de acordos internacionais:
– O canal do comércio exterior é muito importante nesse momento.
No primeiro mandato de Dilma, o país ficou à margem do movimento de formação de novos blocos econômicos, dando preferência ao Mercosul. Com o fim do boom no preço das commodities, o esgotamento fiscal e a paralisia da economia doméstica, o governo agora olha para o restante do mundo em busca de novas fontes de crescimento. Com o maior PIB do mundo e uma forte demanda por produtos industrializados, os EUA seriam um candidato.
Outra demanda apresentada pela presidente foi um acordo de bitributação com os norte-americanos, o que evitaria a duplicação no pagamento de impostos por empresas americanas com investimentos no Brasil e vice-versa.
Bens industrializados dominam exportações
Segundo Monteiro, “enquanto não constrói um acordo amplo”, o Brasil dará prioridade a medidas de facilitação do comércio, o que abrange harmonização de regras, redução de barreiras não tarifárias e padronização de procedimentos alfandegários.
O ministro ressaltou que 75% das vendas brasileiras para os americanos são de bens industrializados, com maior valor agregado.
A presidente dedicará a manhã de hoje a encontros com pesos- pesados dos setores produtivo e financeiro americanos, em um esforço de resgatar a credibilidade da economia brasileira.
Levy diz que encontro ocorre em momento econômico importante
Internado na sexta-feira com dores no peito, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que não descumpriu recomendação médica ao decidir viajar aos Estados Unidos para participar da visita da presidente Dilma Rousseff ao país. Em entrevista no início da tarde de ontem, no hotel onde está hospedado, em Nova York, Levy disse não acreditar que tenha sofrido embolia pulmonar, conforme o diagnóstico inicial.
O ministro chegou a tempo de participar da parte final de reunião de Dilma com representantes de 25 empresas brasileiras que possuem investimentos nos Estados Unidos. Hoje ele estará ao lado da presidente no encontro com representantes do setor produtivo e financeiro.
Antes de embarcar na noite de sábado, ele passou por mais um exame médico. Ele afirmou que sua expectativa é positiva em relação à visita, com a qual o Brasil tenta reconstruir sua relação com a maior economia mundial.
– A economia está em um momento importante. Acho que é uma oportunidade boa.
Os laços entre os dois países foram abalados em 2013 com a revelação de que a agência de espionagem americana, a NSA, monitorou comunicações de Dilma. Em protesto, a presidente cancelou visita de Estado que faria a Washington em outubro daquele ano.
O setor econômico-comercial ocupará grande parte dos anúncios que Dilma e o presidente
Barack Obama farão depois de seu encontro de trabalho, amanhã. Com o fim do boom das commodities decorrente da desaceleração da China, o Brasil busca novas fontes de crescimento no exterior.
Na expectativa de Brasília, medidas de facilitação de comércio que serão anunciadas durante a visita poderão provocar aumento de 10% nos embarques nacionais para os EUA.
Fonte: Diário Catarinense
SC espera para julho abertura da Coreia
Nas próximas semanas – talvez na segunda quinzena de julho – autoridades sanitárias da Coreia do Sul devem anunciar a abertura do mercado do país à carne suína de Santa Catarina. Esta informação foi destacada pelo governador Raimundo Colombo na inauguração da fábrica de industrializados da Pamplona Alimentos, sábado, em Rio do Sul. Também no evento, o superintendente federal de Agricultura em SC, Jacir Massi, disse que todos os trâmites técnicos estão cumpridos. Falta apenas a Secretaria de Relações Institucionais do Itamaraty fornecer as últimas informações para a Coreia do Sul poder abrir seu mercado. Agroindústrias de SC aguardam com muita expectativa a decisão porque a Coreia importa cerca de 880 mil toneladas de carne suína por ano e será um importante mercado ao lado do Japão, que compra de SC desde meados de 2013.
O evento da Pamplona foi bem prestigiado por ser mais um investimento numa fase de crise no país. Também presente, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte disse que em breve será inaugurada mais uma fábrica, a da Netzsch, em Pomerode.
Por que a inflação persiste
Economista do banco Itaú Caio Megale explica a alta da inflação e cenários para PIB, setor imobiliário e investimentos. Ele esteve em eventos da Apimec em SC e conversou com a coluna.
Por que a inflação não para de subir no Brasil?
