Florianópolis, 29.6.15 – A indústria catarinense gasta R$ 0,14 a cada R$ 1,00 bruto faturado com logística, segundo pesquisa Custo Logístico na Indústria Catarinense, divulgada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). O estudo faz parte do Programa Catarinense de Logística Empresarial e feito pelo Laboratório de desempenho Logístico da UFSC. E foi apresentado na manhã de hoje pelo professor, Carlos Taboada, durante o Seminário Agenda Estratégica da Indústria para a Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarina.
O evento teve a apresentação do presidente da Fiesc, Glauco José Côrte. Segundo ele, a média de custo da Logística é de 14% bem acima da dos Estados Unidos que é de 9%. O transporte tem um peso de 49% do total gasto com logística de suprimentos e produtos acabados pela indústria catarinense.
Para Côrte, o problema está no atraso na execução de obras em rodovias, portos, construção de ferrovias, entre outros. Por isso, destacou que a Fiesc vai lançar nesta semana o site Monitora Fiesc que vai oferecer aos catarinenses um panorama completo sobre o andamento de todas as obras. E que o serviço possa subsidiar autoridades para tomar as providências necessárias. “O problema é termos um sistema de gestão adequado das obras que tem provocado atrasos e com custos muito superiores aos planejados”.
O presidente da Fiesc citou os problemas como da Via Expressa que dá acesso à Florianópolis e os gargalos na BR-101 que elevam os custos significativamente.
“Estamos mostrando que Santa Catarina tem que investir muito em infraestrutura e logística, além de aumentar o uso de outros modais, como é o caso da cabotagem. Também enfatizamos a necessidade de um acompanhamento e um planejamento integrado dos investimentos”, disse Côrte.
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, participou da mesa que teve ainda a presença de deputados e senadores da Frente Parlamentar Catarinense. E na plateia empresários e responsáveis pela logísticas das indústrias do Estado.
O transporte custa R$ 0,07 em cada real faturado, aponta pesquisa
De acordo com Taboada, das 55 empresas que responderam a pesquisa e que representam 20% do PIB, valores de 2012, para R$ 1,00 bruto faturado, R$ 0,07 é o custo do transporte; R$ 0,05 o custo do estoque, da armazenagem é R$ 0,02% e administração da logística custo zero.
Na estrutura global de custos logísticos catarinenses, o transporte tem o peso de 49% de todos os gastos com logística para a indústria catarinense. Outros 35% vão para o custo de estoque e 14% para pagar a armazenagem e a administração fica com R$ 0,002, por isso aparece com zero, pois sua incidência ocorre só na terceira casa decimal.
Quando se analisa os valores dos itens de logística armazenagem, custo de estoque e transporte agrupados em Suprimentos representam R$ 0,06 e os mesmos itens agrupados em Distribuição física significam R$ 0,08 a cada Real faturado. No primeiro caso o custo do transporte fica em 35%, sendo superado pelo custo do estoque com 56%, mas acima da armazenagem que é 9%. Na Distribuição física, o transporte lidera com 56%, seguido de custo de estoque com 25% e 19% da armazenagem.
Os custos por setores produtivos também foram estabelecidos pela pesquisa. De acordo com o professor Taboada, se a média é de R$ 0,14 por real faturado, alguns segmentos o valor é muito superior como o da madeira que lidera com R$ 0,26, atrás vem o material elétrico e mecânica com R$ 0,22, metalúrgica com R$ 0,19, mobiliário com R$ 0,18. O menor é o do vestuário com R$ 0,05 e seguido pelos têxtil, química, minerais não metálicos com R$ 0,09, materiais plástico com R$ 0,14, alimentos e bebidas e papel e papelão com R$ 0,17.
Mas avaliados os custos logísticos setoriais por processo o transporte tem o maior peso em valores e consequentemente em percentuais em quase todos os processos, ficando de fora somente o de material elétrico, superado pelo estoque.
Quando os setores foram separados por região o custo de logística por real faturado ficou maior no Norte com R$ 0,19, Grande Florianópolis com R$ 0,18, Vale do Itajaí, R$ 0,17, Serra, R$ 0,13, Oeste R$, 0,12 e Sul R$ 0,10. Quando avaliado item por item do custo logístico, o transporte tem um custo maior em quase todas as regiões, menos a do Vale do Itajaí.
O que contribui para os valores e percentuais de cada região são quem paga pelo frete, o fornecedor e ou comprador, o estoque mantido pela empresa, tipo de produto ou matéria prima e a necessidade de transporte. Fonte: JP/Imprensa Fetrancesc.
Obras de infraestrutura estão muito atrasadas de acordo com dados da Federação das Indústrias
Dados mostram que Santa Catarina recebeu, em 2014, 37% do total previsto para a infraestrutura de transportes no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Orçamento Geral da União. Até junho deste ano o repasse está em 0,09%. Presente no evento, o coordenador da Frente Parlamentar Catarinense, deputado Mario Mariani, anunciou a marcação de audiência com o ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues. O encontro está agendado para esta quarta-feira, 1º de julho e tem como pauta os estudos apresentados na reunião.
