Criciúma, 15.7.14 – O projeto que prevê a implantação do Porto Seco – Cidade dos Transportes (terminal de recebimento e distribuição de carga), no bairro São João, em Criciúma, existe desde 1997. No entanto, ainda não há previsão para que o projeto saia do papel. 53 transportadoras e prestadoras de serviços já adquiriram terrenos dentro da área de 580 mil metros quadrados estipulada para o complexo e estão prontos para iniciar as obras de construção, mas a falta de infraestrutura de acesso até o local dificulta o início das atividades do terminal.
O terreno do Porto Seco, fica às margens da rodovia Alexandre Beloli (marcação em vermelho na foto abaixo), que faz parte do projeto do Anel de Contorno Viário e da Ferrovia Tereza Cristina, importantes vias de escoamento de carga da região. Assim que começasse a operar, o complexo otimizaria o transporte ferroviário e eliminaria o tráfego de caminhões de grande porte no centro do município.
Conforme o Sindicato das Empresas de Transporte e Cargas do Sul de Santa Catarina (Setransc), o custo para a pavimentação das ruas do Porto Seco é alto por causa da necessidade de malha asfáltica mais resistente, o que dificulta o início do projeto. Segundo o modelo de contrato para o asfaltamento, montado pela empresa Setep Construções, a obra passa de R$ 5 milhões.
Mobilização de empresários
Sem apoio de recurso financeiro da parte do município ou do Estado, o Setransc atua na mobilização dos empresários para que eles paguem pela pavimentação para que projeto seja iniciado. “Já existe uma descrença. Estamos tentando conseguir a adesão dos empresários por ruas, talvez assim, por etapas, conseguiremos chegar lá”, afirma o presidente do Setransc, Algemiro Manique Barreto Filho.
Cada metro quadrado de pavimentação é avaliado em R$ 130. O valor a ser repassado a cada empresário pode ser parcelado em até 36 vezes e será calculado de acordo com a extensão do terreno.
Município sem recurso
A área referente às ruas do complexo foram doadas ao município, o que as tornam públicas. A Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana de Criciúma disponibilizou máquinas para a realização de terraplanagem e melhoria das ruas. Entretanto, não há nenhum projeto que vise angariar recursos para a pavimentação. “Nós não temos recursos. Não conseguimos recurso nem para asfaltar as ruas dos bairros, quem dirá para uma obra como esta”, comenta o secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, André de Luca.
A Ferrovia Tereza Cristina é proprietária de 23 mil metros quadrados do Porto Seco. Se implantado, o complexo beneficiaria o transporte ferroviário da região e permitiria a construção de um Terminal de Cargas com ligação com o município de Imbituba. “Seria uma alternativa a mais para a ferrovia. Teríamos um terminal para transporte de ida e volta”, salientou o gerente da divisão comercial da ferrovia, Carlos Augusto Menezes.
Cidade ganharia mobilidade
Para Autarquia de Segurança, Trânsito e Transporte de Criciúma (ASTC) a iniciativa além de melhorar a logística de carga traria benefícios para a cidade. “Diminuiria os acidentes com a fiação e o desgaste das vias, além de melhorar o trânsito. Seria 20 caminhões a menos por dia dentro da cidade”, destaca o gerente de Trânsito e Transportes da ASTC, Thiago Fagundes.
Atualmente, placas com sinalização específica orientam os motoristas dos caminhões sobre o peso da carga permitida de acordo com a região da cidade. Conforme decreto municipal, a carga não pode ultrapassar de dez toneladas. Entretanto, existem ruas construídas em área de mineração, próximas de túneis ou com pavimentação não especifica para carga que apresentam limite de peso permitido reduzido.
Dentro da área de extensão do Porto Seco ainda existem 20 terrenos para a venda. Nas imediações há mais 80 hectares colocados para ampliação de área do projeto, se necessário. Uma fornecedora de combustíveis tem interesse em montar um ponto de fornecimento dentro do complexo.
Fonte: Portal Engeplus
Fotos: Daiana Carvalho