Apesar de o Banco Central estar elevando os juros desde 2013 (só parou um pouquinho na eleição), a inflação continua pressionada. Se dividirmos em duas partes, um pedaço da inflação é de preços livres, como bens duráveis, bens de consumo, serviços e outros. Quando a economia desacelera, a inflação desses itens tende a ficar menos pressionada. A inflação desses itens está desacelerando devagar. Por outro lado, o governo está ajustando preços que ficaram congelados lá atrás. Gasolina subiu, energia elétrica subiu bastante e as loterias foram reajustadas. Essa desaceleração dos preços livres está sendo mais do que compensada por uma alta muito maior dos administrados. Em 2013 eles subiram apenas 1%, porque o governo controlava os preços. Agora, vão chegar perto de 15%. A inflação não cai porque esses preços administrados estão subindo e as empresas tentam passar isso para os preços finais. Por isso, apesar de o desemprego estar subindo, de o BC estar elevando juros, a inflação não cede.
Quando ela vai ceder?
Quando esse processo de ajuste de preços administrados nos custos terminar, provavelmente até meados do ano que vem. A inflação está chegando perto de 9% agora, deve ficar nesse patamar até 2016. Começará a desacelerar e, a partir de maio entrará na banda de 6,5% ao ano, continuará desacelerando, terminará o ano em 5,5%. Só em 2017 chegará perto dos 4,5% ao ano. Será um longo processo de realinhamento de preços e inflação de custos.
Como evoluirá o PIB?
Vai continuar fraco. No ano passado já foi fraco, cresceu praticamente zero. Para este ano, estamos esperando uma qued
mais forte do PIB, de 1,7%, e no ano que vem estimamos crescimento de 0,3%, que é praticamente zero.
E os preços dos imóveis?
Eles passaram por um realinhamento nos últimos 10 anos porque os imóveis estavam muito baratos. Houve um realinhamento, mas em algumas regiões passaram do ponto. Há muita demanda reprimida. Se é hora de comprar? Eu não teria pressa agora porque estamos no meio da fase do ajuste. Mas já há boas oportunidades. No curto prazo, há mais boas ofertas à vista. Recomendo ficar atento, mas não precisa ter pressa porque a fase de ajustes é longa.
Quando os investimentos serão retomados?
No curto prazo não há grandes investimentos, porque a ociosidade está elevada. Mas o Brasil tem gargalos em infraestrutura, por isso o programa de concessões faz todo o sentido. Além disso, multinacionais que atuam no Brasil e têm visão mais de longo prazo veem oportunidades nesta crise.
Fonte: Diário Catarinense (Estela Benetti)
Campanhas sob suspeita
As novas revelações sobre os depoimentos prestados pelo empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC e considerado o principal líder do cartel de empresas apontadas como responsáveis pelo esquema de corrupção na Petrobras, comprometem as campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários candidatos ao parlamento e a governos estaduais. Embora seja importante ressalvar que delação premiada não prova nada, e que os acusados devem ter todas as oportunidades de se defender, as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal já não deixam dúvidas de que muitas doações de campanhas mesmo algumas reconhecidas como legais pelo TSE provinham do superfaturamento de contratos com a estatal e significavam propina, em razão de chantagem de quem detinha o poder ou mesmo para assegurar ao pagador sua permanência no esquema.
A delação cita como beneficiados políticos de vários partidos, inclusive o senador oposicionista Aloysio Nunes, do PSDB, mas atinge mais fortemente o Partido dos Trabalhadores e seus principais expoentes. Os tesoureiros de suas campanhas são acusados de receber recursos oficiais e extraoficiais – ambos imorais por sua origem, ainda que os primeiros estejam autorizados pela legislação eleitoral.
É urgente que os acusados se expliquem, especialmente aqueles que ocupam cargos na administração do país. Não basta que procurem desconstituir os acusadores ou desmerecer a investigação sob a alegação de que está havendo vazamento seletivo de informações. Isso até pode existir, mas o que interessa à nação é a apuração das falcatruas que provocaram a desvalorização da maior estatal do país e a devida responsabilização judicial e política dos protagonistas das ilicitudes.
Em hipótese alguma se pode admitir qualquer pressão política para inibir o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público, pois a atuação destas instituições e, principalmente, a eficiência do Judiciário no exame dos acertos e erros das investigações mantêm a esperança dos brasileiros neste momento de crise econômica e degradação política que o país atravessa. A depuração tem que continuar, doa a quem doer.
Fonte: Diário Catarinense (Editorial)
Grandes passos em direção ao mar, por Filipe Mello*
Uma nova onda vem chegando em nosso mar. Uma mudança de cultura e pensamento está unindo iniciativa privada, sociedade e poder público para um mesmo fim: virar Santa Catarina de frente para o mar. Definitivamente. Muitas iniciativas já se concretizaram e alguns municípios catarinenses decidiram investir na infraestrutura necessária para o desenvolvimento do turismo náutico. Ainda há muito a ser feito, e a jornada pode ser longa. No entanto, há uma grande esperança que nos motiva: o potencial de Santa Catarina é enorme. Temos 500 quilômetros de costa e possibilidades que vão além dos limites do oceano.