Rodovias federais – Dos R$ 282 milhões orçados em 2012 para a manutenção e melhoria das BRs 282, 153, 158, 163 e 470, dentro da segunda etapa do Programa de Conservação, Restauração e Manutenção de Rodovias (CREMA), apenas 29% foram liberados pelo governo federal até maio de 2015.
Análise expedita realizada pela FIESC mostra que as obras de ampliação da capacidade da BR-163 entre São Miguel do Oeste e Dionísio Cerqueira, contratadas em 2012, estão paralisadas desde o fim do ano passado. O trecho entre Ponte Serrada e São Miguel do Oeste, também incluído no CREMA 2, encontra-se em “deplorável” estado de conservação. Foram relatados problemas de buracos, trilhas, afundamentos e trincas do pavimento em oito pontos deste segmento, que inclui as BRs 282 e 153.
Entre as conclusões, o documento sugere a inclusão de 346 quilômetros das BRs 282, 158 e 470 nos estudos do Ministério dos Transportes para concessão à iniciativa privada.
Demandas regionais – Seminários promovidos pela Fiesc levantaram as principais demandas de infraestrutura de transporte nas regiões de Joinville, Blumenau, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Rio do Sul, Lages e Caçador. Alguns pontos foram levantados em mais de uma região, como a realização de estudo que aponte uma rodovia alternativa a BR-101, a duplicação da BR-470, a atualização do Plano Aeroviário Catarinense, a ampliação de aeroportos, a modernização de ferrovias e a construção das ferrovias da Integração e Litorânea.
Na abertura do documento, Côrte destaca que os usuários conhecem bem as deficiências das suas cidades e sua malha de transporte, gerando propostas que contribuem para a definição de ações para a melhoria da infraestrutura de transporte e logística. Para ele, estes resultados devem agora ser objeto de avaliação técnica criteriosa.
Cabotagem – O transporte marítimo não é utilizado por 55,3% das 76 empresas ouvidas pela pesquisa Cabotagem: alternativa para a melhoria da mobilidade e competitividade. Entre os principais motivos apontados para a baixa adesão estão o não atendimento de destinos específicos e a burocracia ligada a este modal de transporte. Por outro lado, as empresas que adotam o transporte marítimo elogiam o baixo custo e a segurança para as cargas. O documento ressalta ainda a facilidade de ampliação da oferta deste serviço, que independe da construção de novas vias.
Monitoramento – No evento, a Federação lançou também o Monitora Fiesc, uma ferramenta de acompanhamento da situação das obras de infraestrutura no Estado. Clique aqui para acessar.
O sistema oferece, de forma individual, informações sobre histórico, valor, prazo previsto e situação atualizada. Para isso, ele á abastecido com base em editais, contratos, consultas formais da Fiesc, informações da mídia, análises expeditas realizadas pela Federação e seminários e eventos sobre o tema.
“A Fiesc sido demandada por informações sobre o andamento das obras no Estado. Com esta ferramenta, poderemos informar e tomar procedimentos junto às autoridades responsáveis”, afirmou o primeiro vice-presidente da Fiesc e presidente da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Federação, Mario Cezar de Aguiar.
BR-101 Norte – Foi apresentado também o relatório do Grupo Paritário de Trabalho, criado pela ANTT para acompanhar a situação do trecho Norte da BR-101 e da BR-376. O documento reforça a importância da realização de obras de ampliação da capacidade da rodovia nas travessias urbanas. A de situação mais delicada é a da Grande Florianópolis.
De acordo com o estudo, a construção do Contorno Rodoviário, que está em curso, não irá resolver os problemas de trânsito na região, que recebe forte fluxo de veículos e tem grande trânsito local. As alterações previstas para este aumento de capacidade foram orçadas em R$ 668 milhões. Outras travessias listadas no relatório são as de Itajaí, Joinville, Itapema, Barra Velha, Balneário Camboriú e Porto Belo. O orçamento total das melhorias é de R$ 2,126 bilhões para Santa Catarina.
O documento ressalta, no entanto, que estas obras não podem ser bancadas exclusivamente pela empresa concessionária, sob risco de uma grande elevação nos pedágios. Com base no contrato de concessão, o grupo propõe a busca de mecanismos e recursos alternativos necessários aÌ implantação das medidas.
PPP – Foi lançado ainda estudo sobre o potencial das parcerias público-privadas (PPPs) para melhoria da infraestrutura no Estado, realizado em conjunto com a KPMG. O material mostra que as principais demandas dos municípios incluem o saneamento básico (35%), a mobilidade urbana (28%) e a infraestrutura de transporte (17%).
Abaixo, a íntegra dos estudos
Obras estratégicas indústria SC 2016-2019
Custos Logísticos
Parcerias público-privadas
Plano de Mobilidade SC
Grupo de Trabalho BR-101
Análise CREMA (versão alta)
Análise CREMA (versão baixa)
Fonte: Texto Fábio Almeida/Assessoria de Imprensa da Fiesc Fotos: Heraldo Carnieri/Divulgação Fiesc