Recentemente apoiamos a realização da primeira Fimar – Feira Internacional de Tecnologia, Inovação e Design do Mar Itália-Brasil, em Florianópolis. O intuito foi unir empresários catarinenses e italianos para a criação de novas parcerias e negócios. Entendemos que é necessário qualificar e agregar valor aos nossos produtos, além de compreender o setor náutico mundial por meio de exemplos bem-sucedidos – como é o caso da Itália – para que possamos crescer e desenvolver toda a cadeia produtiva.
Assim, conseguiremos aumentar as possibilidades nos três pilares da economia do mar, que são indústria, comércio e turismo náutico, gerando mais emprego e renda. Sem dúvida, as consequências serão benéficas para toda a sociedade, com mais esportes náuticos, mais lazer e mais qualidade de vida. Uma população feliz é mais produtiva e, assim, o ciclo que movimenta a economia do país ganha novos impulsos e mais força. Colocar isso em prática é um desafio, mas é possível obter grandes avanços se esta for a linha de pensamento dos principais entes que planejam nosso futuro.
Este é um momento histórico e fundamental para que a economia do mar seja entendida como prioridade. Para conseguirmos ter mais infraestrutura, precisamos de regras claras e leis que possibilitem criar condições para desenvolver o turismo náutico com responsabilidade e sustentabilidade. Quando isso não acontece, abre-se espaço para o ilegal e improvisado – e isso não é o que queremos.
Para obter mais infraestrutura náutica, precisamos de regras claras e leis adequadas
*Secretário de Turismo de SC / Florianópolis
Fonte: Diário Catarinense
As escalações de Dunga e Dilma
Há visíveis e risíveis semelhanças entre o técnico da desacreditada seleção brasileira de futebol Carlos Verri, o Dunga, e o saraivado e manchado governo da presidente Dilma Rousseff: mesmo na hora de escalar quem deveria defender e fazer esses times seguirem em direção à vitória, os dois líderes só contam com o que têm, não exatamente com os melhores que poderiam ter convocado, e não conseguem uma ação estratégica para vencer as adversidades. No recente vazamento do objeto da delação premiada de Ricardo Pessoa, presidente da Construtora UTC, homem dono de arrogância suficiente para ser chamado de chefe do clube das empreiteiras na operação lava jato, da Polícia Federal, a listagem de outros 17 políticos, do PMDB, PSDB, PT, PTB, PSB e PP, e o nome de Dilma entre os beneficiados de volumosas quantias para a campanha eleitoral fizeram a chefe da nação mandar uma linha de frente de ministros ao ataque para proteger o governo e o PT. Antes de viajar para Nova York (EUA), Dilma reuniu-se com os chamados ministros da casa e escalou Edinho Silva (da Secretaria de Comunicação) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), juntamente com o “preparador-físico” e advogado José Eduardo Cardozo (justiça). Eles se limitaram a dizer o que já se ouviu no passado: que este governo não prevarica e que tudo está devidamente auditado pela justiça eleitoral como doação lícita de campanha, e que delação premiada não deveria ser conhecida antes da prova colhida. É um argumento tão pífio que Mercadante preferiu não viajar para a américa do norte para evitar constrangimentos diante de jornalistas e diplomatas. Enquanto a oposição, liderada entre muitos pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), eterno ruralista e antipetista, bradava por mais um espaço para o impeachment, Dunga e Dilma, mais uma vez, eram surpreendidos pela coincidência: seus maiores craques estão em baixa. Dunga não pôde contar com Neymar Júnior, autor de uma série de façanhas lamentáveis que o tiraram do jogo decisivo com o Paraguai e de dois jogos da eliminatória para a próxima Copa, que começa em outubro. Dilma não tem a mínima chance de obter do ex-presidente Lula um apoio confortável. Tal e qual Neymar, ele não admite os próprios erros e irresponsabilidades do passado, hoje mais preocupado em criticar para salvar o próprio pescoço. Como o palácio do planalto, a seleção de futebol não conseguiu exorcizar os fantasmas da última Copa do Mundo e da última Copa américa com a marca de Tiago silva, zagueiro que chora demais, não bate pênaltis e ainda mete a mão na bola na hora errada. Neymar ainda está em vantagem sobre lula, afinal, seus maiores amigos não foram parar atrás das grades pelas estripulias que ele não sabia que ocorreram em nome da governabilidade, porém valeram condenações históricas, embora o pai do jogador do Barcelona esteja na mira da justiça espanhola. Dunga e Dilma têm mais em comum do que a letra do apelido ou nome: atrapalham-se em
momentos decisivos por não terem a melhor da geração de comandados e ainda não se livraram de problemas históricos que os pressionam – e não aprenderam nada com eles.
Fonte: Notícias do Dia (Roberto Azevedo)
Sobram carros, faltam vagas
Estacionar o carro no Centro de Florianópolis não é uma tarefa simples. Seja pelo fato de a Capital ter em suas ruas quase 260 mil veículos – segundo dados de maio de 2015 no Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), com média de 1,8 habitante por veículo -, seja por não haver áreas disponíveis ou ainda porque a configuração geográfica do município é permeada por morros e água.
Uma das três capitais com maior proporção de veículos automotores em relação ao número de habitantes, Florianópolis têm 114 estacionamentos somente no Centro e no bairro Carianos – perto do Aeroporto Hercílio Luz.
Estas áreas estão divididas em estabelecimentos privados, empreendimentos com parceria público-privada e duas áreas cedidas à Aflov (Associação Florianopolitana de Voluntários), entidade do terceiro setor.
Para estacionar o carro no Centro, paga-se entre R$ 2 – na Zona Azul – a até R$ 8 por hora em estacionamentos particulares. De moto, o preço vai de R$ 1 na Zona Azul a R$ 4 em locais privados. Ao todo, somando os estacionamentos particulares, as cinco áreas públicas concedidas à Multipark e Zona Azul, controlada pela empresa Dom Parking, o Centro, principalmente, e o Carianos, em menor proporção, possuem 13.255 vagas.
O problema é que entre eles existem estabelecimentos sem alvará, em áreas irregulares, com pouca oferta para tanta procura e com preços que pesam no bolso do usuário. Um exemplo são os estacionamentos administrados pela Multipark, com 1.008 vagas, que sofrerão reajuste a partir de 1o de julho, com as tarifas saindo de R$ 3,50 para R$ 4 a hora para carros, e de R$ 2,50 para R$ 3 as motocicletas.
O aumento está previsto em contrato, informa o secretário de Mobilidade da Capital, Vinícius Cofferri. “É um aumento previsto e que se deve às melhorias e benfeitorias feitas pela empresa nas áreas concedidas. Mesmo assim, o valor ainda fica abaixo da maioria dos estacionamentos particulares”, afirma.
O contrato entre a Prefeitura de Florianópolis e a Multipark rende aos cofres do município pouco mais de R$ 300 mil ao mês em valores referentes à outorga de áreas utilizadas pela empresa.
Fonte: Notícias do Dia
Questionamentos
A bagunça do contorno viário no trecho de Palhoça começou quando a prefeitura e o governo do Estado negociaram a área da antiga colônia penal agrícola com a empresa Rodobens, para construção de um condomínio do Minha Casa Minha Vida, com 8.000 moradias. Há três ações judiciais em curso, além de uma ação civil pública do ministério Público estadual questionando a transação. E há indicativos de que o ministério Público Federal também se envolva nas investigações sobre o estranho negócio que comprometeu a obra federal do contorno viário.
Sem novela com o contorno viário
Discussões recentes sobre o contorno viário da BR-101 tentaram travar a execução do projeto, por causa de questões específicas de Palhoça. Mas, ao que tudo indica, não haverá retrocesso. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) garante o que já está consolidado e licenciado, sem revisão do projeto, conforme pretendiam autoridades palhocenses. Melhor assim. Não podemos admitir que essa rodovia se torne, como tantas outras iniciativas, o símbolo da hesitação político-administrativa. Chega de blá-blá-blá, de populismo e demagogia, a região não pode esperar mais dez anos por uma solução que deveria estar pronta em 2012! Na sexta-feira, dia 26, o governador Raimundo Colombo, o deputado federal Esperidião Amin, o superintendente da região metropolitana, Cássio Taniguchi, o secretário de Estado de Planejamento, Murilo Flores, e o prefeito de Palhoça, Camilo Martins, discutiram o assunto e decidiram respeitar o traçado definido em 2013, depois de muita lenga-lenga. Camilo, que liderava as resistências em nome de um grupo de moradores, deverá se manter neutro na questão, evitando mais complicações em relação a um problema tão grave e tão sério da região metropolitana.
Fonte: Notícias do Dia (Ponto Final – Carlos Damião)